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sábado, 12 de janeiro de 2013

Sofrer = Aprender

Em 1993 Chico foi surpreendido por duas pessoas que lhe fizeram a seguinte proposta: teria os estudos pagos no melhor colégio da cidade e ainda receberia dinheiro para ajudar a família, conquanto assumisse a autoria do Parnaso do Além-Túmulo e negasse a existência dos Espíritos durante duas palestras, uma no auditório da Escola Normal e outro no Teatro Municipal.
- Não posso mentir para mim mesmo. Ouço a voz de minha mãe, e escrevo poemas que não são meus.
- Chico, você conhece um passarinho chamado sofrê?
- Não.
- O sofrê é um pássaro que imita os outros. Você nasceu com a vocação desse passarinho entre os poetas. Não acredite em Espíritos. Esses poemas que você julga psicografar são somente seus.
Nesse momento surgiu Emmanuel para pôr um fim ao diálogo.
- Chico, volte a Pedro Leopoldo e procuremos trabalhar. Você Não é um sofrê, mas precisa sofrer muito para aprender.

                                                       *************

Pois é meus irmãos, as vezes precisamos sofrer para aprender. 
Feliz daqueles que aprendem com seus erros e não erra mais, 
esse alcançou mais um degrau na sabedoria.

Ótimo Final de Semana

Angel

segunda-feira, 16 de abril de 2012

PROFECIAS DE CHICO XAVIER

O jornal Folha Espírita de maio de 2011 traz uma revelação feita em 1986, pelo médium Francisco Cândido Xavier sobre o futuro reservado ao planeta Terra e a todos os seus habitantes nos próximos anos. A revelação foi feita a Geraldo Lemos Neto, fundador da Casa de Chico Xavier de Pedro Leopoldo (MG) e da Vinha de Luz Editora, mas somente agora ele resolveu falar.

O "engraçado" é que eu no começo da leitura não botei muita fé nessa "profecia", mas enquanto lia fui ficando muito sério. Isso porque as partes que marquei em negrito batem EXATAMENTE com o que Oráculo havia nos falado nas últimas décadas. Muito do que ela falou eu compartilhei em posts e comentários no blog antigo (os comentário se perderam para sempre, mas algumas pessoas ainda lembram de eu falar sobre a vinda de refugiados vindo para o Brasil, não é mesmo?). Os posts ainda estão por aí, ou ainda serão publicados (um deles, de 2004, foi publicado agora, que fala de futuros equipamentos pra se comunicar com o mundo dos mortos). E muito do que ela dizia já era pra ter acontecido, por volta do fim do milênio e começo da década, mas não aconteceu por motivos que nem ela sabia.

Este é um resumo dos pontos interessantes do texto. A íntegra pode ser lida no exemplar nº 439, ano XXXV, de maio de 2011 do jornal Folha Espírita:

"Há muito tempo carrego este fardo comigo e sempre me preocupei no sentido de que Chico Xavier não me falaria tudo o que relato nesta edição da Folha Espírita à toa, senão com uma finalidade específica. Na ocasião da conversa que descrevo nas páginas seguintes, senti que mi'nha mente estava recebendo um tratamento mnemônico diferente para que não viesse a esquecer aquelas palavras proféticas, e que, em momento oportuno do futuro, eu seria chamado a testemunhá-las.

Tive a felicidade de conviver na intimidade com Chico Xavier, dialogando com ele vezes sem conta, madrugada a dentro, sobre variados assuntos de nossos interesses comuns, notadamente sobre esclarecimentos palpitantes acerca da Doutrina dos Espíritos e do Evangelho de Jesus. Um desses temas foi em relação ao Apocalipse, do Novo Testamento. Desde então, em nossos colóquios, Chico Xavier tinha sempre uma ou outra palavra esclarecedora sobre o assunto, pontuando esse ou aquele versículo e fazendo-me compreender, aos poucos, o momento de transição pelo qual passa o nosso orbe planetário, a caminho da regeneração."

