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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mediunidade de Cura


Grupo de Estudos Espírita
Educação Mediúnica
04/02/13

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

ESTUDANDO O ESPIRITISMO

1 - O que é o Espiritismo?
Espiritismo é uma doutrina revela pelos espíritos superiores através de médiuns e codificados por Kardec. Ele veio mostrar a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo físico. Nos traz conceitos novos e profundos a respeito de Deus, do Universo, dos Homens, dos Espíritos e das leis que regem a vida. Nos faz ver quem somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e qual a razão da dor e do sofrimento.

2 – Como surgiu e em que circunstância?
O espiritismo surgiu motivado pelos fenômenos de movimentação de objetos, verificados em diferentes países, na Europa, na América e noutras partes do mundo.
O marco de tais acontecimentos, todavia, foram as manifestações ocorridas na aldeia de Hydesville, no condado de Wayne, perto de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. “Ali morava a família Fox, composta de três filhas, das quais duas viviam com os pais; os Fox estabeleceram-se na casa desde 1847”. Em 1850, na França, surgiu um tipo de brincadeira chamada "mesa falante" ou "mesa girante", que tomou conta dos salões festivos da época. Informam os historiadores que, nos anos de 1853 a 1855, as mesas girantes constituíam, em Paris, verdadeiro passatempo, sendo diversão quase obrigatória nas reuniões sociais. 1854 kardec começo a estudar o fenômenos.

Questão levantada: O Espiritismo sempre existiu?
Os fenômenos cujos estudos resultaram na estruturação da Doutrina Espírita não eclodiram apenas numa data determinada, embora como doutrina tenha surgido com a publicação d’O Livro dos Espíritos, em 18-4-1857. Os fenômenos espíritas sempre existiram durante toda história da humanidade. A bíblia está cheia de fenômenos mediúnicos
Procurar na bíblia: Rei Saul com a pitonisa: 1 Samuel 28:3-19, transfiguração 9:28 a 36; cura do menino possesso 9:37-43.

3 – Como se criou o corpo da doutrina?
Kardec comparecia às reuniões mediúnicas na condição de aluno atento e diligente.
Trazia as questões. Assim podemos dizer que a criação do corpo da doutrina que tem por base o Livro dos Espíritos, se deu por uma plêiade de Espíritos Superior, auxiliando Kardec na elaboração de uma doutrina de elevado potencial redentor, com um conteúdo de fácil entendimento.

4- Como foi a doutrina difundida pelo mundo?
Uma das maiores preocupações de Kardec com a nova doutrina era como ela poderia ser anunciada ao mundo.
Em 1858 fundou a sociedade parisiense de estudos espíritas e a revista espírita; avançada central de comunicações, mala direta, respondia cartas, difundia folhetos de mensagem.
Foi muito importante para a nova doutrina esse trabalho de divulgação que Kardec desenvolveu. Recebia muitos elogios e muitos desaforos, mesmo assim o número de assinantes da Revista Espírita crescia.
Ler a diálogo com um crítico – Livro O que é Espiritismo

Publicações
  • 1857- O livro do Espíritos
  • 1859- O que é o Espiritismo
  • 1861- O livro dos médiuns
  • 1862- O Espiritismo em sua expressão mais simples.
  •  1864 - O Evangelho Segundo o Espiritismo
  • 1865- O céu e o inferno
  • 1866 – ele esta doente, mas prossegue trabalhando escrevendo A Gênese.
  • 1868 – A Gênese
  • 1869 – ele desencarna
  • 1890 – Obras Póstumas
continua...

ATRIBUTOS DE DEUS

Significado de Atributo: s.m. O que é próprio, particular a um ser.

Não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus. Para compreendê-Lo, ainda nos falta o sentido próprio, que só se adquire por meio da completa depuração do Espírito, mas, se não pode penetrar na essência de Deus, o homem, desde que aceite como premissa a sua existência, pode, pelo raciocínio, chegar a conhecer-lhe os atributos necessários, porquanto, vendo o que ele absolutamente não pode ser, sem deixar de ser Deus, deduz daí o que ele deve ser.

Sem o conhecimento dos atributos de Deus, impossível seria compreender-se a obra da criação.
Esse é o ponto de partida de todas as crenças religiosas e é por não se terem reportado a isso, que a maioria das religiões errou em seus dogmas.
As que não atribuíram a Deus a onipotência imaginaram muitos deuses; as que não lhe atribuíram soberana bondade fizeram Dele cioso, colérico, parcial e vingativo.

Deus é a suprema inteligência - É limitada a inteligência do homem, pois que não se pode nem compreender tudo o que existe. A de Deus, abrangendo o infinito, tem que ser infinita e ilimitada.

Deus é eterno - Não teve começo e não terá fim. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada ou teria sido criado por outro ser anterior. Neste caso este ser é que seria Deus.

Deus é imutável - Se tivesse sujeito a mudanças nenhuma estabilidade teriam as leis que regem o Universo.

Deus é imaterial - Isto é, a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria.

Deus é único - Se muitos deuses houvesse, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo.

Deus é onipotente - Se não possuísse o poder supremo, sempre se poderia conceber algo mais poderoso ou tão poderoso quanto Ele.

Deus é soberanamente justo e bom - A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas menores coisas, assim como nas maiores.

Em resumo: Deus não pode ser Deus se não com a condição de não ser ultrapassado em nada por outro ente; pois, então, o verdadeiro Deus seria aquele que o ultrapassasse em qualquer assunto. Para que tal não se dê, é preciso que Ele seja infinito em todas as coisas.

Idéias Principais:
1. Não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus.
2. Sem o conhecimento dos atributos de Deus, impossível seria compreender-se a obra da criação.
3. Na impotência que se encontra o homem de compreender a própria essência da Divindade, não pode fazer dela senão uma idéia aproximada.
4. A sabedoria providencial das leis divinas se revela em todas as coisas, o que nos permite não duvidar da Justiça nem da Bondade de Deus.

