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sábado, 18 de maio de 2013

O Espiritismo Filosófico



Como espíritas, sabemos que a doutrina espírita está alicerçada em um tripé, composto de filosofia, ciência e as consequências morais (as quais alguns preferem chamar de religião). Embora saibamos deste tripé e o dizemos frequentemente, poucos têm, ao certo, a noção filosófica e científica da doutrina e, muitas vezes, ficam presos na tentativa de se entender as consequências morais sem, primeiro, entender os pressupostos filosóficos e científicos que são a base para o entendimento destas consequências morais.

Neste ponto, os aspectos filosóficos do Espiritismo são algo praticamente não entendido, não explorado pelos estudos espíritas, não desenvolvido como ferramenta crucial para a aquisição de novos horizontes e novos conhecimentos. Reduzimos os aspectos filosóficos da doutrina apenas às perguntas que se assemelham aos questionamentos filosóficos realizados por pensadores como, por exemplo, o que é Deus, de onde nós viemos, para onde vamos, entre outros. No entanto, estes questionamentos certamente permanecerão por muito ainda sem respostas e apenas temos uma vaga ideia do nosso processo evolutivo. 

O uso das ferramentas filosóficas deveria ser matéria introdutória nas casas espíritas. Tópicos como Teoria do Conhecimento, Lógica, Raciocínio Crítico são pequenos exemplos de assuntos da filosofia que servem de base para o entendimento dos ensinamentos de Kardec e também de nosso grande irmão Jesus.

Todos conhecemos a frase de Cristo: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará!”? Ou seja, somente através do conhecimento do que é verdade é que alcançaremos a nossa liberdade, nossa jornada evolutiva não mais necessitará de encarnações. 

Aqui, nos pegamos questionando dois fundamentos importantes para entender o que Jesus disse e o que Kardec inicialmente explora em O Livro dos Espíritos: 
O que é verdade e o porquê da necessidade da Reencarnação?

Como vimos, a lógica nos faz associar estes dois princípios, mas como responder a isso?!
Alguns diriam que é somente pela reencarnação que adquirimos conhecimento e aos poucos vamos acumulando-o e evoluindo. Este raciocínio está correto, porém ele é uma interpretação literal, simples, do que está escrito no LE, mas ainda não responde COMO.

Para tal, necessitamos recorrer aos recursos da filosofia, mais especificamente à Teoria do Conhecimento. Esta área da filosofia explora exatamente este ponto, questionando
“O que é a verdade?”, “Como obtemos a verdade?”. 

Os estudos deste assunto mostram que uma das formas de aquisição da verdade é por meio de nossas percepções. Mas são nossas percepções uma representação fiel da realidade? O quanto de verdade eu tenho em minhas percepções?
O conhecimento atual deste assunto sugere que nossas percepções são representações relativamente reais do mundo. Às vezes, chegamos muito perto de conhecer o mundo real, por outras, ficamos distantes ou até mesmo sequer o percebemos.

Voltamos a Kardec e vemos que ele associa a liberdade com a depuração da alma. LE, pergunta 166: Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se? “Sofrendo a prova de uma nova existência”.  
Portanto, a perfeição está associada à depuração da alma. Então perguntamos, COMO esta depuração se associa com o conhecimento da verdade? LE pergunta 94: De onde tira o Espírito o seu envoltório semimaterial? 
Do fluido universal de cada globo. É por isso que ele não é o mesmo em todos os mundos; passando de um mundo para outro, o Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa. LE pergunta 94-a: Dessa maneira, quando os Espíritos de mundos superiores vêm até nós, tomam um perispírito mais grosseiro? É necessário que eles se revistam da vossa matéria, como já dissemos.

Conforme o Espírito evolui, seu perispírito vai ficando cada vez mais etéreo, menos material. Com isso, vamos nos tornando cada vez mais capazes de perceber o mundo como ele realmente o é. A cada encarnação, vamos depurando nosso perispírito, vamos sendo capazes de sintonizar vibrações diferentes e esta ampliação na capacidade de enxergar a verdade é que nos garante a tão desejada salvação. 

O Consolador
Autor: Marcelo Fernandes Costa

sexta-feira, 2 de março de 2012

A matéria explica a matéria?

Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas? “Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades?
É indispensável sempre uma causa primária.”
(Questão 7 de O Livro dos Espíritos.)


Afinal, quais seriam as propriedades íntimas da matéria responsáveis pela formação das coisas, da própria matéria, enfim?

Definimos matéria como qualquer coisa que possui massa, ocupa um lugar no espaço e está sujeita a inércia (se está em movimento tende a permanecer em movimento, se está em repouso tende a ficar em repouso).

Apresenta propriedades gerais como extensão, energia, densidade, divisibilidade e também possui propriedades específicas como dureza, porosidade, magnetismo e outras.

Seriam essas as propriedades íntimas citadas por Kardec ou teria ele ido mais além, antecipando novas descobertas e vislumbrando a intimidade da matéria em suas características nucleares?

Temos mais perguntas que respostas.

Contudo, escutando o ensinamento dos imortais, aprendemos que:

(...) podemos estabelecer como princípio absoluto que todas as substâncias, conhecidas e desconhecidas, por mais dessemelhantes que pareçam, quer do ponto de vista da constituição íntima, quer pelo prisma de suas ações recíprocas, são, de fato, apenas modos diversos sob o que a matéria se apresenta; variedades em que ela se transforma sob a direção das forças inumeráveis que a governam. (Item 3, Cap. VI de A Gênese.)
A matéria, em si mesmo, não é capaz de transformar ou criar novas expressões, tendo em vista que apenas sob a ação de forças exteriores é que ela pode ser manipulada.

Isaac Newton, antes das vozes da espiritualidade se manifestarem na codificação, já afirmava: “É inconcebível que a matéria bruta inanimada possa (sem a mediação de algo que não seja material) operar sobre outra matéria e afetá-la sem contato mútuo”.