Numa dessas conversas, lembrando o livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, escrito pelo espírito Humberto de Campos, Lemos Neto externou ao Chico sua dúvida quanto ao título do livro, uma vez que ainda naquela ocasião, em meados da década de 80, o Brasil vivia às voltas com a hiperinflação, a miséria, a fome, as grandes disparidades sociais, o descontrole político e econômico, sem falar nos escândalos de corrupção e no atraso cultural.

"Lembro-me, como hoje, a expressão surpresa do Chico me respondendo:


"Ora, Geraldinho, você está querendo privilégios para a Pátria do Evangelho, quando o fundador do Evangelho, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, viveu na pobreza, cercado de doentes e necessitados de toda ordem, experimentou toda a sorte de vicissitudes e perseguições para ser supliciado quase abandonado pelos seus amigos mais próximos e morrer crucificado entre dois ladrões? Não nos esqueçamos de que o fundador do Evangelho atravessou toda sorte de provações, padeceu o martírio da cruz, mas depois ele largou a cruz e ressuscitou para a Vida Imortal! Isso deve servir de roteiro para a Pátria do Evangelho. Um dia haveremos de ressuscitar das cinzas de nosso próprio sacrifício para demonstrar ao mundo inteiro a imortalidade gloriosa!"

Na sequência da nossa conversa, perguntei ao Chico o que ele queria exatamente dizer a respeito do sacrifício do Brasil. Estaria ele a prever o futuro de nossa nação e do mundo? 
Chico pensou um pouco, como se estivesse vislumbrando cenas distantes e, depois de algum tempo, retornou para dizer-nos: 


"Você se lembra, Geraldinho, do livro de Emmanuel A Caminho da Luz? Nas páginas finais da narrativa, no cap. XXIV, cujo título é O Espiritismo e as Grandes Transições, nele Emmanuel afirmara que os espíritos abnegados e esclarecidos falavam de uma nova reunião da comunidade das potências angélicas do Sistema Solar, da qual é Jesus um dos membros divinos, e que a sociedade celeste se reuniria pela terceira vez na atmosfera terrestre, desde que o Cristo recebeu a sagrada missão de redimir a nossa humanidade, para, enfim, decidir novamente sobre os destinos do nosso mundo.

Pois então, Emmanuel escreveu isso nos idos de 1938 e estou informado que essa reunião de fato já ocorreu. Ela se deu quando o homem finalmente ingressou na comunidade planetária, deixando o solo do mundo terrestre para pisar pela primeira vez o solo lunar. O homem, por seu próprio esforço, conquistou o direito e a possibilidade de viajar até a Lua, fato que se materializou em 20 de julho de 1969. Naquela ocasião, o Governador Espiritual da Terra, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, ouvindo o apelo de outros seres angelicais de nosso Sistema Solar, convocara uma reunião destinada a deliberar sobre o futuro de nosso planeta. 
O que posso lhe dizer, Geraldinho, é que depois de muitos diálogos e debates entre eles foram dadas diversas sugestões e, ao final do celeste conclave, a bondade de Jesus decidiu conceder uma última chance à comunidade terráquea, uma última moratória para a atual civilização no planeta Terra. Todas as injunções cármicas previstas para acontecerem ao final do século XX foram então suspensas, pela Misericórdia dos Céus, para que o nosso mundo tivesse uma última chance de progresso moral.
O curioso é que nós vamos reconhecer nos Evangelhos e no Apocalipse exatamente este período atual, em que estamos vivendo, como a undécima hora ou a hora derradeira, ou mesmo a chamada última hora."
Continua...

MORATÓRIA DE 50 ANOS A SOCIEDADE TERRENA

Perguntei-lhe sobre qual fora então as deliberações de Jesus, e ele me respondeu: 
"Nosso Senhor deliberou conceder uma moratória de 50 anos à sociedade terrena, a iniciar-se em 20 de julho de 1969, e, portanto, a findar-se em julho de 2019. 