Fontes Complementares:
- O Livro dos Espíritos. Allan Kardec - questões 10 a 13.
- A Gênese. Allan Kardec - cap. 2, itens 8 a 19.
- Caminho, Verdade e Vida. Francisco Cândido Xavier/Emmanuel - cap. 74.
- Justiça Divina. Francisco Cândido Xavier/Emmanuel - cap. Infinito Amor, Sabes Disso, Lei do Mérito.
- Nas Pegadas do Mestre. Vinícius - cap. Pai perdoa-lhes, Pai Nosso, O nosso Deus, Justiça e Misericórdia.
- Lampadário Espírita. Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis - cap. 2.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

COMO ESTUDAR A DOUTRINA ESPÍRITA

Ninguém, pois, se iluda: o estudo do Espiritismo é imenso; interessa a todas as questões da metafísica e da ordem social; é um mundo que se abre diante de nós. Será de admirar que o efetuá-lo demande tempo, muito tempo mesmo? (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos ¹, introdução).

Apropriar-se dos conhecimentos elaborados e difundidos pela Humanidade, sejam quais forem, implica dedicação, num esforço contínuo de cada um. Implica também uma troca, seja num contexto pessoal ou por meio de materiais, como livros, vídeos, apostilas, etc.
Kardec, na Introdução do Livro dos Espíritos, afirmou: "estes estudos requerem atenção demorada, observação profunda e, sobretudo, como aliás o exigem todas as ciências humanas, continuidade e perseverança. Anos são precisos para forma-se um médico medíocre e três quartas partes da vida para chegar-se a ser um sábio. Como pretender-se em algumas horas adquirir a Ciência do Infinito?" ¹

Por que será que atribuímos mais importância aos estudos das coisas materiais que aos estudos da Doutrina?
Ficamos às vezes horas estudando para uma prova ou exame, ou ainda tentando entender o funcionamento de um eletrodoméstico de nossa casa, e tão pouco nos dedicamos ao estudo da doutrina, que poderia ampliar nosso entendimento sobre o funcionamento das leis divinas!

Claro que não são coisas completamente diferentes, mas nem sempre buscamos estabelecer as relações entre elas, o que nos possibilitaria novas descobertas. Novamente caímos na opção de avançar mais no aspecto intelectual, relegando o aspecto moral para um segundo plano, esquecendo-nos que ambos os aspectos se complementam.

Kardec argumenta, falando de sua expectativa sobre o objetivo do Livro dos Espíritos:
"O de guiar os homens que desejem esclarecer-se, mostrando-lhes, nestes estudos, um fim grande e sublime: o do progresso individual e social e o de lhes indicar o caminho que conduz a esse fim." ¹

Mas, então, como estudar a Doutrina Espírita?
Basta pegar um livro e abrir ao acaso, lendo uma mensagem ou uma parte?
Cada dia, dependendo da minha vontade, pego um livro diferente para ter mais opções de temas?
Será que ao estudar, dá na mesma ler livros de mensagens, ou romances, em vez das obras básicas, por exemplo?

Kardec responde também a essas questões: "Acrescentemos que o estudo de uma doutrina, qual a Doutrina Espírita, que nos lança de súbito numa ordem de coisas tão nova quão grande, só pode ser feito com utilidade por homens sérios, perseverantes, livres de prevenções e animados de firme e sincera vontade de chegar a um resultado. (...) O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá." ¹

E continua: "Quem deseje tornar-se versado numa ciência tem que a estudar metodicamente, começando pelo princípio e acompanhando o encadeamento e o desenvolvimento das idéias. Que adiantará aquele que, ao acaso, dirigir a um sábio perguntas acerca de uma ciência cujas primeiras palavras ignore? Poderá o próprio sábio, por maior que seja a sua boa-vontade, dar-lhe resposta satisfatória? A resposta isolada, que der, será forçosamente incompleta e quase sempre por isso mesmo, ininteligível, ou parecerá absurda e contraditória."

É por isso que às vezes temos a sensação de que nos falta algum pedacinho para compreendermos melhor este ou aquele conceito.
Assistir palestras é muito bom, importante para chamar nossa atenção para diferentes aspectos.
Mas elas não substituem um estudo organizado, sistemático, para quem quer se apropriar do corpo teórico de conhecimentos estabelecido pela Doutrina.

Em Obras Póstumas, no Projeto – 1868, Kardec afirma: "Dois elementos devem contribuir para o progresso do espiritismo: o estabelecimento teórico da doutrina e os meios de popularizá-la." ²

Volta a questão.
Como fazer então para estudar a Doutrina Espírita?
A partir das dicas de Kardec, um primeiro passo seria esquematizar o próprio tempo, para garantir continuidade.
Em seguida, organizar o material, que poderia ter o próprio Livro dos Espíritos como espinha dorsal, complementado, em cada tema ou assunto, pelas outras obras básicas e também por obras subsidiárias, como as de Emmanuel e André Luiz, por exemplo. Já há alguns textos que indicam onde encontrar, cada assunto, em determinados livros espíritas. São os guias de fontes espíritas ou vade-mécuns.
Uma outra possibilidade, mais rica e produtiva, é participar de grupos de estudo voltados para esse fim. Desde com método e organização, a troca traz bons frutos, além do que o compromisso compartilhado com outros nos torna mais persistentes.
No movimento espírita muitas são as possibilidades de tais grupos, e muitas casas espíritas já desenvolvem esse trabalho, assim como já existem propostas organizadas pelos órgãos de unificação para este fim.

Referências Bibliográficas:
1. KARDEC, Allan, O Livro dos Espíritos. Introdução
2. KARDEC, Allan, Obras Póstumas, Projeto 1868.
Julho de 2005, edição n°. 234
Jornal Eletrônico Verdade e Luz
MARLENE FAGUNDES CARVALHO GONÇALVES
Em relação às questões trazidas pela Doutrina Espírita não é diferente.

O QUE É DEUS?