A matéria, por si mesma, é incapaz de explicar a surpreendente complexidade para formação de apenas um átomo.
Uma consciência diretora e inteligente planejou e realizou toda a complexidade do Universo.

Desde a ideia do átomo indivisível até a moderna teoria dos quarks, que a ciência vem a cada dia demonstrando a realidade incontestável do Ser Superior.

Isaac Newton, uma das maiores inteligências já encarnadas, se dobrou diante do maravilhoso espetáculo da criação com as seguintes palavras: “Este magnífico sistema do Sol, planetas e cometas poderia somente proceder do conselho e domínio de um Ser inteligente e poderoso (...) Toda aquela diversidade de coisas naturais que encontramos adaptadas a tempos e lugares diferentes não se poderia originar de nada a não ser das ideias e vontade de um Ser necessariamente existente”.

Somente Deus explica a complexidade e diversidade da matéria. Somente Deus para explicar a capacidade de transformação e as infinitas possibilidades criadoras na matéria.

Confirmamos a conclusão que Deus explica a matéria com a lúcida observação de Kardec:

A Ciência moderna abandonou os quatro elementos primitivos dos antigos e, de observação em observação, chegou à concepção de um só elemento gerador de todas as transformações da matéria; mas a matéria, por si só, é inerte; carecendo de vida, de pensamento, de sentimento, precisa estar unida ao principio espiritual. (...) Ao elemento material, juntou ele o elemento espiritual. Elemento material e elemento espiritual, esses os dois princípios, as duas forças vivas da Natureza. Pela união indissolúvel deles, facilmente se explica uma multidão de fatos até então inexplicáveis. 
(Item 18, Cap. I de A Gênese.)

O Consolador - out/10

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A REENCARNAÇÃO E SEU PROPÓSITO

Existe, como sabemos, uma diferença de conteúdo essencial entre os vocábulos reencarnação e ressurreição.

A ideia de que os mortos podiam volver à vida terrestre fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só os saduceus, partidários de uma seita fundada por Sadoc por volta do ano 248 a.C., cuja crença era a de que tudo acabava com a morte, não acreditavam nisso.

Os judeus, sim, admitiam que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato se dava. É assim que muitas pessoas acreditavam que Jesus fosse algum dos profetas que voltara. Designavam com o nome de ressurreição o que o Espiritismo chama de reencarnação.

A ressurreição propriamente dita, que implica o retorno à vida de um corpo que se acha com seus elementos dispersos ou absorvidos, é cientificamente impossível. Se aplicada às pessoas que tiveram uma morte aparente, como Lázaro ou a filha de Jairo, fica evidente a impropriedade da palavra, porque, não existindo morte, não há que falar de ressurreição, mas sim de ressuscitação, nome que se dá, em Medicina, ao conjunto de atos pelos quais, mediante o uso de manobras manuais e de aparelhos adequados, se restaura a vida ou a consciência de indivíduo aparentemente morto.

Reencarnação significa coisa diferente, pois é a volta do Espírito à existência corpórea, mas em outro corpo formado especialmente para ele e que nada tem de comum com o antigo.

A ideia de reencarnação está bem definida na questão 166 d´O Livro dos Espíritos:

– Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?
“Sofrendo a prova de uma nova existência.”

a) Como realiza essa nova existência? Será pela sua transformação como Espírito?
 “Depurando-se, a alma indubitavelmente experimenta uma transformação, mas para isso necessária lhe é a prova da vida corporal.”

b) A alma passa então por muitas existências corporais?
“Sim, todos contamos muitas existências. Os que dizem o contrário pretendem manter-vos na ignorância em que eles próprios se encontram. Esse o desejo deles.”

c) Parece resultar desse princípio que a alma, depois de haver deixado um corpo, toma outro, ou, então, que reencarna em novo corpo. É assim que se deve entender?
 “Evidentemente.”

Vê-se que o propósito da reencarnação é permitir que os Espíritos alcancem a meta para a qual foram criados: a perfeição. O conceito de reencarnação está, portanto, intimamente ligado ao conceito de encarnação, isto é, à passagem do Espírito pela existência carnal ou corporal, assunto tratado na questão 132 da mesma obra:

– Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?
“Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação. Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.”

À vista destes ensinos, não é difícil compreender as seguintes palavras que Jesus dirigiu a Nicodemos: “Em verdade, em verdade, digo-te: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo”. (João, 3:1 a 12.)


O Consolador

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

LIVRO DOS ESPÍRITOS: REENCARNAÇÃO, ESCOLHA DAS PROVAS E AS CRIANÇAS

171- Em que se baseia o dogma da reencarnação?
- Na justiça de Deus e na revelação, e repetimos incessantemente: um bom pai deixa sempre para seus filhos uma porta aberta ao arrependimento. A razão não vos diz que seria injusto privar, para sempre, da felicidade eterna todos aqueles cujo aprimoramento não dependeu deles mesmos? Não são todos os homens filhos de Deus? Só homens egoístas podem pregar a injustiça, o ódio implacável e os castigos sem perdão.

197 O Espírito, de uma criança que desencarna em tenra idade poderá ser tão avançado quanto o de um adulto?
- Algumas vezes é mais, porque pode ter vivido muito mais e ter mais experiência, principalmente se progrediu.

198 - De uma criança que morre em tenra idade, e, portanto, não tendo praticado o mal, podemos supor que seu Espírito pertença aos graus superiores?
- Se não fez o mal, não fez o bem, e Deus não a isenta das provações que deve passar. Seu grau de pureza não ocorre porque tenha animado o corpo de uma criança, mas pelo progresso que já realizou.