Ordenou Jesus, então, que seus emissários celestes se empenhassem mais diretamente na manutenção da paz entre os povos e as nações terrestres, com a finalidade de colaborar para que nós ingressássemos mais rapidamente na comunidade planetária do Sistema Solar, como um mundo mais regenerado, ao final desse período. Algumas potências angélicas de outros orbes de nosso Sistema Solar recearam a dilação do prazo extra, e foi então que Jesus, em sua sabedoria, resolveu estabelecer uma condição para os homens e as nações da vanguarda terrestre. 

Segundo a imposição do Cristo, as nações mais desenvolvidas e responsáveis da Terra deveriam aprender a se suportarem umas às outras, respeitando as diferenças entre si, abstendo-se de se lançarem a uma guerra de extermínio nuclear. 
A face da Terra deveria evitar a todo custo a chamada III Guerra Mundial. Segundo a deliberação do Cristo, se e somente se as nações terrenas, durante este período de 50 anos, aprendessem a arte do bom convívio e da fraternidade, evitando uma guerra de destruição nuclear, o mundo terrestre estaria enfim admitido na comunidade planetária do Sistema Solar como um mundo em regeneração. 

Nenhum de nós pode prever, Geraldinho, os avanços que se darão a partir dessa data de julho de 2019, se apenas soubermos defender a paz entre nossas nações mais desenvolvidas e cultas!"


Perguntei, então, ao Chico a que avanços ele se referia e ele me respondeu:
 "Nós alcançaremos a solução para todos os problemas de ordem social, como a solução para a pobreza e a fome, que estarão extintas; teremos a descoberta da cura de todas as doenças do corpo físico pela manipulação genética nos avanços da Medicina; o homem terrestre terá amplo e total acesso à informação e à cultura, que se fará mais generalizada; também os nossos irmãos de outros planetas mais evoluídos terão a permissão expressa de Jesus para se nos apresentarem abertamente, colaborando conosco e oferecendo-nos tecnologias novas, até então inimagináveis ao nosso atual estágio de desenvolvimento científico; haveremos de fabricar aparelhos que nos facilitarão o contato com as esferas desencarnadas, possibilitando a nossa saudosa conversa com os entes queridos que já partiram para o além-túmulo; enfim estaríamos diante de um mundo novo, uma nova Terra, uma gloriosa fase de espiritualização e beleza para os destinos de nosso planeta."

Foi então que, fazendo as vezes de advogado do diabo, perguntei a ele: Chico, até agora você tem me falado apenas da melhor hipótese, que é esta em que a humanidade terrestre permaneceria em paz até o fim daquele período de 50 anos. Mas, e se acontecer o caso das nações terrestres se lançarem a uma guerra nuclear?


"Ah! Geraldinho, caso a humanidade encarnada decida seguir o infeliz caminho da III Guerra mundial, uma guerra nuclear de conseqüências imprevisíveis e desastrosas, aí então a própria mãe Terra, sob os auspícios da Vida Maior, reagirá com violência imprevista pelos nossos homens de ciência. 
O homem começaria a III Guerra, mas quem iria terminá-la seriam as forças telúricas da natureza, da própria Terra cansada dos desmandos humanos, e seríamos defrontados então com terremotos gigantescos; maremotos e ondas (tsunamis) consequentes; veríamos a explosão de vulcões há muito extintos; enfrentaríamos degelos arrasadores que avassalariam os pólos do globo com trágicos resultados para as zonas costeiras, devido à elevação dos mares; e, neste caso, as cinzas vulcânicas associadas às irradiações nucleares nefastas acabariam por tornar totalmente inabitável todo o Hemisfério Norte de nosso globo terrestre."
continua...

O QUE ACONTECERIA ESPECIFICAMENTE COM O BRASIL?