1ª Aula : DEUS

Há um Deus, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.
No estado de inferioridade em que ainda se encontram, só muito dificilmente podem os homens compreender que Deus seja infinito. Vendo-se limitados e circunscritos, eles o imaginam também circunscrito, figuram-no quais eles são, à imagem e semelhança deles.
Os quadros em que o vemos com traços humanos contribuem para entreter esse erro no espírito das massas, que nele adoram mais a forma que o pensamento.
Para a maioria, é Ele um soberano poderoso, sentado num trono inacessível e perdido na imensidade dos céus.
Não compreendem que Deus possa e se digne de intervir diretamente nas pequeninas coisas.

A prova da existência de Deus
Temo-la neste axioma: “Não há efeito sem causa”.
Vemos constantemente uma imensidade de efeitos, cuja causa não está na Humanidade, pois que a humanidade é imponente para produzi-los, ou, sequer, para explicar.
A causa está acima da Humanidade. É a essa causa que se chama Deus, Jeová, Alá, Brama, Fo-Hi, Grande Espírito, etc.
Tais efeitos absolutamente não se produzem ao acaso, fortuitamente e em desordem. Desde a organização do mais pequenino inseto, e da mais insignificante semente, até a Lei que rege os mundos que circulam no Espaço, tudo atesta uma idéia diretora, uma combinação, uma providência, uma solicitude que ultrapassam todas as combinações humanas. A causa é, pois, soberanamente inteligente.
Lançando o olhar em torno de si, sobre as obras da Natureza, notando a providência, a sabedoria, a harmonia que presidem a essas obras, reconhece o observador não haver nenhuma que não ultrapasse os limites da mais portentosa inteligência humana. Ora, desde que o homem não as pode produzir, é que elas são produto de uma inteligência superior à Humanidade, a menos se sustente que há efeito sem causa.
A existência do relógio atesta a existência do relojoeiro; a engenhosidade do mecanismo lhe atesta a inteligência e o saber. Outro tanto ocorre com o mecanismo do Universo.

Deus não se mostra, mas se revela pelas suas obras.
A existência de Deus é, pois, uma realidade comprovada não só pela revelação, como pela evidência material dos fatos. Os povos selvagens nenhuma revelação tiveram; entretanto, crêem instintivamente na existência de um poder sobrehumano.
Eles vêem coisas que estão acima das possibilidades do homem e deduzem que essas provêm de um ente superior à Humanidade. Não demonstram raciocinar com mais lógica do que os que pretendem que tais coisas se fizeram a si mesmas?
O conhecimento da verdade sobre Deus, sobre o mundo e a vida é o que há de essencial pois é Ele que nos inspira, nos sustenta e nos dirige, mesmo à nossa revelia.


Fontes: baseado no livro dos Espíritos.
Cap.I As Causas Primárias.
Expositor: Francine

O QUE É O ESPIRITISMO?

1ª Aula

• Espiritismo é uma doutrina religiosa revelada por Espíritos Superiores, através de médiuns e codificada por Allan Kardec.
• Revelar significa tirar o véu, mostrar, tornar conhecido o que é desconhecido.
• Assim também as Leis Divinas são reveladas a nós de acordo com o nosso grau de entendimento e capacidade de compreensão das verdades reveladas
• Periodicamente, a Espiritualidade Maior revelam os princípios que norteiam os caminhos do bem, embora nem todos os aceitemos ou deles nos apercebemos. Isso porque temos o livre arbítrio.
• Tais revelações aconteceram e acontecem de forma variada e em épocas variadas para povos os mais diversos. Foram recebidas através de ensino pelos profetas inspirados, e pelos instrutores espirituais preparados para esse fim.
• Essas revelações remontam desde muitas eras. No Oriente verificou-se um grande número dessas revelações sendo que 3 delas assumiram grande importância para a vivência e a prática da nossa evolução espiritual, foram elas:
• A primeira revelação Moisés, que no monte Sinai recebeu os 10 Mandamentos, o primeiro código de conduta nos oferecido por Deus.
• A segunda revelação foi Jesus, com seus ensinamentos de luz, onde aprendemos a Lei do Amor
• A terceira revelação. Com o Espiritismo, recebemos a doutrina Espírita que nos mostra outro mundo , mais real que o nosso – O Mundo dos Espíritos, explicando a origem e a natureza dos seres que o habitam.

O Espiritismo, proclamando altamente que Deus é liberdade com responsabilidade, vem no tempo marcado cumprir a promessa do Cristo. O seu advento é obra de uma plêiade de Espíritos Superiores presidida pelo Espírito da Verdade. Conclama os homens à observância da Lei, fala-lhes sem figuras nem alegorias, levantando o véu propositadamente deixado sobre certos mistérios, e os concita à prática do bem e à consolação pela fé e esperança.

Prometendo a consolação pela fé, o Espiritismo nos ensina que esta é a Divina inspiração de Deus que desperta as virtudes e nos conduz ao bem: ela é a base da regeneração. onde, as consolações esperadas são decorrentes da redenção: nos redimirmos e seremos consolados.

Recapitulando
• Moisés nos deixou os 10 mandamento uma lei para todos os tempos e para todos os povos e que por isso mesmo tem um caráter divino.
• Jesus não veio destruir a Lei, qual lei? A lei de Deus promulgada e recebida por Moisés, Ele veio para nos ensinar como desenvolvê-la e praticá-la.
• O Espiritismo por sua vez, como uma nova ciência, veio revelar aos homens, portanto retirar o véu, por meios irrefutáveis os mistérios que se faziam ocultos pela vontade do homem.
• Ele veio mostrar a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo físico.

Fonte:
O que é Espíritismo
Evangelho Segundo Espíritismo
O Livro dos Espíritos.
Expositor: Oscar

quarta-feira, 1 de junho de 2011

PSICOMETRIA

*continuação da postagem anterior

Pela psicometria o médium revela o passado, conhece o presente, desvenda o futuro.
No tocante à relação com o passado e o presente.
O objeto, móvel ou imóvel, impregnado da influência pessoal do seu dono, conserva-a durante longo tempo e possibilita o recolhimento das impressões.