199 - Por que a vida é muitas vezes interrompida na infância?
- A duração da vida de uma criança pode ser, para o Espírito que nela está encarnado, o complemento de uma exisstência anterior interrompida antes do tempo. Sua morte é, muitas vezes, também uma provação ou uma expiação para os pais.

258 - Na espiritualidade, antes de começar uma nova existência corporal, o Espírito tem consciência e previsão das coisas que acontecerão durante sua vida?'
- Ele mesmo escolhe o gênero de provas que quer passar. Nisso consiste seu livre-arbítrio.
Nada acontece sem a permissão de Deus, que estabeleceu todas as leis que regem o universo ... É preciso, aliás, distinguir o que é obra da vontade de Deus e o que é obra do homem.

259 - Se o Espírito tem a escolha do gênero de prova que deve passar, todas as dificuldades que experimentamos na vida foram previstas e escolhidas por nós?
- Todas não é a palavra, porque não se pode dizer que escolhestes e previstes tudo que vos acontece neste mundo, até nas menores coisas. Vós escolhestes os gêneros das provas; os detalhes são consequência da situação em que viveis e, frequentemente, de vossas próprias ações.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A ÚLTIMA PERGUNTA

Os livros da Codificação Espírita constituem fonte permanente para estudos e reflexões. Sempre encontramos em suas páginas fecundas oportunidades de análise para qualquer tema do cotidiano da vida humana. Isto sem falar nas questões transcendentais ...

Assuntos admiráveis ou polêmicos encontram no pensamento do Codificador ou na revelação dos Espíritos, roteiros e argumentações, orientações e material para manter concentrado qualquer pesquisador que venha procurar na Doutrina Espírita respostas às suas indagações. Trata-se de vasto campo cultural alicerçado na mais alta moral que o planeta pode conhecer: a moral de Jesus. Incrível como qualquer assunto possa ser analisado sob a ótica espírita.

Trazemos essas considerações pensando em convidar o leitor a pensar conosco sobre a última questão de O Livro dos Espíritos, a de número 1.018. É que o tema dessa questão está diretamente relacionado com uma preocupação coletiva.

Vive-se no planeta um período de grandes dificuldades, agravadas por inúmeros problemas sociais, todos conhecidos graças ao poder da mídia. Problemas que têm gerado grandes aflições coletivas. Aí estão presentes no dia-a-dia do cidadão do planeta a violência, a miséria, o desemprego e pior, a indiferença, o desamor.

Ao lado de um tanto de criaturas que lutam pelo bem, que se esforçam pelo aprimoramento individual e coletivo, boa parcela da população se perde ainda nos excessos, na incompreensão, na intolerância, fechando-se no egoísmo que tantos males tem gerado.

E vem a última pergunta do livro referido:


"1.018 - Jamais o reino do bem poderá ter lugar sobre a Terra?

- O bem reinará sobre a Terra quando, entre os Espíritos que vêm habitá-la, os bons vencerem sobre os maus. Então, farão nela reinar o amor e a justiça que são a fonte do bem e da felicidade. É pelo progresso moral e pela prática das leis de Deus que o homem atrairá sobre a Terra os bons Espíritos e dela afastará os maus. Mas os maus não a deixarão senão quando dela forem banidos o orgulho e o egoísmo. A transformação da Humanidade foi predita e atingis esse momento, que apressam todos os homens que ajudam o progresso. Ela se cumprirá pela encarnação de Espíritos melhores, que constituirão sobre a Terra uma nova geração ( .. .)".


Notem os leitores que a transformação virá pela atração de Espíritos melhores, através da transformação moral dos próprios homens e da prática das leis de Deus.

O amadurecimento humano, pelo progresso inevitável, fará isso, cedo ou tarde. Porém, nada nos impede de antecipar o notável acontecimento, através de esforços individuais e coletivos que melhorem o padrão moral do planeta.

Felizmente, há muita gente boa trabalhando para isso, em todo o mundo. Iniciativas brilhantes nas áreas de pesquisas científicas (para as conquistas tecnológicas que beneficiem o homem em todos os sentidos), ou esforços de solidariedade que despertem o coração humano para a importância da afabilidade, estão levando o homem para o caminho da tão sonhada paz e felicidade.

Vou citar um exemplo muito simples, pequenino mesmo, mas muito ilustrativo.

Em nossa pequena cidade, há um cidadão espírita, atualmente cego, que solicita para seu funcionário escrever diariamente uma frase motivadora ou de teor cristão, em pequena lousa localizada em seu estabelecimento comercial. Trata-se de um hábito muito antigo, já conhecido da cidade. Pois, com a prática já transformada em hábito, hoje em dia é comum pessoas pararem para ler a frase e outras copiarem a dita frase para reflexão posterior. Até uma professora solicita a uma de suas alunas passar por lá diariamente para copiar a frase ...

O comerciante teve uma idéia simples, mas gerou simpatia e ajuda às criaturas que por ali passam e já buscam até com certa ansiedade a frase do dia, inclusive para anotações. A iniciativa criou um clima melhor naquele ambiente, atraindo forças positivas e irradiando amor para muitos.

O exemplo simples pode ser usado para dimensões mais abrangentes que gerem modificações positivas em ambientes perturbados ou perturbadores.

Desejamos atingir o fato, destacando para o leitor, de que a implantação do reino do bem e por extensão natural da paz e da felicidade tão procurada, está principalmente nas iniciativas que tenhamos para fazer as oportunidades do bem aparecer, fazendo-o presente em nossas vidas. Se a ação generalizar-se, em breve tempo, teremos o bem implantado sobre o planeta. E isto propiciará a encarnação de Espíritos melhores ...


