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sexta-feira, 1 de julho de 2011

PRECE AO CRIADOR

Pai, em todas as coisas que vos pedimos, faça-se a vossa vontade e não a nossa, por saberdes, melhor do que nós, o que nos convém para nosso adiantamento moral e felicidade futura.


Meu Deus, permiti que os bons Espíritos me assistam, me auxiliem nas aflições da vida e me arranquem da dúvida. Fazei, Senhor, que, por vossa misericórdia, eles me inspirem a fé, o amor e a caridade; que sejam para mim um apoio, uma esperança e uma prova da vossa paternal solicitude.


Permiti, enfim, que eu encontre sempre junto deles salutares confortos e a necessária luz para que as forças não me faltem nas provas da vida e, resistindo às sugestões do mal, meus passos se firmem na prática do bem e da caridade, e assim eu possa e saiba amar-vos e ao próximo como a mim mesmo.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

AS BOAS AÇÕES CONSTITUEM A MELHOR PRECE

Nas questões 658 a 666 de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, os imortais fizeram revela-ções importantes a respeito da prece. Eis sinteticamente o que eles nos ensinam:

1) A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração. É, assim, preferível ao Senhor a prece vinda do íntimo à oração lida, por mais bela que seja, se for lida mais com os lábios do que com o coração.
2) A prece é um ato de adoração, com o qual podemos propor-nos três coisas: louvar, pedir, a-gradecer.
3) A prece torna melhor o homem, porque aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo.
4) O essencial não é orar muito, mas orar bem. Existem pessoas, no entanto, que supõem que todo o mérito está na longura da prece e fecham os olhos para os seus próprios defeitos. Essas criaturas fazem da prece uma ocupação, um emprego do tempo, nunca um estudo de si mesmas.
5) Podemos pedir a Deus que nos perdoe as faltas, mas só obteremos o perdão mudando de pro-ceder, porque as boas ações são a melhor prece e os atos valem mais que as palavras.
6) As provas por que passamos estão nas mãos de Deus e há algumas que têm de ser suportadas até o fim; mas Deus leva sempre em conta a resignação. A prece traz para junto de nós os bons Espíritos, que nos dão a força de suportá-las corajosamente.
7) A prece nunca é inútil, quando bem feita, porque fortalece aquele que ora.
8) A prece não pode ter por efeito mudar os desígnios de Deus, mas a alma por quem oramos ex-perimenta alívio e sente sempre um refrigério quando encontra pessoas caridosas que se compadecem de suas dores.
9) Pode-se orar pelos Espíritos e aos bons Espíritos, porque estes são os mensageiros de Deus e os executores de suas vontades. O poder deles está, porém, relacionado com a superioridade que tenham alcançado e dimana sempre do Senhor, sem cuja permissão nada se faz.

(Thiago Bernardes)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A ORAÇÃO É UMA FORÇA EM NOSSA VIDA

A mais bela prece da literatura Espírita


Todas as pessoas, salvo uma ou outra exceção, formulam preces de pedido, mas são poucos os que sabem realmente orar e, por isso, pedem às vezes o que não se deve.
Não devemos pedir, por exemplo, o afastamento da dor, mas as forças e a compreensão para suportá-la.

Emmanuel nos dá, a propósito disso, em "Recados do Além", um modelo extraordinário de prece de pedido:

"Jesus! Reconheço que a Tua vontade é sempre o melhor para cada um de nós; mas se me permi-tes algo pedir-Te, rogo me auxilies a ser uma bênção para os outros."

Outro exemplo notável de prece de pedido é esta, muito utilizada pelos voluntários do C.V.V. – Centro de Valorização da Vida, com o nome de Oração da Serenidade, de autoria desconhecida:

"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modifi-car; coragem para modificar aquelas que podemos, e sabedoria para distinguir umas das outras."

