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segunda-feira, 2 de maio de 2011

A INTOLERÂNCIA DE TIAGO E A LIÇÃO DE JESUS

O trabalho de atendimento aos necessitados, realizado pelos apóstolos de Jesus na “Casa do Caminho”, em Jerusalém, aumentava cada vez mais. Simão Pedro era muito solicitado pelos inúmeros carentes com pedidos e queixas. Muitas dessas criaturas perturbavam o ambiente promovendo brigas no recinto, trocando injúrias e pescoções.

Tiago, filho de Alfeu, o lidador do Evangelho mais agarrado ao Velho Testamento, procurou Simão Pedro, que dirigia o grupo, para comunicar-lhe a decisão de afastar-se do trabalho de ajuda aos carentes, devido a reinante perturbação e desordem na Casa, e que iria viver sozinho numa casa isolada em Jope. Diante disso, Pedro, humildemente, lhe pediu que reconsiderasse. Tiago, porém, foi inflexível e promoveu a mudança, indo viver numa casinha rodeada de vegetação. Nessa tranquilidade, passou a estudar durante meses os ensinos de Jesus, tratando as flores e louvando a Deus, através de orações com hora certa.

Certa noite, Tiago passou a sentir saudade de Jesus, e ao orar, chorou lembrando intensamente do Mestre. Nisso, viu um desconhecido, como quem caminhava pela noite adentro. Extasiado, Tiago reconheceu que o viajante se apresentava aureolado de luz. Era o próprio Cristo. Imediatamente, ajoelhou-se e esticou os braços para abraçá-lo, quando Jesus passou por ele sem parar. Tiago levanta-se e correndo ao encalço de Jesus, gritou:

“Senhor, Senhor! Acaso, não vês o meu coração apertado de saudade? Aonde vais, Jesus, que não vês que eu preciso tanto de ti?”. Jesus voltou, abraçou Tiago de leve e comunicou-lhe, num sorriso: “Tiago, estás salvo de lutas e tentações, porém vou ao encontro de Pedro, a fim de aliviar-lhe o fardo de humilhações e de lágrimas, no amparo aos nossos irmãos necessitados da Casa do Caminho”, e prosseguiu viagem.

Tiago, arrependido, reuniu seus pertences e retornou à Casa do Caminho. Recebido por Pedro, abraçou-o e disse apenas: “Eu estou aqui”.



Do cap. 50,
Do livro No Roteiro de Jesus

quarta-feira, 20 de abril de 2011

MESTRE DIVINO

Sua luz imperecível brilha sobre os milênios terrestres, como o Verbo do princípio, penetrando o mundo, há quase vinte séculos.
Lutas sanguinárias, guerras de extermínio, calamidades sociais não lhe modificaram um til nas palavras que se atualizam, cada vez mais, com a evolução multiforme da Terra.
Tempestades de sangue e lágrimas nada mais fizeram que avivar-lhes a grandeza. Entretanto, sempre tardios no aproveitamento das oportunidades preciosas, muitas vezes, no curso das existências renovadas, temos desprezado o Caminho, indiferentes ante os patrimônios da Verdade e da Vida.
O Senhor, contudo, nunca nos deixou desamparados.
Cada dia, reforma os títulos de tolerância para com as  nossas dívidas; todavia, é de nosso próprio interesse levantar o padrão da vontade, estabelecer disciplinas para uso pessoal e reeducar a nós mesmos, ao contato do Mestre Divino.
Ele é o Amigo Generoso, mas tantas vezes lhe olvidamos o conselho que somos suscetíveis de atingir obscuras zonas de adiamento indefinível de nossa iluminação interior para a vida eterna.
O Cristo não estabelece linhas divisórias entre o templo e a oficina. Toda a Terra é seu altar de oração e seu campo de trabalho, ao mesmo tempo. Por louvá-lo nas igrejas e menoscabá-lo nas ruas é que temos naufragado mil vezes, por nossa própria culpa. Todos os lugares, portanto, podem ser consagrados ao serviço divino.
Muitos discípulos, nas várias escolas cristãs, entregaram-se a perquirições teológicas, transformando os ensinos do Senhor em relíquia morta dos altares de pedra; no entanto, espera o Cristo venhamos todos a converter-lhe o evangelho de Amor e Sabedoria em companheiro da prece, em livro escolar no aprendizado de cada dia, em fonte inspiradora de nossas mais humildes ações no trabalho comum e em código de boas maneiras no intercâmbio fraternal.
Temos imensas distâncias a vencer no Caminho, para adquirir a Verdade e a Vida na significação integral.

