segunda-feira, 2 de agosto de 2010

FILHOS ADOTIVOS

Uma Orientação sobre Filhos Adotivos
Há pouco tempo, depois de uma palestra, uma senhora me procurou para expôr o seu problema. Não pudera gerar seus próprios filhos e, em consequência, adotara três lindas crianças.
Ninguém, a não ser o médico pediatra conhecia o problema; nos éramos a segunda pessoa com quem conversava abordando o assunto que a preocupava muito.
Durante a sua narrativa percebemos o imenso amor pelas crianças; de quando em vez, seus olhos marejavam. Contou que seu esposo era excelente, um verdadeiro pai também para as duas garotas e o robusto menino. Os três foram adotados quando ainda contavam poucos dias.
Conversamos com ela longamente, dando-lhe as explicações espíritas de praxe, alicerçadas na reencarnação e na lei de causa e efeito. De nossa parte, comovidos, dissemos a ela que não se precipitasse nada, porquanto ela estava em dúvida se dizia ou não a verdade para os filhos.
Sentimos que ela era muito mais mãe deles do que as que puderam gerál-os.
No final falamos com aquela senhora que, se surgisse oportunidade, procurariamos ouvir nosso irmão Chico sobre o assunto.
Num sábado à noite, no Grupo Espírita da Prece, após as tarefas habituais, expusemos para ele o caso. Depois de ouvir-nos, foi claro em dizer que ela deveria revelar para as crianças a verdade, porquanto não conhecia ninguém que sabendo de tudo depois de crescido não se revoltasse; a idade infantil —
os três irmãos têm idades que variam de seis a oito anos — era propícia, favorável.
Mas diga a ela, Baccelli — prosseguiu Chico — que tem que ser com muito amor, muito carinho. Se um animal nos atende quando nos dirigimos a ele com amor, quanto mais um ser humano! Diga a ela para reuni-los, orar com eles e dizer que gostaria muito que tivessem nascido dela, mas que Deus resolveu diferente.
Sim, quantos ficam sabendo depois de adultos — e não há nenhum que não fique sabendo — a verdade a respeito de suas origens e se rebelam, saem de casa, causam desgostos, procuram as drogas, quando não o suicídio.
Ao contrário, contando a verdade, as crianças crescem com reconhecimento, estima, gratidão e compreensão.
Quando não se conta, arrisca-se a ver o amor transformar-se em inexplicável aversão; quando se diz a verdade, o máximo que pode acontecer é ter os nomes de “pai” e “mãe” substituidos por “tio e “tia”.
Aquela senhora daria a vida pelos seus filhos adotivos, mas temos certeza que ela compreendeu e, com a revelação, surgiu um relacionamento muito mais forte, muito mais sadio, consciente, entre ela e os meninos.
Esconder a realidade é trair-lhes a confiança, e poucos entenderão que tal foi feito por muito amor. Mas há também os que ocultam por preconceito, por vergonha de não terem podido gerar seus próprios rebentos.
Aqui a culpa, se é que podemos classificar a atitude de culpa, é maior, porqüanto pensou-se mais em si do que nos filhos, no trauma que mais tarde poderia vir a pesar-lhes nos ombros. Enfim, a verdade deve ser dita mas com amor; verdade dita com carinho nunca magoa ninguém.
Estamos escrevendo enfocando o tema porque sabemos que por aí afora existem centenas de pais vivendo drama semelhante; o período infantil é o mais propício à revelação.
Escreveu o célebre Gibran: “Os filhos vêm através de vós, mas não vêm de vós...”.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, lemos: “O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito” , quer dizer: Pai mesmo só Deus o é.
Nossos filhos não são nossos filhos, são, antes, irmãos. Os corpos que têm é que são filhos dos nossos corpos, mais nada.
E, depois, o que é mais importante: os filhos consanguíneos ou os filhos do coração? Os chamados filhos adotivos são os do coração; estão unidos a nós por indestrutíveis laços espirituais.
É puro convencionalismo humano o que nos leva a classificá-los de adotivos; somos todos adotivos uns do outro.
É preciso contar a verdade, para não chorar depois, ou vê-los chorar mais tarde, perdendo a confiança, sentindo-se abortados do nosso carinho.
(agosto de 1983)