A prece feita por Estêvão, o mártir do Cristianismo - Várias preces são conhecidas e enalteci-das por sua beleza e profundidade.
A Oração Dominical, modelo de concisão, diz tudo o que precisamos dizer numa prece.
A Oração de São Francisco de Assis e a prece de Cáritas, também.
Mas, é impressionante a beleza da prece que Abigail fez na agonia e morte de seu pai Jochedeb e, depois, de seu irmão Estêvão ("Paulo e Estêvão", págs. 42 e 162), beleza que advém não só da poesia, mas da elevação e robustez de sentimentos de que a prece se reveste:

"Senhor Deus, pai dos que choram,
Dos tristes, dos oprimidos
Fortaleza dos vencidos,
Consolo de toda a dor,
Embora a miséria amarga
Dos prantos de nosso erro,
Deste mundo de desterro,
Clamamos por vosso amor!
Nas aflições do caminho,
Na noite mais tormentosa
Vossa fonte generosa
É o bem que não secará...
Sois, em tudo, a luz eterna
Da alegria e da bonança
Nossa porta de esperança
Que nunca se fechará.
Quando tudo nos despreza
No mundo da iniqüidade,
Quando vem a tempestade
Sobre as flores da ilusão!
Ó Pai, sois a luz divina,
O cântico da certeza,
Vencendo toda aspereza,
Vencendo toda aflição.
No dia da nossa morte,
No abandono ou no tormento,
Trazei-nos o esquecimento
Da sombra, da dor, do mal!
Que nos últimos instantes,
Sintamos a luz da vida
Renovada e redimida
Na paz ditosa e imortal".
Para quem ainda não leu o livro “Paulo e Estêvão”, de Emmanuel, lembramos que Abigail, irmã de Estêvão, estava praticamente noiva de Saulo de Tarso quando assistiu o querido irmão nos derradeiros momentos de sua existência, após o apedrejamento que o levou à morte.
O fato ocasionou o rompimento da relação com Saulo, que mais tarde teria seu nome inscrito na história do Cristianismo como Paulo de Tarso, o Apóstolo dos Gentios.


(Thiago Bernardes)
continuação...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A ORAÇÃO É UMA FORÇA EM NOSSA VIDA...

E PODE TORNAR MELHOR A HUMANIDADE.

A principal obra da doutrina espírita dedica um capítulo especial à lei de adoração e à prece, definindo esta como um legítimo ato de adoração ao Criador da vida, o qual tem para nós, seres humanos, uma importância muito grande e bem superior à que geralmente imaginamos.

“Orar a Deus – ensina o Espiritismo – é pensar n’Ele; é aproximar-se d’Ele; é pôr-se em comunicação com Ele.” (“O Livro dos Espíritos”, item 659.)

Ensinada por Jesus e pelos Espíritos Superiores, a prece é uma manifestação da alma em busca da Presença Divina ou de seus prepostos; é uma conversa com o Criador ou com seus emissários e, por isso, deve ser despida de todo e qualquer formalismo.
A prece não pode ser paga, porque “é um ato de caridade, um lance do coração".
A prece deve ser secreta, não precisa ser longa e deve ser antecedida do ato do perdão.
A prece deve ser espontânea, objetiva, robusta de sentimentos elevados, que precisam ser cultivados sempre, porque não aparecem como por encanto só nos momentos de oração.


Requisitos da prece
A forma da prece nada vale, mas sim o conteúdo. A atitude daquele que ora é íntima, eminentemente espiritual.
Atitudes convencionais, posição externa e rituais são vestes dispensáveis ao ato de orar.
Pela força do pensamento, após estarmos concentrados, procuramos traduzir nossa vontade com o melhor dos nossos sentimentos por uma prece, que não deve ser formulada segundo um esquema pré-fabricado.
A prece deve traduzir o que realmente estamos sentindo, pensando e querendo naquele momento, de uma forma precisa, sem que isso constitua uma repetição de termos que, na maioria das vezes, são ininteligíveis para quem os profere.
"A prece deve ser o primeiro ato no nosso retorno às atividades de cada dia e, por isso, precisa ser cultivada diariamente."