CAMINHO, VERDADE E VIDA
Ditada pelo Espírito:
Emmanuel
Psicografada por:
Francisco Cândido Xavier

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A PRESENÇA FEMININA


Dando sequência à divulgação da Boa Nova, Jesus viajava bastante. Desdobrava suas atividades pelas cidades da Galiléia.
Estagiava cada vez menos em Cafarnaum.
Além dos apóstolos, outros aprendizes o acompanhavam.
Havia, ainda, importante grupo que, em face das próprias tradições judaicas, não aparece com destaque nos Evangelhos:

As mulheres.
A participação feminina contrariava os costumes da época.
Anonimato e a subalternidade lhes eram impostos.
Algumas dessas colaboradoras, segundo Lucas:
"…haviam sido curadas de Espíritos malignos e de enfermidades".
Possuíam, sem dúvida, faculdades mediúnicas.
Não sabendo lidar com a própria sensibilidade, eram influênciadas por entidades perturbadas e perturbadoras.
Jesus não só as libertara como lhes ensinara o recurso maior para que se conservassem saudáveis, física e psiquicamente:

Servir à causa evangélica.
 Quem o faz com dedicação e perseverança, sustenta padrão vibratório elevado, inacessível às sombras.
Lucas cita três mulheres, participantes do grupo:
• Maria de Magdala (Madalena)
Magdala é o nome de pequena cidade de onde viera, usado como cognome para distingui-la das outras Marias que aparecem na narrativa evangélica.
Sofrera a influência Espíritos impuros, afastados por Jesus.
Diz Lucas, textualmente, que:
"…dela saíram sete demônios".
Segundo crenças antigas, demônios eram entidades que presidiam os destinos humanos, individual e coletivamente.
Para os judeus eram almas dos mortos, quando se comprometiam com o mal.
Na Idade Média adotou-se a idéia de que são anjos rebelados contra Deus, que pretendem impor seu domínio sobre os homens.
Há um equívoco na informação de que os demônios saíram dela.
Seria, sem dúvida, problemático, imaginar tantos Espíritos instalados no corpo de alguém, como invasores de uma residência.
Mesmo na chamada subjugação, em que há domínio completo, os obsessores não substituem o obsidiado na máquina física, nem coabitam com ele. Apenas impõem sua vontade, induzindo-o a fazer o que não deseja.
Tantos Espíritos juntos passam idéia de uma equipe organizada para atormentá-la, provavelmente exercitando vingança.
A jovem de Magdala tem sido apresentada como símbolo da meretriz arrependida, que se encantou com os ensinamentos de Jesus e modificou os rumos de sua vida, tornando-se ardorosa discípula. Será?
Não há nenhuma referência ao seu suposto envolvimento com a prostituição.
Essa interpretação equivocada inspira-se no fato de Lucas a apresentar logo após o episódio da pecadora que ungiu os pés de Jesus.
Analisando o texto evangélico, temos uma única certeza:
Maria de Magdala foi curada de uma obsessão.
Situá-la como mundana convertida é exercício de imaginação.

• Joana.
Esposa de Cuza, procurador de Herodes.
Segundo Humberto de Campos, no livro Boa Nova, psicografia de Chico Xavier, foi ardorosa discípula de Jesus, de quem recebeu sábios conselhos para lidar com seu marido, homem rico, envolvido com tricas da política e vida desregrada.
Após sua morte, Joana dedicou-se aos labores evangélicos e teria sido martirizada no circo romano, em glorioso testemunho de suas convicções.

• Suzana.
Nada sabemos dela.
Lucas limita-se a enunciar seu nome.
 O evangelista observa que havia mais mulheres, sem citá-las nominalmente. Apenas revela que eram muitas e que colaboravam financeiramente.
Destacam-se, ainda, nos Evangelhos:
 • Maria, esposa de Alfeu.
Mãe do apóstolo Tiago Menor.

• Maria de Betânia.
Irmã de Marta e Lázaro, este o célebre “ressuscitado”.

• Salomé.
Esposa de Zebedeu, mãe de Tiago Maior e João.