Segundo o médium, em todas as duas situações o Brasil cumprirá o seu papel no grande processo de espiritualização planetária. 
Na melhor das hipóteses, nossa nação crescerá em importância sociocultural, política e econômica perante a comunidade das nações. Não só seremos o celeiro alimentício e de matérias-primas para o mundo, como também a grande fonte energética, com o descobrimento de enormes reservas petrolíferas que farão da Petrobrás uma das maiores empresas do mundo. 
O Brasil crescerá a passos largos e ocupará importante papel no cenário global, isso terá como consequência a elevação da cultura brasileira ao cenário internacional e, a reboque, os livros do Espiritismo Cristão, que aqui tiveram solo fértil no seu desenvolvimento, atingirão o interesse das outras nações também. Agora, caso ocorra a pior hipótese, com o Hemisfério Norte do planeta tornando-se inabitável, grandes fluxos migratórios se formariam então para o Hemisfério Sul, onde se situa o Brasil, que então seria chamado mais diretamente a desempenhar o seu papel de Pátria do Evangelho, exemplificando o amor e a renúncia, o perdão e a compreensão espiritual perante os povos migrantes.

A Nova Era da Terra, neste caso, demoraria mais tempo para chegar com todo seu esplendor de conquistas científicas e morais, porque seria necessário mais um longo período de reconstrução de nossas nações e sociedades, forçadas a se reorganizarem em seus fundamentos mais básicos.'

Segundo Chico me revelou, o que restasse da ONU acabaria por decidir a invasão das nações do Hemisfério Sul, incluindo-se aí obviamente o Brasil e o restante da América do Sul, a Austrália e o sul da África, a fim de que nossas nações fossem ocupadas militarmente e divididas entre os sobreviventes do holocausto no Hemisfério Norte. Aí é que nós, brasileiros, iríamos ser chamados a exemplificar a verdadeira fraternidade cristã, entendendo que nossos irmãos do Norte, embora invasores a "mano militare", não deixariam de estar sobrecarregados e aflitos com as consequências nefastas da guerra e das hecatombes telúricas, e, portanto, ainda assim, devendo ser considerados nossos irmãos do caminho, necessitados de apoio e arrimo, compreensão e amor.

Neste ponto da conversa, Chico fez uma pausa na narrativa e completou: 


"Nosso Brasil como o conhecemos hoje será então desfigurado e dividido em quatro nações distintas. Somente uma quarta parte de nosso território permanecerá conosco e aos brasileiros restarão apenas os Estados do Sudeste, somados a Goiás e ao Distrito Federal. Os norte-americanos, canadenses e mexicanos ocuparão os Estados da Região Norte do País, em sintonia com a Colômbia e a Venezuela. Os europeus virão ocupar os Estados da Região Sul do Brasil unindo-os ao Uruguai, à Argentina e ao Chile. Os asiáticos, notadamente chineses, japoneses e coreanos, virão ocupar o nosso Centro-Oeste, em conexão com o Paraguai, a Bolívia e o Peru. E, por fim, os Estados do Nordeste brasileiro serão ocupados pelos russos e povos eslavos. Nós não podemos nos esquecer de que todo esse intrincado processo tem a sua ascendência espiritual e somos forçados a reconhecer que temos muito que aprender com os povos invasores. 

Vejamos, por exemplo: os norte-americanos podem nos ensinar o respeito às leis, o amor ao direito, à ciência e ao trabalho. 
Os europeus, de uma forma geral, poderão nos trazer o amor à filosofia, à música erudita, à educação, à história e à cultura. 
Os asiáticos poderão incorporar à nossa gente suas mais altas noções de respeito ao dever, à disciplina, à honra, aos anciãos e às tradições milenares. E, então, por fim, nós brasileiros, ofertaremos a eles, nossos irmãos na carne, os mais altos valores de espiritualidade que, mercê de Deus, entesouramos no coração fraterno e amigo de nossa gente simples e humilde, essa gente boa que reencarnou na grande nação brasileira para dar cumprimento aos desígnios de Deus e demonstrar a todos os povos do planeta a fé na Vida Superior, testemunhando a continuidade da vida além-túmulo e o exercício sereno e nobre da mediunidade com Jesus".