O Espírito de Monod assim o recomenda expressamente em lição constantes do capítulo 27, item 22, de "O Evangelho segundo o Espiritismo".

O exemplo da prece do fariseu e a do publicano, narrado no Evangelho, é expressivo e mostra que a humildade e a sinceridade são requisitos fundamentais na oração.
O outro requisito essencial é o esquecimento e o perdão que devemos conceder aos que nos tenham prejudicado. Jesus recomenda reconciliar-nos com os adversários, antes de orarmos.


Mecanismo e tipos de prece
O mecanismo da prece é este: estamos engolfados no fluido universal que ocupa o espaço. Esse fluido, que é o veículo do pensamento, recebe a impulsão da vontade.
Quando o pensamento é dirigido a um ser qualquer, na Terra ou no espaço, de um encarnado a um desencarnado, ou vice-versa, estabelece-se uma corrente fluídica que liga um e outro. É dessa maneira que os Espíritos podem ouvir-nos o apelo e transmitir, pelas vias do pensamento, sua resposta.
Como se sabe e a experiência comprova, os Espíritos podem não apenas ler, mas, de certa forma, ouvir nossos pensamentos. Não é preciso dizer que, com relação aos desencarnados, é vã toda tentativa de iludi-los, porque o que nos vai na alma não lhes pode ser ocultado.
Três coisas podemos fazer por meio da prece: louvar, pedir e agradecer (O Livro dos Espíritos, item 659).
Louvar é reconhecer e enaltecer a Deus por tudo o que Ele criou. Significa aceitar com alegria tudo o que nos rodeia, que, no tocante à participação do Senhor em nossa vida, é sempre justo, equilibrado e perfeito.
Exemplo de prece de louvor é o Salmo 23 de Davi:

"O Senhor é o meu Pastor,
Nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos,
Guia-me mansamente
A águas mui tranquilas.
Refrigera minh'alma,
Guia-me nas veredas da justiça
Por amor do seu nome.
Ainda que eu andasse
Pelo vale das sombras da morte,
Não temeria mal algum
Porque Tu estás comigo...
A tua vara e o teu cajado me consolam.
Preparas-me o banquete do amor.
Na presença dos meus inimigos,
Unges de perfume a minha cabeça..."
A prece nas reuniões espíritas
Allan Kardec nos ensina:
"É, sem dúvida, não apenas útil, porém necessário rogar, através de uma invocação especial, por uma espécie de prece, o concurso dos bons Espíritos. Essa prática predispõe ao recolhimento, condição especial a toda a reunião séria" ("Viagem Espírita em 1862", cap. XI, pág. 144).
No início e no término das reuniões espíritas fazemos a prece para que o ambiente espiritual seja favorável e tenhamos a presença de Espíritos elevados, que a prece atrai, o que será uma garantia de proteção contra o mal.
No decurso da sessão mediúnica, a oração será utilizada em benefício dos companheiros e dos Espíritos, pelo potencial de forças fluídicas que a prece consegue aglutinar.
O poder da prece.
A prece, contudo, será sempre mais poderosa se partir de uma alma elevada, de um Espírito de conduta ilibada, de uma criatura de bons sentimentos.
Há pessoas que, por haverem conseguido libertar-se das paixões animalizantes e dos interesses egoísticos da Terra, fazem de sua vida uma prece permanente.
A prece nelas é cultivada com naturalidade e eficiência extraordinária, enquanto que nós temos ainda que nos esforçar para que nossa rogativa atinja o objetivo colimado.
Despojados da ignorância e da perturbação que o mal engendra em nós, iremos aos poucos descobrindo que pela prece muita coisa pode ser conseguida em nosso benefício espiritual e das pessoas que nos cercam.
Entenderemos então que a prece é uma manifestação espontânea e pura da alma, e não apenas uma repetição formal de termos alinhados convencionalmente, como se fosse uma fórmula mágica para afastar o sofrimento e os problemas.

* continua na próxima postagem.
THIAGO BERNARDES
De Curitiba