As mulheres nos trabalhos desobsessivos
 Há várias passagens evangélicas em que Jesus liberta homens de Espíritos obsessores.
Não vemos os beneficiários dessas curas participando do movimento. Entre as mulheres, havia inúmeras.
Esse fenômeno é comum. Está presente em todas as religiões.
No Centro Espírita é mais expressivo o contingente de mulheres que frequentam as reuniões e participam de suas atividades.
Um amigo, machista incorrigível, explica:
– Questão de necessidade. A mulher é mais carente, mais frágil, espiritualmente.
Opinião distanciada da realidade.
A alma feminina é mais sensível aos valores espirituais, mais disposta aos testemunhos da fé.
O Homem tende ao materialismo, à preocupação com os negócios…
Envolve-se tanto que não encontra tempo nem disposição para cogitações que transcendam aos interesses imediatistas.

Detalhe significativo:
Várias mulheres acompanharam a via-crúcis de Jesus.
Os homens, com exceção de João, estavam longe…
Temiam represálias.

Tanto quanto Simãos, há várias Marias no Evangelho.
No monte Calvário, acompanhando Jesus, estavam três:
• sua mãe.
• a jovem de Magdala.
• a mãe de Tiago Menor.

Maria, que significa senhora, é o nome mais comum nos países cristãos, homenagem às homônimas que aparecem na vida de Jesus, particularmente sua genitora.
Tem doce musicalidade…
Está impregnado de suave magnetismo…
Vibra doce e terno, como uma carícia em nossos ouvidos…
Inspira composições poéticas…
É repositório de consolação para os sofredores…
Significativamente, principia no eme que todos temos na palma da mão…
Observe, leitor amigo.
É a perene homenagem dos Céus a Maria de Nazaré, consagrada, meritoriamente, mãe espiritual da Humanidade.
Livro Tua fé te salvou

SITE: Richard Simonetti

sexta-feira, 18 de junho de 2010

JESUS

Sempre nós ouvimos falar em Jesus. Vamos hoje saber quem foi ele e o que fez em nosso benefício. Jesus nasceu em Belém, uma cidade da Palestina, e seu nascimento é comemorado todos os anos na noite de Natal. Filho de pais pobres, passou a sua mocidade ajudando-os no sustento do lar, trabalhando de carpinteiro com seu pai que tinha uma pequena oficina. Desde cedo demonstrou possuir uma brilhante inteligência e ainda menino discutia com os mais velhos a lei religiosa de seu tempo.
Quando completou trinta anos, idade em que podia falar livremente, começou a ensinar aos povos a sua doutrina.
Ensinou que nosso principal objetivo deve ser trabalhar para a conquista do reino de Deus e que a humildade e a caridade são as virtudes que nos conduzirão a esse reino.
Combateu os preconceitos, as rivalidades de raça, os hipócritas, os vaidosos, os orgulhosos, os avarentos, os malvados e os egoístas.
Amou os bons, animou os fracos, amparou os pobres, consolou os aflitos e ensinou os pecadores a se regenerarem. Afirmou que se não perdoarmos não poderemos ser perdoados.
Disse-nos que só seremos completamente felizes quando soubermos perdoar e amar o nosso próximo.
Resumiu sua doutrina nos mandamentos: "amai-vos uns aos outros como eu vos amei e não façais aos outros o que não quereis que os outros vos façam".
Como todos os grandes e generosos espíritos que vieram a este mundo para esclarecer a humanidade, Jesus também teve os seus inimigos.
Foi cruelmente perseguido e condenado à morte. Antes de desencarnar, o último exemplo que nos deu foi pedir ao Pai misericordioso que perdoasse os seus perseguidores como ele os perdoava.
Os ensinamentos de Jesus estão contidos nos Evangelhos escritos por seus discípulos.
Jesus foi o espírito mais puro e luminoso que se encarnou na Terra. Tornou-se perfeito primeiro do que nós e por isso devemos considerá-lo como nosso irmão mais velho. Deus lhe confiou a direção da Terra e a de todos os espíritos que aqui se encarnam.
O espírito esclarecido de Jesus guia a humanidade no caminho do progresso e da perfeição; por isso é só a Jesus que devemos chamar de Mestre.