A nova geração
Para que os homens sejam felizes sobre a Terra, é necessário que ela seja povoada apenas por bons Espíritos encarnados e desencarnados, que apenas queiram o bem. Tendo chegado a tal ponto, uma grande emigração se realiza neste momento enntre os que a habitam, aqueles que praticam o mal pelo mal, e que o sentimento do bem não atinge, não sendo mais digno da Terra transformada, dela serão excluídos, porque eles lhe trariam novamennte perturbações e confusão, e seriam um obstáculo ao progresso. Irão expiar seu endurecimento, uns nos mundos inferiores, outros, em raças terrestres atrasadas, que serão equivalente a mundos inferiores, onde levarão seus conhecimentos adquiridos, e onde irão com a missão de as fazer progredir. Serão substituídos por Espíritos melhores, que farão reinar entre si a justiça, a paz, a fraternidade.
(A Gênese, de Allan Kardec, cap. XVIII)


Orson P. Carrara - Jornal O Semeador

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A IMPORTÂNCIA DO FLUÍDO VITAL

continuação da postagem anterior...
De acordo com a doutrina espírita, o princípio vital é um só para todos os seres orgânicos, todavia modificado segundo as espécies. É ele que lhes dá movimento e atividade e os distingue da matéria inerte.

Os espíritos explicam que o conjunto dos órgãos corporais constitui uma espécie de mecanismo que recebe impulsão desse princípio. Quando os seres orgânicos morrem a matéria inerte se decompõe e volta para a natureza, enquanto que o princípio vital retorna à massa de onde saiu.

Segundo essas explicações, o fenômeno da morte funciona da seguinte forma:
Cada um dos órgãos dos seres vivos se impregna, por assim dizer, desse fluido vital que dá, a todas as partes do organismo, uma atividade que as põe em comunicação entre si e normaliza as funções momentaneamente perturbadas. Mas quando os elementos essenciais, à atividade normal dos órgãos, estão destruídos, ou muito profundamente alterados, o fluido vital se torna impotente para transmitir o movimento da vida, e o ser morre.

Portanto, a manutenção da harmonia do funcionamento do organismo pelo fluido vital, garante a saúde.
Dizem os espíritos que "os corpos orgânicos são, assim, uma espécie de pilhas ou aparelhos elétricos nos quais a atividade do fluido determina o fenômeno da vida. A cessação dessa atividade causa a morte" (O Livro dos Espíritos).

A vida orgânica dos seres é mantida pela absorção do fluido vital. Mas a quantidade dele não é absoluta em todos os seres orgânicos.
 "Varia segundo as espécies e não é constante, quer em cada indivíduo, quer nos indivíduos de uma espécie. Alguns há, que se acham, por assim dizer, saturados desse fluido, enquanto os outros o possuem em quantidade apenas suficiente. Daí, para alguns, vida mais ativa, mais tenaz e, de certo modo, superabundante" (O Livro dos Espíritos).

Por outro lado, a quantidade de fluido vital pode se esgotar. Para que ela não se torne insuficiennte para a conservação da vida, precisa ser renovada por sua absorção e assimilação.
Os seres orgânicos são sociais. Formam grupos que convivem entre si. Assim, não é somente pelos alimentos que absorvem o fluido vital. "Ele também se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tiver em maior porção pode dá-lo a um que o tenha de menos e em certos casos prolongar a vida prestes a extinguir-se".

Essa característica explica diversos fenômenos de súbita recuperação de um doente, quando os familiares se reúnem dando a ele o fluido vital necessário para recuperar a sua vitalidade.

O conhecimento do princípio vital permite que compreendamos uma definição mais completa das três partes do ser humano, oferecida na introdução de O Livro dos Espíritos.

1ª - O corpo ou ser material análogo aos animais é animado pelo mesmo princípio vital.
2ª - A alma ou ser imaterial: espírito encarnado no corpo.
3ª - O laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o espírito: o perispírito.
Para agir no mundo físico, caracterizando o fenômeno da vida orgânica, é preciso estar envolvido pelo princípio vital.

 É por isso que os espíritos, em O Livro dos Médiuns, afirmam: "O fluido vital, indispensável a produção de todos os fenômenos mediúnicos, é apanágio exclusivo do encarnado e que, por conseguinte, o espírito operador fica obrigado a se impregnar dele".

Os espíritos desencarnados só podem agir em nosso mundo físico com o auxílio dos médiuns. É o único meio. E isso se explica pelo conceito do princípio vital.

Macedo Sarra - Revista Universo Espírita

quarta-feira, 8 de junho de 2011

QUEM DÁ A VIDA AOS SERES ORGÂNICOS.


"ALÉM DAS FORÇAS ELETROMAGNÉTICAS, GRAVITACIONAL E ATÔMICA, EXISTE OUTRA AINDA DESCONHECIDA PELA CIÊNCIA: O PRINCÍPIO VITAL.
ELE MANTÉM A VIDA DE TODOS OS SERES."
Uma das mais importantes definições espíritas é sobre a natureza do homem. Em nosso atual estágio evolutivo estamos nos libertando das amarras instintivas da animalidade enquanto aprendemos a lidar com as nossas potências latentes, num processo de conscientização espiritual. Um dia participaremos das tarefas espirituais, libertos da matéria, auxiliando a Deus na constante transformação do Universo.

Na sua essência, o ser humano é um espírito imortal e imaterial. O Espiritismo, no entanto, não torna a alma material quando lhe dá dois envoltórios, em vez de apenas um, durante a vida corpórea.

"Há no homem três coisas:
  1. Alma ou espírito: princípio inteligente.
  2. O corpo: envoltório material.
  3. E o perispírito: envoltório fluídico semi-material, servindo de laço entre o espírito e o corpo.
Quando o envoltório físico morre, a alma se liberta conservando seu corpo fluídico: perispírito.
Portanto, este é o corpo constante inseparável do espírito, enquanto o invólucro físico é transitório, perecível e mortal.
O perispírito é bastante conhecido por aqueles que se iniciam nos estudos do Espiritismo.