Lições de Sabedoria
Marlene Rossi Severino Nobre

A MÁGOA

À semelhança de ácido que corrói a superfície na qual se encontra, a mágoa desgasta, a pouco e pouco, as peças delicadas das engrenagens orgânicas do homem, destrambelhando-lhe os equipamentos muito delicados da organização psíquica.
A mágoa é conselheira impiedosa e artesã de males cujos efeitos são imprevisíveis.
Penetra no âmago do ser e envenena-o, impedindo-lhe o recebimento dos socorros do otimismo, da esperança e da boa vontade em relação aos fatores que o maceram.
Instalando-se, arma a sua vítima de impiedade e rancor, levando- a a atitudes desesperadas, desde que lhe satisfaça a programação vil.
Exala amargura e desconforto, expulsando as pessoas que intentam contribuir para a mudança de estado, graças às altas cargas vibratórias negativas, que exteriorizam mau humor e azedume.


Quem acumula mágoas, coleciona lixo mental.
Reage às tentativas de alojamento da mágoa nos teus sentimentos.
Não estás no mundo por acaso; antes, com finalidades adredemente estabelecidas que deves atender.
Acompanha a marcha do Sol, e enriquece-te de luz, não mergulhando na sombra dos ressentimentos destrutivos.
Sorri ante o infortúnio, agradecendo a oportunidade de superá-lo através dos valores éticos e educativos que já possuis, poupando-te à consumpção de que é portadora a mágoa.


Divaldo Pereira Franco 
Episódios Diários
Pelo Espírito Joanna de Ângelis

sexta-feira, 30 de julho de 2010

BOM DIA AMIGOS!

O Céu está dentro de você!
Aprenda a viver no paraíso.
Não é preciso morrer para ir para o céu, não!
Nós criamos em nós
os infernos de tristeza e angústia.
Então aprenda a criar o paraíso da alegria.
Perdoe sempre e siga adiante,
evitando aborrecer-se.
Não dê importância ao que dizem de você.
Deixe que sua alegria brote
de seu coração bom e generoso.
* * * * * * * * * * * * * * *
Abraço da amiga
Angel

O ESPÍRITO COMO ELEMENTO DA NATUREZA

O misticismo é uma forma de alienação, de fuga necessária do homem à dureza da realidade objetiva, onde as leis da estruturação sensorial agem de maneira inflexível. O místico é um trânsfuga do real. O anseio de transcendência do homem, não esclarecido em sua motivação, o leva a rejeitar o real e buscar o sucedâneo de uma suposta realidade, imaginada como refinamento do real-sensível.
Esses resíduos emocionais foram alimentados ao longo de todo o processo religioso, por enquadrar-se na concepção mágica e mística do Universo Misterioso, inacessível à compreensão humana normal.
As Religiões ligaram estreitamente esses conceitos aos de sagrado e profano e não tiveram condições para superá-los.



O ser é o que é, e recusa-se a deixar de ser.
Ele se reconhece como forma existencial subjetiva integrada na estrutura objetiva da realidade material, mas sabe por experiência empírica que esse condicionamento material é efêmero e terá fatalmente de se desfazer na morte.
O instinto de conservação o leva a reagir contra essa fatalidade. As provas de sobrevivência dadas pelos fenômenos mediúnicos não o satisfazem, pois essa sobrevivência espiritual o desliga do sensível, a única que lhe parece natural. Ele se apega a essa realidade através de uma concepção mística indefinida, que lhe permite aceitar a possibilidade de uma continuidade natural após a morte.
As múmias e os mausoléus egípcios, o paraíso sensorial dos árabes e os dogmas religiosos da ressurreição no próprio corpo carnal atestam essa esperança no próprio processo histórico.