OS EVANGELHOS
A doutrina de Jesus está contida nos Evangelhos ou Novo Testamento, como também são chamados. Além de suas lições, os Evangelhos nos contam a vida de Jesus durante os três anos que dedicou ao esclarecimento da humanidade. Jesus nada deixou escrito.
Todas as tardes, depois do trabalho diário, o povo se reunia ao redor de Jesus e ouvia suas palavras cheias de fé e de esperança e aprendia com ele como devia viver de acordo com as leis de Deus.
Jesus aproveitava todas as ocasiões oportunas para ensinar. Assim, quando ele viajava para Jerusalém, capital de seu país, ele se detinha em todas as aldeias que encontrava no caminho e ensinava aos seus habitantes a sua doutrina.
Jesus escolheu doze discípulos para ajudá-lo a espalhar a palavra de Deus. De vez em quando os enviava às cidades vizinhas para instruírem os seus moradores.
Aos poucos os seus ensinamentos começaram a ser conhecidos por toda a parte.
Quando Jesus partiu para o mundo espiritual onde habita, seus discípulos resolveram escrever as lições do Mestre. Escreveram-se muitos Evangelhos mas os que chegaram até nós são apenas quatro que se atribuem a Mateus, a Marcos, a Lucas e a João.
A parte principal dos Evangelhos é o Sermão da Montanha que se acha no Evangelho de Mateus. Conta-se que esse Sermão foi pronunciado por Jesus de cima de uma colina, rodeado de grande massa de povo.
O sermão da Montanha é o fundamento da Moral Cristã e devemos considerá-lo o regulamento que precisamos observar se quisermos caminhar para Deus.
Os Evangelhos têm passagens suaves e consoladoras que revigoram nosso espírito.
A leitura constante dos Evangelhos é um hábito salutar que devemos adquirir.

52 Lições de Catecismo Espírita
Eliseu Rigonatti

terça-feira, 8 de junho de 2010

Superioridade da Natureza do Cristo

Sem nada prejulgar quanto à natureza do Cristo,considerando-o apenas um Espírito superior, não podemos deixar de reconhecê-lo um dos de ordem mais elevada e colocado, por suas virtudes, muitíssimo acima da humanidade terrestre.

Pelos imensos resultados que produziu, a sua encarnação neste mundo forçosamente há de ter sido uma dessas missões que a Divindade somente a seus mensageiros diretos confia, para cumprimento de seus desígnios.

Mesmo sem supor que ele fosse o próprio Deus, mas unicamente um enviado de Deus para transmitir sua palavra aos homens, seria mais do que um profeta, porquanto seria um Messias divino.

Como homem, tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual, do que da vida corporal, de cujas fraquezas não era passível.

A sua superioridade com relação aos homens não derivava das qualidades particulares do seu corpo, mas das do seu Espírito, que dominava de modo absoluto a matéria e da do seu perispírito, tirado da parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres.

Sua alma, provavelmente, não se achava presa ao corpo, senão pelos laços estritamente indispensáveis. Constantemente desprendida, ela decerto lhe dava dupla vista, não só permanente, como de excepcional penetração e superior de muito à que de ordinário possuem os homens comuns.

O mesmo havia de dar-se, nele, com relação a todos os fenômenos que dependem dos fluidos perispirituais ou psíquicos. A qualidade desses fluidos lhe conferia imensa forca magnética, secundada pelo incessante desejo de fazer o bem.

Agiria como médium nas curas que operava? Poder-se-á considerá-lo poderoso médium curador?
Não, porquanto o médium é um intermediário, um instrumento de que se servem os Espíritos desencarnados e o Cristo não precisava de assistência, pois que era ele quem assistia os outros. Agia por si mesmo, em virtude do seu poder pessoal, como o podem fazer, em certos casos, os encarnados, na medida de suas forças. Que Espírito, ao demais, ousaria insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Se algum influxo estranho recebia, esse só de Deus lhe poderia vir. Segundo definição dada por um Espírito, ele era médium de Deus.