E quanto ao futuro?
Uma parte é recolhida da subconsciência do seu possuidor, mediante a relação telepática que o objeto psicometrado estabelece com o médium.
Essa resposta pede, todavia, um complemento explicativo. Ei-lo:
Toda criatura humana tem o seu Carma, palavra com que designamos a lei de Causa e Efeito, em face do qual, ao reingressarmos «nas correntes da vida física», para novas experiências, trazemos impresso no perispírito - molde do corpo somático - um quadro de inelutáveis provações.
A nossa mente espiritual conhece tais provações e permite que o psicômetra estabeleça relação com essas vicissitudes, prevê-las, anunciá-las e, inclusive, fixar a época em que se verificarão.
Como vemos, não há nisso nenhum mistério. E' como se o sensitivo lesse, na mente do possuidor do objeto, o que lá já está escrito com vistas ao futuro.
Tudo muito simples, claro e lógico.
Nenhum atentado ao bom-senso.

Apesar de os diversos temas mediúnicos nos terem levado, algumas vezes, a certas explicações de natureza por assim dizer «técnica», elucidativas do mecanismo dos
fenômenos, não é este, todavia, o objeto fundamental do livro que procuramos escrever, mais com o coração do que com o cérebro.
Desejamos dar aos assuntos mediúnicos feição e finalidade evangélicas.
A nossa intenção é de que este trabalho chegue aos núcleos assistenciais do Espiritismo Cristão por mensagem de cooperação fraterna, de bom ânimo para os desiludidos, de esperança para os que sofrem, de reabilitação para os que rangem os dentes «nas trevas exteriores»...
Assim sendo, compete-nos extrair, das considerações expedidas em torno de tão belo quão admirável tema - Psicometria -, conclusões de ordem moral que fortaleçam o nosso coração para as decisivas e sublimes realizações na direção do Mais Alto.

O conhecimento da psicometria faz-nos pensar, consequentemente, nos seguintes imperativos :
a. Não nos apegarmos, em demasia, aos bens materiais;
b. Combatermos o egoísmo que assinala a nossa vida, com a consequente diminuição das exigências impostas a familiares, amigos e conhecidos.
Em capítulo precedente tivemos ensejo de relacionar o fato daquela senhora que, desencarnada havia muito, «não tinha força» para afastar-se do próprio domicílio, ao qual se sentia presa pelas recordações dos familiares e dos objetos caseiros.
Em «Nos Domínios da Mediunidade», no estudo da psicometria, temos o episódio de uma jovem que, há cerca de 300 anos, acompanha um espelho a ela ofertado por um rapaz em 1700.


Estudando a Mediunidade - FEB

segunda-feira, 30 de maio de 2011

PSICOMETRIA

Segundo a definição do Assistente Àulus, a palavra «psicometria» designa a faculdade que têm algumas pessoas de lerem «impressões e recordações ao contato de objetos comuns».
Psicometria é, também, faculdade mediúnica. Faculdade pela qual o sensitivo, tocando em determinados objetos, entra em relação com pessoas e fatos aos mesmos ligados.
Essa percepção se verifica em vista de tais objetos se acharem impregnados da influência pessoal do seu possuidor.
Toda pessoa, ao penetrar num recinto, deixa aí um pouco de si mesma, da sua personalidade, dos seus sentimentos, das suas virtudes, dos seus defeitos.
A psicometria não é, entretanto, faculdade comum em nossos círculos de atividade, uma vez que só a possuem pessoas dotadas de «aguçada sensibilidade psíquica». E a nossa atual condição espiritual, ainda deficitária, não permite esses admiráveis recursos perceptivos.
Quando tocamos num objeto, imantamo-lo com o fluido que nos é peculiar. E se, além do simples toque ou uso, convertermos inadvertidamente esse objeto, seja um livro, uma caneta, uma jóia ou, em ponto maior, uma casa ou um automóvel em motivo de obsessiva adoração, ampliando, excessivamente, as noções de posse ou propriedade, o volume de energias fluídicas que sobre o mesmo projetamos é de tal maneira acentuado que a nossa própria mente ali ficará impressa.
Em qualquer tempo e lugar, a nossa vida, com méritos e deméritos, desfilará em todas as suas minúcias ante o «radar» do psicômetra.

Estudo de psicometria
Há um belo estudo de Ernesto Bozzano intitulado «Enigmas da Psicometria», através de cuja leitura nos defrontamos com impressionantes narrativas, algumas delas abrangendo fases remotas da organização planetária terrestre.
O processo pelo qual é possível, ao psicômetra, entrar em relação com os fatos remotos ou próximos, pode ser explicado de duas maneiras principais, a saber:
a. Uma parte dos fatos e impressões é retirada da própria aura do objeto;
b. Outra parte é recolhida da subconsciência do seu possuidor mediante relação telepática que o objeto psicometrado estabelece com o médium.

Não tem importância que o possuidor esteja encarnado ou desencarnado.
O psicômetra recolherá do seu subconsciente, esteja ele onde estiver, as impressões e sentimentos com que gravou, no objeto, a própria vida. .

Bozzano demonstra que não são, apenas, as pessoas os únicos seres psicometráveis.
Além do elemento humano, temos:
a. Os animais,
b. Os vegetais,
c. Objetos inanimados, metais, etc., etc.

O filósofo italiano menciona, na obra citada, extraordinários fenômenos de psicometria por meio do contato com a pena de um pombo, o galho de uma árvore, um pedaço de carvão ou de barro.
Poder-se-á indagar: E se o objeto psicometrado teve, no curso dos anos, diversos possuidores? Com a vida de qual deles o médium entrará em relação ?
Explica Bozzano, com irresistível lógica, que o médium entrará em relação com os fatos ligados àquele (possuidor) cujo fluido se evidenciar mais ativo em relação com o sensitivo.
A esse aspecto do fenômeno psicométrico, Bozzano denominou de «afinidade eletiva».