Um outro importante conceito, no entanto, é menos divulgado: o princípio vital.
Os Espíritos da Codificação explicam que ele é uma força natural que animaliza, ou dá vida à matéria. Todos os seres vivos o absorvem, e o assimilam, para se manterem vivos.
O princípio vital, assim como a eletricidade, magnetismo, e outras forças naturais, é uma transformação especial do fluido cósmico universal, formador de toda matéria.

Vemos no Livro dos Espíritos que esse princípio "é, sem dúvida um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas que também tem sua origem na matéria universal modificada. É para vós, um elemento, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são "elementos primitivos". Pois que tudo isso deriva de um só princípio cósmico universal.
Na história do conhecimento humano o princípio vital já foi imaginado, estudado e experimentado por filósofos e cientistas como Paracelso, Mesmer, Puységur, Hahnemman, os médicos do século 18, os professores da faculdade de Montpellier e muitos outros. Recebeu o nome de magnetismo animal, eletricidade animal, energia vital e fluido vital, termo adotado por Allan Kardec.

*continua na próxima postagem.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

ENTENDENDO A INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS

Allan Kardec, no "O Livro dos Espíritos", Capítulo IX - Intervenção dos Espíritos no Mundo Corpóreo -, esclareceu-nos o seguinte a respeito das influências ocultas que os Espíritos exercem sobre os homens.


Estamos rodeados incessantemente pelos Espíritos (questão 456);


Não conseguimos ocultar deles nem nossos atos, nem nossos pensamentos (questão 457);


Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e sobre as nossas ações bem mais do que supomos, chegando mesmo, frequentemente, a nos dirigir (questão 459);


Os Espíritos bons nos aconselham sempre para o bem (questão 464);


Os Espíritos imperfeitos nos induzem para o mal com vistas a nos fazerem sofrer como eles sofrem (questão 465);


Nós podemos neutralizar as influências dos maus Espíritos fazendo o bem, colocando a confiança em Deus e guardando-nos de escutar as suas más sugestões (questão 469);


Os bons Espíritos simpatizam-se conosco, quando somos homens de bem ou somos suscetíveis de melhorar. Já os Espíritos inferiores sentem simpatia pelos homens viciosos ou que podem viciar-se (questão 484);


Nós contamos sempre com a proteção e a ajuda dos Anjos da Guarda e dos Espíritos protetores, familiares ou simpáticos, quando trilhamos os caminhos do bem (questões 489 a 524);


Os Espíritos agem sobre a matéria e sobre os acontecimentos da vida. Eles têm o podes de agir sobre a realização das coisas, mas nunca agem fora das leis naturais, nem as derrogam (questões 525 a 531);


Os bons Espíritos respeitam o livre-arbítrio das pessoas, deixando que elas mesmas evitem muitos males ou atenuem as suas consequências. Assim, eles procuram assistir aquelas pessoas que sabem cuidar de si próprias, dentro do conceito "Buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á" (questão 532);


Aquele que deseja cometer uma ação má, pelo simples fato de o querer fazer, chama em seu auxílio os maus Espíritos, ficando, então, obrigado a servi-los em retribuição ao auxílio que eles prestaram. Os maus Espíritos necessitam também do homem mau para fazer o mal que desejam realizar (questão 449);


Algumas pessoas têm um poder magnético muito grande, com o qual podem fazer mau uso, se o seu próprio Espírito for mau. Neste caso, essas pessoas poderão ser secundadas por maus Espíritos (questão 552);


Todas as fórmulas ou práticas para tentar controlar a vontade dos Espíritos são charlatanices, porque não há nenhuma palavra sacramental, nenhum signo cabalístico, nenhum talismã, nem atos que tenham qualquer domínio sobre os Espíritos. Estes só são atraídos pelo pensamento e não pelas coisas materiais (questões 553 a 555);


Certas pessoas têm realmente o dom de curar por simples contato porque o poder magnético que elas possuem pode chegar até isso, quando elas estão movidas pela pureza de sentimentos e por um ardente desejo de fazer o bem. Então, os bons Espíritos vêm em auxílio delas (questão 556).


Com esses ensinamentos de Allan Kardec e dos Espíritos superiores foram desvendadas as influências e as ações ocultas que os Espíritos exercem sobre as pessoas e as coisas materiais.

O Livro dos Espíritos
Allan Kardec

segunda-feira, 2 de maio de 2011

SIMPATIAS E ANTIPATIAS TERRENAS E/OU NO MUNDO ESPIRITUAL

1 - COMO SE EXPLICA A SIMPATIA E ANTIPATIA À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA?

RESP.: Frequentemente durante a romagem terrena, dois seres sentem-se naturalmente atraídos um pelo outro, em circunstâncias aparente fortuitas; ou inversamente, a sensação que surge é de antipatia e rejeições. Estes personagens não se reconhecem, porém esta primeira impressão é resultante de encarnações anteriores, cujas experiências felizes ou desgradáveis emergem da memória espiritual de cada um.


2 - A AFEIÇÃO QUE DOIS SERES MANTIVERAM NA TERRA PROSSEGUE SEMPRE, NO MUNDO DOS ESPÍRITOS?

RESP.: Sim, sem dúvida, se ela se baseia numa verdadeira simpatia; mas se as causas de ordem física tiveram maior influência que a simpatia, ela cessa com as causas. As afeições entre os Espíritos são mais sólidas e mais duráveis que na Terra, porque não estão subordinadas ao capricho dos interesses materiais e do amor-próprio.


3 - AS ALMAS QUE DEVEM UNIR-SE ESTÃO PREDESTINADAS A ESSA UNIÃO, DESDE A SUA ORIGEM, E CADA UM DE NÓS TEM EM ALGUMA PARTE DO UNIVERSO "A SUA METADE", À QUAL UM DIA SE UNIRÁ FATALMENTE?