Segundo Chico Xavier, o Brasil não terá privilégios e sofrerá também os efeitos de terremotos e tsunamis, notadamente nas zonas costeiras. Acontece que, de acordo com o médium, o impacto por aqui será bem menor se comparado com o que sobrevirá no Hemisfério Norte do planeta.

Outra decisão dos benfeitores espirituais da Vida Maior foi a que determinou que, após o alvorecer do ano 2000 da Era Cristã, os espíritos empedernidos no mal e na ignorância não mais receberiam a permissão para reencarnar na face da Terra. Reencarnar aqui, a partir dessa data, equivaleria a um valioso prêmio justo, destinado apenas aos espíritos mais fortes e preparados, que souberam amealhar, no transcurso de múltiplas reencarnações, conquistas espirituais relevantes como a mansidão, a brandura, o amor à paz e à concórdia fraternal entre povos e nações. Insere-se dentro dessa programação de ordem superior a própria reencarnação do mentor espiritual de Chico Xavier, o espírito Emmanuel, que, de fato, veio a renascer, segundo Chico informou a variados amigos mais próximos, exatamente no ano 2000. 
Todos os demais espíritos, recalcitrantes no mal, seriam então, a partir de 2000, encaminhados forçosamente à reencarnação em mundos mais atrasados, de expiações e de provas aspérrimas, ou mesmo em mundos primitivos, vivenciando ainda o estágio do homem das cavernas, para poderem purgar os seus desmandos e a sua insubmissão aos desígnios superiores. Chico Xavier tinha conhecimento desses mundos para onde os espíritos renitentes estariam sendo degredados. Segundo ele, o maior desses planetas se chamaria Kírom ou Quírom.

O próprio Emmanuel, através de Chico Xavier, respondendo a uma entrevista já publicada em livro nos diz que as profecias são reveladas aos homens para não serem cumpridas. São na realidade um grande aviso espiritual para que nos melhoremos e afastemos de nós a hipótese do pior caminho.

Saindo da Matrix

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O GIGANTE DEITADO

Nascido em Ituiutaba (MG), em 1 de novembro de 1939 e tendo desencarnado em 25 de novembro de 1989, a vida de médium Jerônimo Mendonça foi um exemplo de superação de limites.
Totalmente paralítico há mais de trinta anos, sem mover nem o pescoço, cego há mais de vinte anos, com artrite reumatóide que lhe dava dores terríveis no peito e em todo o corpo, era levado por mãos amigas por todo o Brasil a fora para proferir palestras.
Foi tão grande o seu exemplo que foi apelidado “O Gigante Deitado” pelos amigos e pela imprensa.