Livro: A Gênese
cap.XV

terça-feira, 27 de abril de 2010

O Servo inconstante

À frente do todos os presentes, o Mestre narrou com simplicidade:
— Certo homem encontrou a luz da Revelação Divina e desejou ardentemente habilitar-se para viver entre os Anjos do Céu.
Tanto suplicou essa bênção ao Pai que, através da inspiração, o Senhor o enviou ao aprimoramento necessário com vistas ao fim a que se propunha.
Por intermédio de vários amigos, orientados pelo Poder Divino, o candidato, que demonstrava acentuada tendência pela escultura, foi conduzido a colaborar com antigo mestre, em mármore valioso. No entanto, a breve tempo, demitiu-se, alegando a impossibilidade de submeter-se a um homem ríspido e intratável; transferiu-se, desse modo, para uma oficina consagrada à confecção de utilidades de madeira, sob as diretrizes de velho escultor. Abandonou-o também, sem delongas, asseverando que lhe não era possível suportá-lo. Em seguida, empregou-se sob as determinações de conhecido operário especializado em construção de colunas em estilo grego. Não tardou, entretanto, a deixá-lo, declarando não lhe tolerar as exigências.
Logo após, entregou-se ao trabalho, sob as ordens de experimentado escultor de ornamentações em arcos festivos, mas, finda uma semana, fugiu aos compromissos assumidos, afirmando haver encontrado um chefe por demais violento e irritadiço. Depois, colocou-se sob a orientação de um fabricante de arcas preciosas, de quem se afastou, em poucos dias, a pretexto de se tratar de criatura desalmada e cruel.
E, assim, de tarefa em tarefa, de oficina em oficina, o aspirante ao Céu dizia, invariavelmente, que lhe não era possível incorporar as próprias energias à experiência terrestre, por encontrar, em toda parte, o erro, a maldade e a perseguição nos que o dirigiam, até que a morte veio buscá-lo à presença dos Anjos do Senhor.
Com surpresa, porém, não os encontrou tão sorridentes quanto aguardava. Um deles avançou, triste, e indagou:
— Amigo, por que não te preparaste ante os imperativos do Céu?
O interpelado que identificava a própria inferioridade, nas sombras em que se envolvia, clamou em pranto que só havia encontrado exigência e dureza nos condutores da luta humana.
O Mensageiro, no entanto, observou, com amargura:
— O Pai chamou-te a servir em teu próprio proveito e, não, a julgar. Cada homem dará conta de si mesmo a Deus. Ninguém escapará à Justiça Divina que se pronuncia no momento preciso. Como pudeste esquecer tão simples verdade, dentro da vida? O malho bate a bigorna, o ferreiro conduz o malho, o comerciante examina a obra do ferreiro, o povo dá opinião sobre o negociante, e o Senhor, no Conjunto, analisa e julga a todos. Se fugiste a pequenos serviços do mundo, sob a alegação de que os outros eram incapazes e indignos da direção, como poderás entender o ministério celestial?
E o trabalhador inconstante passou às conseqüências de sua queda impensada.
Jesus fez uma pausa e concluiu:
— Quem estiver sob o domínio de pessoas enérgicas e endurecidas na disciplina, excelentes resultados conseguirá recolher se souber e puder aproveitar-lhes a aspereza, inspirando-se na madeira bruta ao contacto da plaina benfeitora. Abençoada seja a mão que educa e corrige, mas bem-aventurado seja aquele que se deixa aperfeiçoar ao seu toque de renovação e aprimoramento, porque os mestres do mundo sempre reclamam a lição de outros mestres, mas a obra do bem, quando realizada para todos, permanece eternamente.

Jesus no Lar
Pelo Espírito de Neio Lúcio Franciso C Xavier

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O mensageiro do amor

Falava-se na reunião, com respeito à preponderância dos sábios na Terra, quando Jesus tomou a palavra e contou, sereno e simples:

— Há muitos anos, quando o mundo perigava em calamitosa crise de ignorância e perversidade, o Poderoso pai enviou-lhe um mensageiro da ciência, com a missão de entregar-lhe gloriosa mensagem de vida eterna. Tomando forma, nos círculos da carne, o esclarecido obreiro fez-se professor e, sumamente interessado em letras, apaixonou-se exclusivamente pelas obras da inteligência, afastando-se, enojado, da multidão inconsciente e declarando que vivia numa vanguarda luminosa, inacessível à compreensão das pessoas comuns.

Observando-o incapaz de atender aos compromissos assumidos, o Senhor Compassivo providenciou a viagem de outro portador da ciência que, decorrido algum tempo, se transformou em médico admirado.