RESP.: Não; não existe união particular e fatal entre duas alma. A união existe entre todos os Espíritos, mas em graus diferentes, segundo a ordem que ocupam, a perfeição que adquiriram: quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males humanos; da concórdia resulta a felicidade completa.


4 - DOIS ESPÍRITOS PERFEITAMENTE SIMPÁTICOS, QUANDO REUNIDOS, FICARÃO ASSIM PELA ETERNIDADE, OU PODEM SEPARAR-SE E UNIR-SE A OUTROS ESPÍRITOS?

RESP.: Todos os Espíritos são unidos entre si. Falo dos que já atingiram a perfeição. Nas esferas inferiores, quando um Espírito se eleva, já não tem a mesma simpatia pelos que deixou.


5 - DOIS ESPÍRITOS SIMPÁTICOS SÃO COMPLEMENTO UM DO OUTRO, OU ESSA SIMPATIA É O RESULTADO DE UMA AFINIDADE PERFEITA?

RESP.: A simpatia que atrai um Espírito para outro é o resultado da perfeita concordância de suas tendências, de seus instintos, se um devesse completar o outro, perderia a sua individualidade.


6 - A AFINIDADE NECESSÁRIA PARA A SIMPATIA PERFEITA CONSISTE APENAS NA SEMELHANÇA DOS PENSAMENTOS E SENTIMENTOS,OU TAMBÉM NA UNIFORMIDADE DOS CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS?

RESP.: Na igualdade dos graus de elevação.


7 - OS ESPÍRITOS QUE HOJE NÃO SÃO SIMPÁTICOS, PODEM SÊ-LO MAIS TARDE?

RESP.: Sim, todos o serão. Assim, o Espírito que está hoje numa determinada esfera inferior, quando se aperfeiçoar, chegará à esfera em que se encontra o outro. Seu encontro se realizará mais prontamente, se o Espírito mais elevado, suportando mal as provas a que se submetera, tiver permanecido no mesmo estado.


8 - DOIS ESPÍRITOS SIMPÁTICOS PODEM DEIXAR DE SÊ-LO?

RESP.: Certamente, se um deles é preguiçoso.


9 - DOIS SERES QUE SE CONHECERAM E SE AMARAM, PODEM ENCONTRAR-SE NOUTRA EXISTÊNCIA CORPÓREA E SE RECONHECEREM?

RESP.: Reconhecerem-se, não, mas serem atraídos um pelo outro, sim; e frequentemente as ligações íntimas, fundadas numa afeição sincera, não provêm de outra causa. Dois seres se aproximam um do outro por circunstâncias aparentemente fortuitas, mas que são o resultado da atração de dois Espíritos que se buscam na multidão.


10 - NÃO SERIA MAIS AGRADÁVEL PARA ELES SE RECONHECEREM?

RESP.: Nem sempre. A recordação das existências passadas teria inconvenientes maiores do que pensais. Após a morte, eles se reconhecerão e saberão em que tempo estiveram juntos.


11 - A SIMPATIA TEM SEMPRE POR MOTIVO UM CONHECIMENTO ANTERIOR?

RESP.: Não; dois espíritos que tenham afinidades se procuram naturalmente, sem que se haja conhecido como encarnados.


12 - OS ENCONTROS QUE SE DÃO ALGUMAS VEZES ENTRE CERTAS PESSOAS, E QUE SE ATRIBUEM AO ACASO, NÃO SERIAM EFEITO DE UMA ESPÉCIE DE RELAÇÃO SIMPÁTICA?

RESP.: Há, entre os seres pensantes, ligações que ainda não conheceis. O magnetismo é a bússola dessa ciência, que mais tarde compreendereis melhor.


13 - DE ONDE VEM A REPULSA INSTINTIVA QUE SE EXPERIMENTA POR CERTAS PESSOAS, À PRIMEIRA VISTA?

RESP.: Espíritos antipáticos, que se percebem e se reconhecem, sem se falarem.


14 - A ANTIPATIA INSTINTIVA É SEMPRE UM SINAL DE NATUREZA MÁ?

RESP.: Dois Espíritos não são necessariamente maus, pelo fato de não serem simpáticos. A antipatia pode originar-se de uma falta de similitude do modo de pensar. Mas, à medida que eles se elevam, os matizs se apagam e a antipatia desaparece.


15 - COMO DEVEMOS ENTENDER A SIMPATIA E A ANTIPATIA?

RESP.: A simpatia ou a antipatia têm as suas raízes profundas no espírito, na sutilíssima entrosagem dos fluidos peculiares a cada um e, quase sempre, de modo geral, atestam uma renovação de sensações experimentadas pela criatura, desde o pretérito delituoso, em iguais circunstâncias. Devemos, porém, considerar que toda antipatia, aparentemente a mais justa, deve morrer para dar lugar à simpatia que edifica o coração para o trabalho construtivo e legítimo da fraternidade.


16 - PODEREMOS OBTER UMA DEFINIÇÃO DA AMIZADE?

RESP.: Na gradação dos sentimentos humanos, a amizade sincera é bem o oásis de repouso para o caminheiro da vida, na sua jornada de aperfeiçoamento. Nos trâmites da Terra, a amizade leal é a mais formosa modalidade do amor fraterno, que santifica os impulsos do coração nas lutas mais dolorosas e inquietantes da existência. Quem sabe ser amigo verdadeiro é, sempre, o emissário da ventura e da paz, alistando-se nas fileiras dos discípulos de Jesus, pela iluminação natural do espírito que, conquistando as mais vastas simpatias entre os encarnados e as entidades bondosas do Invisível, sabe irradiar por toda parte as vibrações dos sentimento purificadores. Ter amizade é ter coração que ama e esclarece, que compreende e perdoa, nas horas mais amargas da vida. Jesus é o Divino Amigo da Humanidade. Saibamos compreender a sua afeição sublime e transformaremos o nosso ambiente afetivo num oceano de paz e consolação perenes.