Martins Peralva
CONTINUAÇÃO NA PRÓXIMA POSTAGEM.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

ALIMENTAÇÃO DOS ESPÍRITOS


Se as pessoas duvidam que os Espíritos se vestem, que pensarão elas a respeito da existência de alimentos no Mundo Espiritual?
Entretanto, os Espíritos errantes sentem fome.
Na maioria das vezes, os desencarnados, logo após o desligamento do corpo físico, são atormentados pelo desejo de satisfazerem suas necessidades fisiológicas, como sede e fome incontroláveis. Para atendimento dessas necessidades básicas, afirmam os Espíritos que existem fábricas de concentrados de frutas e sopas sujeitos à manipulação específica da Espiritualidade.

Nos hospitais das Colônias, alimentos são fornecidos aos enfermos, a fim de se revigorarem.
Esses manjares espirituais, segundo informações do Outro Mundo, possuem gosto e aroma que não têm similar na Terra. Nos centros de reeducação para onde são conduzidos os Espíritos recém-chegados do Umbral, faz parte do tratamento a ingestão, pelos enfermos, de alimentos semelhantes aos terrenos, porém menos densos, até que se adaptem a sistemas de sustentação das Esferas Superiores.

O Espírito André Luiz declara na obra Nosso Lar que, recém-chegado ao Mundo Espiritual, recebeu igual tratamento: "A essa altura, serviram-me caldo reconfortante, seguido de água muito fresca, que me pareceu portadora de fluidos divinos. Aquela reduzida porção de líquido reanimava-me inesperadamente. Não saberia dizer que espécie de sopa era aquela; se alimentação sedativa, se remédio salutar."

Entretanto, segundo colocações deste mesmo Espírito, não só os convalescentes têm necessidade de alimentos.
Os trabalhadores das Colônias recebem, regularmente, a sua cota de provisões:
Cada habitante de Nosso Lar recebe provisões de pão e roupa, no que se refere ao estritamente necessário; (. . .).

Muitos Espíritos já informaram que a água tem imenso valor no Mundo Espiritual. E esse líquido poderoso veículo de fluidos de qualquer natureza, sendo utilizado, também, como medicação. Segundo ele, já sentira, certa feita, a ação magnética da água que lhe provocou um delicioso e revigorante bem estar.


Situação bastante curiosa é essa necessidade de os Espíritos reberem alimentos já manufaturados, exatamente como ocorre na vida terrestre, uma espécie de cesta básica que os setores públicos socialistas costumam fornecer à população.

Todavia, os Espíritos chamam a atenção dos encarnados para o fato de que, nas faixas superiores da Espiritualidade, o corpo não tem necessidade de alimentação, no sentido que entendemos. À proporção que se aproxima das esferas mais elevadas, o Amor, que é o verdadeira substância de nutrição das almas, torna-se mais intenso e menos denso, constituindo-se no maior sustentáculo das criaturas. Daí o preceito evangélico: Amai-vos uns aos outros.


COMUNIDADE ESPÍRITA
LUCIA LOUREIRO

quarta-feira, 2 de março de 2011

DEUS TEM PREFERÊNCIA?

Como explicar tantas diferenças entre os seres humanos? E não são apenas diferenças morais, intelectuais, de habilidades, dificuldades, saúde ou oportunidades. Vejamos o que ocorre com as tragédias todas que tem sacudido o planeta com as chuvas intensas, furacões, terremotos, tsunamis, naufrágios, guerras, epidemias e a violência tão comum da sociedade.

Se adentrarmos, então, na avaliação individual, como explicar a situação favorável para uns e completamente desfavorável para outros. Uns enfermos a vida toda, outros travados na cama, outros absolutamente saudáveis; outros ricos ao lado de outros sem o mínimo para sobreviver com dignidade.

Alguns poucos gênios convivendo com criaturas em extrema dificuldade de aprendizado. A maioria sem oportunidades, alguns com todas as facilidades e portas abertas para tudo. Mas não é só. Se considerarmos ainda as vítimas das tragédias acima citadas, enquanto outros não são atingidos, ficamos a pensar:
Deus tem preferência por uns em detrimento de outros?
Não! Absolutamente, isso é inconcebível.

E as crianças que nascem com doenças terminais, sem cérebro, ao lado de outras saudáveis, bem amparadas, contrastando com a orfandade, o abandono, e tudo mais que o leitor já conhece e nem é preciso relacionar. O que é isso?

Deus ama os filhos e nos criou todos para o progresso, a felicidade. Todavia, é impossível num curto espaço de 80 anos, em média, para construir uma vida moral saudável e mesmo a felicidade, ou o progresso intelectual que a evolução desafia a cada dia.
Por isso, somos alunos de uma única vida em diferentes existências. Isso é a reencarnação, a oportunidade renovada.
O que não fizemos agora, faremos mais tarde. O que negligenciamos fazer hoje, teremos que fazer amanhã.

As lesões que causamos ao próximo e a nós mesmos ontem, estamos reparando hoje, por exigência consciencial.
Por consequência, o bem que fazemos hoje nos trará felicidade amanhã. Ela é um mecanismo justo porque traz a cada um o resultado de suas ações, nos aprendizados, provas e reparações para com a própria consciência e à própria vida.
Somos o que fizermos de nós. Daí as diferenças em todos os sentidos. Os que se esforçam, alcançam mais, os que negligenciam, colhe tais frutos.

O sofrimento, em qualquer área, contudo, não significa reparação, mas pode ser necessidade de aprendizados. Embora ninguém esteja abandonado ou esquecido, mas todos teremos que nos esforçar para progredir. Isso é Lei!

Já sabemos: a cada um segundo suas próprias obras. Note-se a base no Evangelho, que aliás é da essência do Espiritismo. É da lei, por um princípio de justiça, que colhamos o que fizemos ou estejamos vivendo circunstâncias ou situações que nos tragam aprendizados que necessitamos. Seria absolutamente injusto que uma vida decidisse o futuro em definitivo. E para os que não tiveram oportunidade? Seria um privilégio? Como conciliar isso?

A reencarnação, ou a pluralidade das existências, está, pois, baseada num critério de justiça. Não há preferências ou privilégios, somos os artífices da felicidade ou do sofrimento de nós mesmos, individual e coletivamente considerado. E tem bases no Evangelho. E, por outro lado, não é invenção, nem exclusividade do Espiritismo. É lei natural que embasa o conhecimento espírita e com origens na própria história humana. Sócrates já a ensinava.