Houve uma época, em meados de 1960, quando ainda enxergava, que Jerônimo quase desencarnou de uma hemorragia acentuada das vias urinárias.
Estava internado num hospital de Ituiutaba quando o médico, amigo, chamou seus companheiros espíritas que ali estavam e lhes disse que o caso não tinha solução. A hemorragia não cedia e ele ia desencarnar.
- Doutor, será que podemos pelo menos levá-lo até Uberaba para despedir-se de Chico Xavier? Eles são tão amigos!
- Só se for de avião. De carro ele morre no meio do caminho.
Um de seus amigos tinha avião. Levaram-no para Uberaba. O lençol que o cobria era branco e quando chegaram a Uberaba estava vermelho, tinto de sangue.
Chegaram na Comunhão Espírita onde Chico trabalhava, mas ele não estava naquela hora, participava de trabalho de peregrinação, visita fraterna, levando pão e o evangelho aos pobres e doentes.
Ao chegar, vendo o amigo vermelho de sangue, disse Chico:
- Olha só quem está nos visitando! O Jerônimo! Está parecendo uma rosa vermelha! Vamos todos dar um beijo nessa rosa, mas com muito cuidado para ela não se despetalar!
Um a um, os companheiros passavam e lhe davam um suave beijo no rosto. Ele sentia a vibração de energia fluídica que recebia em cada beijo. Finalmente, Chico deu-lhe um beijo, colocando a mão no seu abdome e assim permanecendo por alguns minutos.
Era a sensação de um choque de alta voltagem saindo da mão de Chico, o que Jerônimo percebeu. A hemorragia parou.
Ele que, fraco, havia ido ali se despedir para desencarnar, acabou fazendo a explanação evangélica a pedido de Chico. Em seguida, veio a seguinte explicação:
- Você sabe o porquê desta hemorragia, Jerônimo?
- Não, Chico.
- Foi porque você aceitou o “coitadinho”. Coitadinho do Jerônimo, coitadinho… Você desenvolveu a autopiedade. Começou a ter dó de você mesmo. Isso gerou um processo destrutivo. O seu pensamento negativo fluidicamente interferiu no seu corpo físico, gerando a lesão. Doravante Jerônimo, vença o coitadinho. Tenha bom ânimo, alegre-se, cante, brinque, para que os outros não sintam piedade de você.
Jerônimo sobreviveu quase trinta anos após a hemorragia “fatal”. Venceu o “coitadinho”.
Que essa história nos seja um exemplo para que nos momentos difíceis tenhamos bom ânimo, vencendo a nossa tendência natural de autopiedade e esmorecimento.

Fonte: autor desconhecido.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

CHICO XAVIER

Os rumores persistiam na cidade. Um padre de Belo Horizonte fez um discurso inflamado na igreja de Pedro Leopoldo contra o espiritismo e encerrou o sermão mandando Chico Xavier para o inferno. O rapaz, impressionado, correu para o colo invisível da mãe, contou seu drama e ouviu dela o muxoxo:
- E daí? Ele te mandou para o inferno, mas você não vai. Fique na Terra mesmo...
Poucas semanas depois, um intelectual, também de Minas, desembarcou na cidade. Chico vestiu sua melhor roupa e, com a pasta de poemas debaixo do braço, foi levado por um amigo até o forasteiro. O literato passou os olhos pelos versos, classificou tudo como "bobagem" e, com os olhos fixos no autor, encheu a boca:
- Este rapaz é uma besta.
O amigo de Chico defendeu a inteligência dele, sua dedicação aos espíritos, seu cuidado com os poemas vindos do outro mundo. O intelectual reviu seu julgamento.
É uma besta espírita.
Chico, inconformado, buscou abrigo, mais uma vez, sob as saias de Maria João de Deus.
Viu como eu fui insultado?
Ouviu mais um muxoxo materno:
- Não vejo insulto algum. Acho até que você foi muito honrado. Uma besta é um animal de trabalho. E é valioso e útil, a serviço do espiritismo, quando não dá coices.
Preocupado com a própria "rebeldia" e em estado de depressão, Chico teve mais uma visão. Um burro teimoso atrelado a uma carroça carregada de documentos puxava a carga e encarava com inveja os companheiros livres no pasto. De vez em quando, enquanto era alimentado com água e alfafa, assistia, de longe, às brigas violentas entre os colegas. Uma sucessão de coices sanguinolentos. Chico olhou aquele burro e pensou: talvez fosse melhor estar sob freios do que estar solto no pasto da vida para escoicear e ser escoiceado.
- Aprendi a lição - disse ele, pronto para receber os arreios.
Chico já estava cansado. Trabalhava, lutava no centro, fazia caridade, escrevia quase por compulsão e continuava desacreditado. Ele reclamava dos incrédulos, se queixava dos comentários envenenados e se entregava à reza. Após uma das várias orações, Maria João de Deus voltou à cena e, em vez de um conselho, sugeriu um remédio.
- Meu filho, para curar essas inquietações, você deve usar água da paz.
Chico saiu à procura do remédio em todas as farmácias de Pedro Leopoldo. Nada.
Recorreu a Belo Horizonte. Nada de novo. Ao fim de duas semanas, comunicou à mãe o fracasso da busca. A aparição ensinou:
- Não precisava viajar. Você poderá obter o remédio em casa mesmo. Pode ser a água do pote.
- Como assim?
- Quando alguém lhe fizer provocações, beba um pouco de água pura e conserve-a na boca. Não a lance fora nem a engula. Enquanto persistir a tentação de responder,guarde a água da paz banhando a língua.
Chico engoliu a lição do silêncio. E digeriu.
Nessa noite, sentiu o braço movido por alguém. Tomou o lápis e despejou os versos:
"Meu amigo, se desejas:
paz crescente e guerra pouca,
ajuda sem reclamar
e aprende a calar a boca".