Comunidade Espírita.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

ATIVIDADE NOTURNA DO ESPÍRITO (DESDOBRAMENTO)

Durante o sono o Espírito desprende-se do corpo; devido aos laços fluídicos estarem mais tênues. A noite é um longo período em que está livre para agir noutro plano de existência. Porém, variam os graus de desprendimento e lucidez. Nem todos se afastam do seu corpo, mas permanecem no ambiente doméstico; temem fazê-lo, sentir-se-iam constrangidos num meio estranho (aparentemente).

Outros movimentam-se no plano espiritual, mas suas atividades e compressões dependem do nível de elevação. O princípio que rege a permanência fora do corpo é o da afinidade moral, expressa, conforme a explanação anterior, por meio da afinidade vibratória ou sintonia.

O espírito será atraído para regiões e companhias que estejam harmonizadas e sintonizadas com ele através das ações, pensamentos, instruções, desejos e intenções, ou seja, impulsos predominantes. Podendo assim, subir mais ou se degradar mais.

O lúbrico terá entrevistas eróticas de todos os tipos, o avarento tratará de negócios grandiosos (materiais) e rendosos usando a astúcia. A esposa queixosa encontrará conselhos contra o seu marido, e assim por diante. Amigos se encontram para conversas edificantes, inimigos entram em luta, aprendizes farão cursos, cooperadores trabalharão nos campos prediletos, e, assim, caminhamos.

Para esta maravilhosa doutrina, conforme tais considerações, o sonho é a recordação de uma parte da atividade que o espírito desempenhou durante a libertação permitida pelo sono. Segundo Carlos Toledo Rizzini, interpretação freudiana encara o sonho como apontando para o passado, revelando um aspecto da personalidade.

Para o Espiritismo, o sonho também satisfaz impulsos e é uma expressão do estilo de vida, com uma grande diferença: a de não se processar só no plano mental, mas ser uma experiência genuína do espírito que se passa num mundo real e com situações concretas. Como vimos, o espírito, livre temporariamente dos laços orgânicos, empreende atividades noturnas que poderão se caracterizar apenas por satisfação de baixos impulsos, como também, trabalhar e aprender muito. Nesta experiência fora do corpo, na oportunidade do desprendimento através do sono, o ser, poderá ver com clareza a finalidade de sua existência atual, lembrar-se do passado, entrevê o futuro, todavia a amplitude ou não dessas possibilidades é relativa ao grau de evolução do espírito.

Verifiquemos três questões do Livro dos Espíritos, no capítulo VIII, perguntas: 400, 401 e 403.

P-400 “O Espírito encarnado permanece de bom prazer no seu corpo material?

- É como se perguntasse a um presidiário, se gostaria de sair do presídio. O espírito aspira sempre à sua libertação e tanto mais deseja ver-se livre do seu invólucro, quanto mais grosseiro é este.

P-401 “Durante o sono a alma repousa como o corpo?

- Não, o espírito jamais está inativo. Durante o sono, afrouxam-se os laços entre corpo e espírito e, ele se lança pelo espaço e entra em relação com os outros espíritos sintonizados por ele.

P-403 “Como podemos julgar a liberdade do espírito, durante o sono?

- Pelos sonhos.

O sono liberta parcialmente a alma do corpo, quando adormecido o espírito se acha no estado em que fica logo a morte do seu corpo.

O sonho é a lembrança do que o espírito viu durante o sono. Podemos notar, que nem sempre sonhamos. Mas, o que isso quer dizer?

Que nem sempre nos lembramos do que vimos, ou de tudo o que havemos visto, enquanto dormimos. É que não temos ainda a alma no pleno desenvolvimento de suas faculdades. Muitas vezes somente nos fica a lembrança da perturbação que o nosso Espírito experimentou.

Graças ao sono os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos. As manifestações, que se traduzem muitas vezes por visões e até mesmo, “assombrações” mais comuns se dão durante o sono, por meio dos sonhos. Elas podem ser: uma visão atual das coisas, futuras, presentes ou ausentes; uma visão do passado e, em alguns casos excepcionais, um pressentimento do futuro. Também muitas vezes são quadros alegóricos que os Espíritos nos põem sob as vistas, para dar-nos úteis avisos e salutares conselhos, se se trata de Espíritos bons, e para induzir-nos ao erro, à maledicência, às paixões, se são Espíritos imperfeitos.

O sonho é uma expressão da vida real da personalidade.
O espírito procura atender a desejos e intenções inconscientes e conscientes durante esse tempo de liberdade temporária. Conforme o grau, tipo de sintonia e harmonia gerada pela afinidade moral com outros Espíritos, direciona-se automaticamente para a parte do mundo espiritual que melhor satisfaça essa sintonia e suas metas e objetivos, ainda que não lícitos; e aí conta com amigos, sócios, inimigos, desafetos, parentes, “mestres” etc.

Contamos ainda com mais dois tipos de sonhos.

O primeiro é o premonitório, quando se toma algumas informações ou conselhos sobre algum acontecimento futuro.
O segundo é o pesadelo, ou seja, o sonho ansioso, em que entra o terror. É também uma experiência real, porém, penosa; o sonhador vê-se pressionado por inimigos ou por animais monstruosos, tem de atravessar zonas tenebrosas, sofrer castigos, que de fato são vivências provocadas por agentes do mal ou por desafetos desta ou de outras vidas.

Preparação para o Sono
Verificando o lado físico da questão, vamos ver a importância do sono, pelo fato de passarmos 1/3 de nosso dia dormindo, nesta atividade o corpo físico repousa e liberta toxinas.

Para o lado espiritual, o espírito liga-se com os seus amigos e intercambia informações, e experiências.