O novo arauto da Providência refugiou-se numa sala de ervas e beberagens, interessando se tão somente pelo contacto com enfermos importantes, habilitados à concessão de grandes recompensas, afirmando que a plebe era demasiado mesquinha para cativar-lhe a atenção.

O Todo-Bondoso determinou, então, a vinda de outro emissário da ciência, que se converteu em guerreiro célebre. Usou a espada do cálculo com mestria, pôs-se à ilharga de homens astuciosos e vingativos e, afastando-se dos humildes e dos pobres, afirmava que a única finalidade do povo era a de salientar a glória dos dominadores sanguinolentos.

Contristado com tanto insucesso, o Senhor Supremo expediu outro missionário da ciência, que, em breve, se fez primoroso artista. Isolou-se nos salões ricos e fartos, compondo música que embriagasse de prazer o coração dos homens provisoriamente felizes e afiançou que o populacho não lhe seduzia a sensibilidade que ele mesmo acreditava excessivamente avançada para o seu tempo.
Foi, então, que o Excelso Pai, preocupado com tantas negações, ordenou a vinda de um mensageiro de amor aos homens.
Esse outro enviado enxergou todos os quadros da Terra, com imensa piedade. Compadeceu-se do professor, do médico, do guerreiro e do artista, tanto quanto se comoveu ante a desventura e a selvageria da multidão e, decidido a trabalhar em nome de Deus, transformou-se no servo diligente de todos.

Passou a agir em benefício geral e, identificado com o povo a que viera servir, sabia desculpar infinitamente e repetir mil vezes o mesmo esforço ou a mesma lição. Se era humilhado ou perseguido, buscava compreender na ofensa um desafio benéfico à sua capacidade de desdobrar-se na ação regeneradora, para testemunhar reconhecimento à confiança do Pai que o enviara.

Por amar sem reservas os seus irmãos de luta, em muitas situações foi compelido a orar e pedir o socorro do Céu, perante as garras da calúnia e do sarcasmo; entretanto, entendia, nas mais baixas manifestações da natureza humana, dobrados motivos para consagrar-se, com mais calor, à melhoria dos companheiros animalizados, que ainda desconheciam a grandeza e a sublimidade do Pai Benevolente que lhes dera o ser.

Foi assim, fazendo-se o último de todos, que conseguiu acender a luz da fé renovadora e da bondade pura no coração das criaturas terrestres, elevando-as a mais alto nível, com plena vitória na divina missão de que fora investido.

Houve ligeira pausa na palavra doce do Messias e, ante a quietude que se fizera espontânea no ruidoso ambiente de minutos antes, concluiu ele, com expressivo acento na voz:

— Cultura e santificação representam forças inseparáveis da glória espiritual. A sabedoria e o amor são as duas asas dos anjos que alcançaram o Trono Divino, mas, em toda parte, quem ama segue à frente daquele que simplesmente sabe.

Jesus no Lar
Pelo Espírito de Neio Lúcio
Franciso C Xavier

sábado, 27 de março de 2010

Mundo de Regeneração

“Bem- aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”. Mateus, 5:5

Devemos entender que a Terra, esta caminhando para ser um mundo de regeneração, será a morada futura dos espíritos bons que nela estão encarnados, pois os maus não poderão retornar mais aqui, e sim para um planeta inferior, que esteja de acordo com o seu grau evolutivo.
Neste momento na Terra encontramos os que espalham o mal e os que semeiam o bem.
Então já sabemos em qual grupo queremos ficar!
Jesus nos aconselhou a pagar o mal com o bem, não devemos retribuir o mal com o mal.
Pode ser mínimas nossa boas ações, mas elas contribuirão muito para a melhora do nosso planeta. Como aquela avezinha que molhava suas asas tentando apagar um incêndio da floresta, mesmo ela sabendo que sozinha não conseguiria apagar o incêndio, ela tinha consciência de que estava fazendo a parte dela. Quem sabe se cada um de nós tentarmos ser como a avezinha, somando nossos esforços contribuiremos para a melhoria do mundo, fazendo com que ele se torne mais rápido, esse mundo de regeneração que tanto queremos.
Angel

segunda-feira, 15 de março de 2010

SACIADOS, PORÉM, VAZIOS


Mas, ai de vós, ricos! Porque tendes vossa consolação no mundo. – Ai de vós que estais saciados, porque tereis fome. – Ai de vós que rides agora, porque sereis reduzidos ao pranto e às lágrimas. (SÃO LUCAS, 6:24-25).