Para compreender isso devidamente e mesmo falar sobre o tema, é preciso estudá-lo em sua profundidade. Não podemos emitir opinião do que não conhecemos devidamente. Para falar, debater ou criticar qualquer tema é preciso antes aprofundar conhecimentos. Não podemos falar do que não sabemos, sob risco do ridículo e do desrespeito à liberdade de expressão, crença, opção e opinião de qualquer indivíduo ou grupo social.


*Orson Peter Carrara é consultor editorial, escritor e palestrante.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

NOSSO LAR - ANDRÉ LUIZ

Continuamos a publicar o texto condensado da obra “Nosso Lar”, de André Luiz, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier e publicada pela editora da Federação Espírita Brasileira.

Questões preliminares
A. Que efeito teve a prece na reabilitação de André Luiz?
R.: Quando as energias lhe faltaram de todo, quando se sentiu absolutamente colado ao lodo da Terra, sem forças para reerguer-se, André Luiz pediu ao Supremo Autor da Natureza lhe estendesse mãos paternais naquela amargurosa emergência. Então, de imediato, graças ao efeito extraordinário da oração, as neblinas espessas se dissiparam e alguém surgiu, como um emissário dos Céus. Era o ministro Clarêncio que, sorrindo, lhe disse: "Coragem, meu filho! O Senhor não te desampara". (Nosso Lar, págs. 23 e 24.)

B. Quais foram os primeiros socorros recebidos por André?
R.: Inicialmente, transportado num alvo lençol que funcionava à guisa de maca improvisada, André foi levado a um lugar por ele ignorado. Conduzido a confortável aposento de amplas proporções, ricamente mobiliado, ofereceram-lhe um leito acolhedor. Em seguida serviram-lhe caldo reconfortante, acompanhado de água muito fresca, que lhe pareceu portadora de fluidos divinos. (Nosso Lar, págs. 26 e 27.)

C. Que se verifica em “Nosso Lar” à hora do crepúsculo?
R.: Quando chega o crepúsculo em "Nosso Lar", em todos os núcleos da colônia de trabalho estabelece-se uma ligação direta com as preces da Governadoria. De onde estava, André pôde contemplar ao fundo, em tela gigantesca, um prodigioso quadro de luz quase feérica. Obedecendo a processos adiantados de televisão, surgiu o cenário de um templo maravilhoso. Sentado em lugar de destaque, um ancião coroado de luz fixava o Alto, em atitude de prece. Era o Governador da colônia. (Nosso Lar, págs. 28 a 30.)

D. Por que André foi considerado suicida?
R.: O próprio médico Henrique de Luna explicou-lhe: "Talvez o amigo não tenha ponderado bastante. O organismo espiritual apresenta em si mesmo a história completa das ações praticadas no mundo". A oclusão intestinal que o vitimou derivava de elementos cancerosos e estes, por sua vez, de algumas leviandades de André no campo da sífilis. A moléstia talvez não assumisse características tão graves se seu procedimento mental no planeta estivesse enquadrado nos princípios da fraternidade e da temperança. Seu modo especial de agir, muita vez exasperado e sombrio, captara destruidoras vibrações nos que o rodeavam. A ausência de autodomínio, a inadvertência no trato com as pessoas, a quem muitas vezes ele ofendeu sem refletir, conduziam-no com freqüência à esfera dos seres doentes e inferiores. Foi isso que agravou o seu estado. Todo o aparelho gástrico fora destruído à custa de excessos de alimentação e de bebidas alcoólicas. A sífilis devorou-lhe energias essenciais. O suicídio, embora inconsciente, era incontestável.
(Nosso Lar, págs. 31 a 35.)

MARCELO BORELA DE OLIVEIRA
Londrina, Paraná
O Consolador.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

NOSSO LAR - ANDRÉ LUIZ

A. Que representa a existência corpórea para nós?
R.: A existência corpórea é indispensável ao progresso humano. A Terra é oficina sagrada, e ninguém a menosprezará, sem conhecer o preço do terrível engano a que houver submetido o próprio coração. A experiência de André Luiz diz bem alto que não basta à criatura apegar-se à existência humana, mas precisa saber aproveitá-la dignamente. (Nosso Lar, prefácio de Emmanuel, pág. 11.)

B. Como André conceitua a vida e a morte?
R.: A vida não cessa, a vida é fonte eterna e a morte é o jogo escuro das ilusões. Permutar a roupagem física não decide o problema fundamental da iluminação. Uma existência é um ato. Um corpo – uma veste. Um século – um dia. Um serviço – uma experiência. Um triunfo – uma aquisição. Uma morte – um sopro renovador. (Nosso Lar, págs. 13 e 14.)

C. Como André descreve o Umbral?
R.: Silêncio implacável, cortado às vezes por gargalhadas sinistras e uma paisagem, quando não totalmente escura, banhada de luz alvacenta, como que amortalhada em neblina espessa, essa era a região em que André Luiz viveu por vários anos, assediado por seres monstruosos e vultos negros que o acordavam irônicos e lhe dirigiam acusações impensáveis. Eis o que André diz do chamado Umbral no capítulo inicial de seu primeiro livro. (Nosso Lar, págs. 17 a 21.)

D. Que razões levaram André Luiz a fracassar na existência terrena?
R.: O próprio André afirma que a filosofia do imediatismo o absorvera no mundo. A existência terrestre não fora assinalada de lances diferentes da craveira comum. Ele havia conquistado os títulos universitários sem maior sacrifício e perseguira situações estáveis que garantissem a tranqüilidade econômica do seu grupo familiar, mas não desenvolvera os germes divinos que o Senhor colocara em sua alma; ao contrário, sufocara-os criminosamente, no desejo incontido de bem-estar. (Nosso Lar, pág. 19.)