Façamos um preparo para o nosso repouso diário:

Orgânico – refeições leves, higiene, respiração moderada, trabalho moderado, condução de nosso corpo quanto a postura sem extravagâncias.

Mental Espiritual - leituras edificantes, conversas salutares, meditação, oração, serenidade, perdão, bons pensamentos.

Todavia não nos esqueçamos que toda prece se fortifica com atos voltados ao bem, pois então, atividades altruístas possibilitam uma melhor afinidade com os bons espíritos.

Aluney Elferr Albuquerque Silva
Portal do Espírito

quarta-feira, 6 de abril de 2011

FATALIDADE E DESTINO

Fatalidade para Aurélio Buarque de Holanda é a qualidade de fatal. E fatal é o determinado, o marcado, o fixado pelo destino. Mas eu pergunto, será que a nossa vida está predeterminada? Que o nosso destino está traçado?

Em “O livro dos Espíritos” nós lemos “A fatalidade, como vulgarmente é entendida, supõe a decisão prévia e irrevogável de todos os acontecimentos da vida, qualquer que seja a sua importância. Se assim fosse, o homem seria uma máquina destituída de vontade”.

Por que pensemos, se tudo já estivesse escrito ninguém seria responsável por falta alguma e nem tão pouco teria mérito por coisa nenhuma, tudo seria obra do acaso, o que é inadmissível. Por que tudo nos leva a crer que não existe acaso.

A espiritualidade diz na questão 851 também de “O livro dos Espíritos” que “A fatalidade não existe senão para a escolha feita pelo espírito, ao encarnar-se, de sofrer esta ou aquela prova; ao escolhê-la, ele traça para si mesmo uma espécie de destino, que é a própria consequência da posição em que se encontra”.

É por isso que na verdade fatalidade não é uma palavra vã, ela existe no gênero de existência que nós escolhemos como prova, expiação ou missão. Porém com o nosso livre arbítrio temos a liberdade de alterarmos, aproveitando ou não estas escolhas feitas na espiritualidade.

Também é verdade que existem escolhas quase impossíveis de serem alteradas, as doenças congênitas, por exemplo. Todavia mesmo assim nós podemos aproveitar ou não estas provas, expiações ou missões.

Fatal só o fato de que vamos um dia biologicamente morrer, por que todo o resto, a cada momento estamos transformando, reescrevendo. O destino é quase sempre a consequência de nossas atitudes mentais e comportamentais.

Esse raciocínio está reforçado em “O Livro dos Espíritos” quando a espiritualidade diz: “ Não acrediteis, porém, que tudo que acontece esteja escrito como se diz. Um acontecimento é quase sempre a consequência de uma coisa que fizeste por um ato de tua livre vontade, de tal maneira que, se não tivésseis praticado aquele ato, o acontecimento não se verificaria”. Por

Por isso quando algo está dando errado é porque nós tomamos o caminho errado se mudarmos o caminho mudaram também os resultados.

A espiritualidade nos ensina a ver nos acontecimentos negativos e perturbadores muito mais que fatalidade, mas, o fruto de nossas escolhas equivocadas, não só de outras encarnações mais também, de agora. E nos acontecimentos bons e positivos, muito mais que predestinação, e sim, o acerto nas escolhas e retidão nas atitudes.

Os espíritos nos ensinam que por mais difíceis que se apresentem as situações, nós somos senhores dos nossos destinos, que podemos com o nosso livre arbítrio alterarmos as nossas escolhas para trazermos o melhor para nossa existência, sabendo que mais evolui quem melhor aproveita as oportunidades.

Diz Divaldo Franco: “Você é, o que fez de si, mas você será o que faça de você”. Reflita...


João Antonio Ferreira da Silva

terça-feira, 1 de março de 2011

A PROGRESSÃO DOS ESPÍRITOS


O progresso da Humanidade constitui um dos princípios do Espiritismo. Todos os Espíritos, afirmam os imortais, chegarão um dia à perfeição, informação da mais alta importância que podemos colher nas questões seguintes d’ O Livro dos Espíritos, principal obra da Codificação Kardequiana:

116. Haverá Espíritos que se conservem eternamente nas ordens inferiores?
"Não; todos se tornarão perfeitos. Mudam de ordem, mas demoradamente, porquanto, como já doutra vez dissemos, um pai justo e misericordioso não pode banir seus filhos para sempre. Pretenderias que Deus, tão grande, tão bom, tão justo, fosse pior do que vós mesmos?"

117. Depende dos Espíritos o progredirem mais ou menos rapidamente para a perfeição?
"Certamente. Eles a alcançam mais ou menos rápido, conforme o desejo que têm de alcançá-la e a submissão que testemunham à vontade de Deus. Uma criança dócil não se instrui mais depressa do que outra recalcitrante?"

118. Podem os Espíritos degenerar?
"Não; à medida que avançam, compreendem o que os distanciava da perfeição. Concluindo uma prova, o Espírito fica com a ciência que daí lhe veio e não a esquece. Pode permanecer estacionário, mas não retrograda."
Como a Humanidade é constituída dos Espíritos encarnados, progredindo estes ela também progride e, da mesma forma que os Espíritos não podem degenerar, ela segue sempre para a frente, num curso evolutivo que um dia determina a modificação do próprio orbe que habita, motivo pelo qual Jesus declarou que os mansos herdariam a Terra e, quando o final dos tempos chegar, o Evangelho será ensinado em todos os lugares.
Foi a ignorância do homem e a sua incompreensão dos reais valores da vida que fizeram com que a Ciência e a Religião jamais se entendessem. Com o advento das luzes, é evidente que ambas – a Ciência e a Religião – se darão as mãos, não mais estarão em campos opostos e, unidas pelo mesmo ideal, determinarão na sociedade terráquea transformações que não temos a capacidade de prever.