Jesus, o mestre dos mestres, chamava a atenção das pessoas com alegorias que estimulavam um mergulho na reflexão para convertê-las em sabedoria e em comportamentos saudáveis que podem ser carregados eternamente por aqueles que aprendem a desfrutar das suas palavras.
Já é sabido que a posição financeira no mundo é transitória e que a verdadeira posse são os bens do espírito. Esses são os verdadeiros, são os que a ferrugem e os vermes não devoram nem os ladrões roubam, conforme assinalaria o Cristo.
As palavras do Mestre precisam ser lançadas para estudar o campo íntimo. Buscar o entendimento baseado em comportamentos e ações é o meio mais seguro para entender Jesus.
O termo saciado parece bem interessante neste contexto. Saciado é aquele que está plenamente satisfeito, farto e sente que não precisa de mais nada. É aquele estado de conformismo orgulhoso de quem pensa que já sabe de tudo e que todo conhecimento novo pode ser descartado. Evoluir, mudar e transformar são termos obsoletos que o saciado não utiliza.
Por trás das palavras do Mestre está o alerta sobre o risco que corremos ao aceitar plenamente que as coisas como estão nos bastam. A satisfação que imobiliza e acomoda não estimula a persistência nem a ousadia, pelo contrário, induz à permanência e à limitação, gerando no futuro pranto e lágrimas.
É preciso que se lembre de que as palavras pranto e lágrimas não estão colocadas para ameaçar e sim para demonstrar que o acomodado será movimentado pela vida e este movimento, convite à renovação, constantemente interpretado como dor e sofrimento, é extremamente útil e necessário para as leis da evolução.
Aprendemos com a Doutrina Espírita que estamos em processo evolutivo. Isso quer dizer que estamos aprendendo a explorar nossos potenciais, que ainda temos muito caminho pela frente e precisamos nos lançar na vida. Este modo de pensar contraria e provoca aqueles que se dizem saciados.
Sentir-se completo e terminado pode resultar em desânimo, falta de mobilidade, provoca cansaço e tédio. “Já que sempre fazemos as mesmas coisas e do mesmo jeito, não encontramos ânimo e vontade”


revista DELFOS – Ano IX – Edição2 – nº34

segunda-feira, 1 de março de 2010

O PROBLEMA, NÃO É A RELIGIÃO...


... e sim a rigidez religiosa.

“O coração do homem determinam as suas palavras.” Mat.12:34

Jesus frequentemente seguiu a paixão do seu coração, mesmo quando ela não fazia nenhum sentido lógico para aqueles que o cercavam. Quando decidiu escolher um grupo de discípulos para o seu circulo mais chegado de amigos, o seu principal critério não foi educação e nem mesmo a inteligência. Ele preferiu aqueles capazes de “entender com o coração”. Jesus não tentou mudar o mundo com uma nova filosofia ou um melhor conjunto de princípios espirituais que pudessem ser ensinados de modo acadêmico. Ele sabia que o Reino de Deus seria difundido pelo impacto do que as pessoas sentiam no coração.

Justificamos na mente o que decidimos no coração”

Jesus ensinou que a forma mais elevada do desenvolvimento humano é amar os nossos semelhantes. Embora devamos aspirar a esse estado, não é fácil alcançá-lo. Todas as religiões contem um conjunto de regras ou rituais que são usados para estruturar as atividades religiosas dos participantes. As regras que Jesus praticava serviam para facilitar o amor aos outros. Para ele, os mandamentos de Deus existiam para ajudar os seres humanos a alcançar o seu estado mais elevado, desenvolvendo a capacidade de “amar uns aos outro”.
Quando as regras passam a ser mais importantes do que os indivíduos que as seguem, a religião pode tornar-se nociva. Jesus considerava ofensivas as pessoas pegarem as Escrituras, que tem o potencial de uni-las a Deus e aos outros, e as usarem para exercer poder.
Para Jesus, a religião deveria produzir compaixão e conexão e não arrogância e autoritarismo.
Fica evidente nos ensinamentos de Jesus que o amor e a reconciliação com os outros são mais importantes do que qualquer ritual religioso.



Jesus, o maior psicológo que já existiu


Mark W. Baker