Espiritismo, a igreja o paganismo
Kardec teve de agir com prudência na divulgação do Espiritismo, para que a reação violenta e fanática das religiões não asfixiasse no berço a nova mundividência que nascia das suas pesquisas mediúnicas. Mas em seu livro "O Céu e o Inferno", colocou o Cristianismo sincrético da igreja no banco dos réus e mostrou que a mitologia dos clérigos era mais absurda e mais cruel do que a do mundo clássico mitológico. A vida eterna oferecida pela Igreja depende de quinquilharias sagradas, de crendices simplórias, de condicionamento mental a um dogmatismo irracional, enquanto os mitos do paganismo se radicavam na realidade empírica, nas experiências naturais do homem no mundo e na lei universal da metamorfose, da incessante transformação das coisas e dos seres ao longo do tempo e do processo histórico racional.
A indestrutibilidade do ser não se condicionava, no pensamento mitológico, às exigências de uma corporação religiosa artificial e autoritária, mas às condições visíveis e palpáveis da realidade natural.
O medo da morte não era tão angustiante entre os gregos pagãos, que encontravam no pensamento dos filósofos uma consolação racional que a Igreja Cristã jamais ofereceu aos seus adeptos, sempre aterrorizados com o julgamento final, a ira de Deus e as crueldades eternas a que estariam sujeitos se caíssem nas garras do Diabo.


Concepção materialista
Há pessoas cultas, ainda hoje, que não conseguem conceber a sobrevivência humana após a morte em termos espirituais. Condicionaram sua mente, de tal maneira, ao mundo tridimensional, assustadas com os delírios da cultura religiosa, que temem afastar-se da segurança sensorial da matéria. A concepção materialista do mundo, tão absurda como a concepção mística, nasce da frustração do ser ante o pandemônio das alucinações do fabulário religioso. A deformação do Cristianismo revestiu a morte com todos os aparatos trágicos de uma civilização insegura e angustiada, semeando o terror na mente popular. A pressão excessiva dessa forma coercitiva de terrorismo mental.
Como em todos os excessos, a pressão esmagadora gerou a revolta e a descrença, levando os cristãos a optar pela alternativa,o materialismo inconsequente, mas pelo menos racional .

Finalidade do Espiritismo
Era necessário esvaziar o mundo das alucinações teológicas para que o homem voltasse a pisar o chão, a apalpar a terra. Kardec assinalaria, mais tarde, que a finalidade do Espiritismo era transformar o mundo, afastando o homem do egoísmo e do materialismo. Mas isso porque, no seu tempo, a .vitória da razão já se definia, através das conquistas científicas de três séculos, do XVI ao XVIII, preparando o século XIX para a Renascença Cristã através do Espiritismo. Nessa fase, tão próxima da nossa, urgia restabelecer no homem a fé em termos de razão, mostrar-lhe que a insensatez mística devia ser corrigida pela experiência não menos insensata do materialismo. Se a mística levara o homem a querer fugir das limitações corporais através de cilícios e isolamentos negativos, que o afastavam das experiências da relação humana, o materialismo o levava a agarrar-se ao corpo, perdendo a visão espiritual da sua realidade subjetiva. A grande tarefa do Espiritismo se definia com clareza: era conter a emoção e a imaginação ligar a fé, à razão, unificar o psiquismo humano nos quadros da realidade terrena.
Era o que, Jesus havia feito na Palestina, combatendo os excessos do misticismo judeu e as misérias do materialismo saduceu. O Espiritismo dava continuidade, quase dois mil anos depois, ao pensamento cristão desfigurado pelo sincretismo religioso dos clérigos ambiciosos, que não vacilavam em trocar o Reino de Deus pelos reinos da Terra. Kardec podia então proclamar a verdade simples que não havia sido aceita, por falta de condições culturais válidas: o espírito não era sobrenatural, mas natural, o parceiro da matéria na constituição de uma realidade única, a realidade espiritual e material do mundo e do homem. A conclusão de Kardec é límpida e simples: os espíritos são uma das forças da Natureza.
Sem compreendermos isso não poderemos compreender o Espiritismo.

O grande desconhecido.
J.Herculano Pires