. A experiência de André Luiz diz bem alto que não basta à criatura apegar-se à existência humana, mas precisa saber aproveitá-la dignamente; que os passos do cristão devem dirigir-se verdadeiramente ao Cristo e que precisamos do Espiritismo e do Espiritualismo, mas, muito mais, de Espiritualidade. (Emmanuel)


Revista O consolador.
1ª parte.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

TRABALHO X SACRIFÍCIO

Trabalho e sacrifício são duas palavras que a nossa sociedade em geral, considera muito próximas em significado. Exceções são casos em que algumas pessoas conseguem unir trabalho e prazer.

A Lei de Trabalho é um dos aspectos da Lei Divina ou Natural, e visa o progresso social e espiritual da Humanidade. Como a Lei Divina ou Natural é a única para a felicidade do ser humano, daí se depreende que sem trabalho não se consegue ser feliz. Mas como aceitar esta verdade, se vemos tantas pessoas que trabalham muito e parecem tão infelizes?

Allan Kardec indaga dos Espíritos (O Livro dos Espíritos, Questão 928) se muitos males não provém do fato de nos desviarmos de nossa vocação neste mundo. Esta, sem dúvida, é a razão de muitas decepções e frustrações.

Nem sempre alguém se vê em condições de escolher aquilo que gostaria de fazer profissionalmente. Sobretudo nas camadas sociais mais pobres é que se observam grandes discrepâncias. Fico imaginando que talvez ainda seja uma das características deste nosso momento evolutivo, o fato de haver grande parte de atividades necessárias à sociedade e ao progresso que, ao mesmo tempo, requerem das pessoas grande esforço físico ou mental considerado penoso, além da abdicação de sonhos e ideais em nome da sobrevivência.

Contudo, há os que insistem numa carreira que não corresponde à sua vocação por orgulho, porque conquistaram uma posição social que não desejam perder. Neste caso sofrem, não pelo trabalho em si mas porque, no fundo, não desejam efetuar mudanças que poderiam conduzir a uma vida mais satisfatória.

Tem gente, porém, que transforma o trabalho em sacrifício pela maneira como o realiza. Dentre os padrões que tomamos emprestados à sociedade - como o idioma, o comportamento esperado em função do sexo ou da idade, os papéis rigidamente definidos - existe um que identifica trabalho com sacrifício.

A aparência de constante cansaço e preocupação é valorizada, hoje em dia, como sinônimo de produtividade e eficiência. É como se as pessoas só pudessem realizar-se profissionalmente abdicando do lazer e da convivência com a família e os amigos, adquirindo hipertensão e problemas cardíacos, deixando de fazer o que gostam, e assim por diante.

Inventou-se toda uma parafernália para manter o homem ligado permanentemente ao trabalho, desde os pagers até os celulares e laptops, de modo que qualquer pessoa com recursos financeiros pode se transformar num escritório ambulante, brinquedos perfeitos para esta geração que vive com pressa, que vive perdendo hora, que vive para o trabalho e se esquece de todo o resto, inclusive de suas necessidades básicas.

Acontece que nem sempre estas pessoas supostamente ocupadíssimas e preocupadíssimas conseguem ser de fato tão produtivas e eficientes como seriam, se respeitassem os limites de seu corpo, se atendessem às suas necessidades físicas e emocionais, enfim, se procurassem viver mais de acordo com seu próprio ritmo.

Não que não alcancem resultados. Mas poderiam fazer o mesmo e talvez até mais, se olhassem as coisas de um modo mais descontraído, menos estressante, desenvolvendo maneiras agradáveis de desempenhar as mesmas tarefas.

O corre-corre do mundo moderno cria uma ilusão de bom funcionamento, uma falsa impressão de eficiência, mas de fato não passa mesmo de um corre-corre, e só! E seria até divertido, se não mandasse gente para o médico e para o hospital, e para o necrotério mais cedo que o previsto, se não roubasse tempo dos filhos, se não impedisse a proximidade reconfortante com a Natureza e, sobretudo o contato consigo mesmo.

A civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque aumenta suas necessidades e seus prazeres, diz O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Questão 674.

Mas nem tudo na civilização é progresso. A civilização tem os seus graus, como todas as coisas. Uma civilização incompleta é um estado de transição que engendra males especiais, desconhecidos no estado primitivo, mas nem por isso deixa de constituir um progresso natural, necessário, que leva consigo mesmo o remédio para aqueles males.

A civilização deverá, então, nos ensinar quais são as nossas reais necessidades e quando é que estamos nos sacrificando inutilmente, ou seja, lutando por coisas que são essenciais.

No mesmo capítulo em que trata da Lei do Trabalho, O Livro dos Espíritos fala da importância do repouso. Arrisco-me a propor que, se as pessoas se concentrassem no trabalho mas não se perdessem a si mesmas em meio a ele, talvez dessem mais espaço para a criatividade, para as intuições, para descobrir novas formas de executá-lo sem tanto desgaste.

Tudo trabalha no Universo. O micróbio, a planta, o peixe, o vento, a chuva. Por que é que só o homem fica doente ou se mata de trabalhar?
Rita Foelker

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

JUPITER E OUTROS MUNDOS

Quanto à aplicação, que podemos fazer, do nosso raciocínio, aos diferentes globos do nosso turbilhão planetário, não temos senão os ensinamentos dos Espíritos; ora, para quem não admite senão provas palpáveis, é positivo que sua asserção, a esse respeito, não tenha a certeza da experimentação direta. No entanto, não aceitamos, todos os dias com confiança as descrições, que os viajantes nos fazem, de países que jamais vimos? Se nós não devêssemos crer senão por nossos olhos, não creríamos em grande coisa. O que dá aqui, um certo peso ao dizer dos Espíritos, é a correlação que existe entre eles, pelo menos nos pontos principais.
Para nós, que fomos cem vezes testemunhas dessas comunicações, que pudemos apreciá-las em seus menores detalhes, que nelas escrutamos o forte e o fraco, observamos as semelhanças e as contradições, encontramos todos os caracteres da probabilidade; todavia, não lhes damos senão sob benefício de inventário, a título de notícias, aos quais cada um está livre para ligar a importância que julga adequada.

Segundo os Espíritos, o planeta Marte seria ainda menos avançado do que a Terra; os Espíritos que nele estão encarnados pareceriam pertencer, quase exclusivamente, à nona classe, a dos Espíritos impuros.  (vide O livro dos Espíritos).
Vários outros pequenos globos estão, com algumas nuanças, na mesma categoria. A Terra viria em seguida; a maioria de seus habitantes pertence, incontestavelmente, a todas as classes da terceira ordem, e a parte menor às últimas classes da segunda ordem. Os Espíritos superiores, os da segunda e da terceira classe, nela cumprem, algumas vezes, uma missão de civilização e progresso, e são exceções.
Mercúrio e Saturno vêm depois da Terra. A superioridade numérica de bons Espíritos lhes dá a preponderância sobre os Espíritos inferiores, do que resulta uma ordem social mais perfeita, relações menos egoístas, e, por consequência, uma condição de existência mais feliz.
A Lua e Vênus estão quase no mesmo grau e, sob todos os aspectos, mais avançados do que Mercúrio e Saturno e Urano seriam ainda superiores a esses últimos. Pode-se supor que os elementos morais, desses dois planetas, são formados das primeiras classes da terceira ordem e, na grande maioria, de Espíritos da segunda ordem. Os homens, neles, são infinitamente mais felizes do que sobre a Terra, pela razão de que não têm nem as mesmas lutas a sustentar, nem as mesmas tribulações a suportar, e não estão expostos às mesmas vicissitudes físicas e morais.

De todos os planetas, o mais avançado, sob todos os aspectos, é Júpiter.
Ali, é o reino exclusivo do bem e da justiça, porque não há senão bons Espíritos.
A superioridade de Júpiter não está somente no estado moral dos seus habitantes; está, também, na sua constituição física.
Eis a descrição que nos foi dada, desse mundo privilegiado, onde encontramos a maioria dos homens de bem que honraram nossa Terra pelas suas virtudes e seus talentos.
A conformação dos corpos é quase a mesma desse mundo, mas é menos material, menos denso e de uma maior leveza específica. Ao passo que rastejamos penosamente na Terra, o habitante de Júpiter se transporta, de um lugar para outro, roçando a superfície do solo, quase sem fadiga, como o pássaro no ar ou o peixe na água.
Sendo a matéria, da qual o corpo está formado, mais depurada, ela se dissipa, depois da morte, sem ser submetida à decomposição pútrida. Ali não existe a maioria das enfermidades que nos afligem, sobretudo aquelas que têm sua fonte nos excessos de todos os
gêneros e na desordem causada pelas paixões.
A alimentação está em relação com essa organização etérea; não seria bastante substanciosa para os nossos estômagos grosseiros, e a nossa seria muito pesada para eles; ela se compõe de frutas e plantas, e, aliás, haurem, de algum modo, a maior parte do meio ambiente do qual aspiram as emanações nutritivas.
A duração da vida é, proporcionalmente, muito maior que sobre a Terra; a média equivale a cinco dos nossos séculos.
O desenvolvimento também é muito mais rápido, e a infância dura apenas alguns de nossos meses.
Sob esse envoltório leve, os Espíritos se desligam facilmente e entram em comunicação recíproca unicamente pelo pensamento, sem excluir, todavia, a linguagem articulada; também a segunda vista é, para a maioria uma faculdade permanente; seu estado normal pode ser comparado ao dos nossos sonâmbulos lúcidos; é também porque se manifestam, a nós, mais facilmente do que aqueles que estão encarnados em mundos mais grosseiros e mais materiais.
A intuição que têm do futuro, a segurança que lhes dá uma consciência isenta de remorsos, fazem com que a morte não lhes cause nenhuma apreensão; vêem-na chegar sem medo e como uma simples transformação.
Os animais não estão excluídos desse estado progressivo, sem se aproximarem, entretanto, do homem, mesmo sob o aspecto físico; seus corpos, mais materiais ligam-se ao solo, como nós à Terra. Sua inteligência ó mais desenvolvida do que nos nossos; a estrutura dos seus membros se dobra a todas exigências do trabalho; são encarregados da execução de obras manuais; são os servidores e os operários: as ocupações dos homens são puramente intelectuais. O homem é, para eles, uma divindade, mas uma divindade tutelar que jamais abusa do seu poder para oprimi-los.

Os Espíritos que habitam Júpiter, geralmente, se comprazem, quando querem se comunicar conosco na descrição do seu planeta, e quando se lhes pergunta a razão, respondem que é a fim de nos inspirar o amor ao bem pela esperança de, para lá, ir um dia.
Foi com esse objetivo que um deles, que viveu na Terra com o nome de Bernard Palissy, o célebre oleiro do décimo sexto século, empreendeu, espontaneamente e sem ser solicitado para isso, uma série de desenhos tão notáveis, tanto pela sua singularidade quanto pelo talento da execução, e destinado a nos dar a conhecer, até nos menores detalhes, esse mundo tão estranho e tão novo para nós. Alguns retratam personagens, animais, cenas da vida privada; mas, os mais notáveis, são aqueles que representam habitações, verdadeiras obras-primas das quais nada sobre a Terra poderia nos dar uma idéia, porque essa não parece com nada do que conhecemos; é um gênero de arquitetura indescritível, tão original e, no entanto, tão harmoniosa, de uma ornamentação tão rica e tão graciosa, que desafia a mais fecunda imaginação.

O planeta Júpiter, apesar do quadro sedutor que dele nos foi dado, não é o mais perfeito entre os mundos. Há outros, desconhecidos para nós, que lhes são bem superiores, no físico e no moral, e cujos habitantes gozam de uma felicidade ainda mais perfeita; lá é a morada dos Espíritos mais elevados, cujo envoltório etéreo nada mais tem das propriedades conhecidas da matéria.

Revista Espírita - Primeiro ano 1858
Jornal de Estudos Psicológicos
PUBLICADA SOB A DIREÇÃO DE
ALLAN KARDEC