As vidas de Chico Xavier
Marcel Souto Maior

quarta-feira, 1 de junho de 2011

FATOS DA VIDA DE CHICO

Mulheres também atormentavam o balzaquiano mais casto da cidade. Uma vez, Chico abriu a boca numa sessão espírita em belo horizonte e deixou escapar uma voz encorpada, densa, vibrante. O rosto do rapaz ganhou ares aristocráticos. Após o discurso, o dono do vozeirão se identificou. Era Emmanuel. Azar de Chico. Uma das espectadoras, filha de um embaixador argentino perdeu a cabeça. Tinha encontrado o homem de sua vida.
A sessão terminou, a moça se agarrou ao braço do médium e não soltou mais. Quando Chico entrou na sala de passes, ela entrou atrás e trancou a porta. Para garantir privacidade, arrancou a chave da fechadura e guardou no bolso. O dublê de Emmanuel não sabia o que fazer com aquela mulher entre os braços. Ela queria casar, ter filhos, recitar o Evangelho Segundo Espiritismo para ele, ajudar todos os pobres do Brasil, doar.... Chico tentou escapulir em tom paternal:
- Minha filha, não tenho programa de casamento. Não valho mais nada e seria sua infelicidade. Você se apaixonou por Emmanuel e não por mim. Tenha paciência. Jesus há de nos ajudar. Você encontrara um homem bom que a fará feliz. Eu já não sou mais homem. Nada posso fazer.

Naquela época, Chico, um solteirão de fala mansa e gestos femininos, sofria insinuações maliciosas. E recorria a respostas prontas para justificar seu celibato.
-Devo me dedicar à família espírita, à família universal. Não posso ficar preso a uma mulher.

A moça insistia. Chico sofreu para convencê-la a abrir a porta. Reza nenhuma adiantou. Tempos depois, ele recebeu uma carta educada do pai da apaixonada. Em termos incisivos e delicados o embaixador pedia a mão do espírita em casamento para filha:

"Sei que o senhor é um homem pobre, de cor, mas como tenho uma filha só e sempre lhe fiz todas as vontades, assim como desejo que seja feliz, conformo-me e peço-lhe que se case com ela. Darei todo o dinheiro necessário para que tenham conforto." 

Chico agradeceu a generosidade do ex-futuro sogro e recusou a oferta. Quanto mais rezava, mais assombração aparecia.


Livro: As vidas de Chico Xavier
Marcel Souto Maior

sexta-feira, 29 de abril de 2011

OS PRESENTES DE CHICO

Conta-se que os presentes que o Chico recebiam eram imediatamente transferidos aos menos favorecidos.

É o caso daquele relógio suiço que um admirador lhe deu de presente e que momentos depois Chico, ao visitar uma pessoa em um casebre na periferia, deixou a jóia àquela criatura, pois ela não possuía relógio para tomar seus medicamentos em hora certa.

Um outro enviou ao Chico um automóvel - zero -; no momento que chegava o dito carro, chega em sua casa um comerciante. Aproveitando, Chico lhe diz:
"- Olha aqui, meu irmão, faça o seguinte: leve este carro e envie-nos macarrão para nossos irmãos em dificuldades..."

Também um grupo de senhoras, vindo da Venezuela, trouxe para o Chico um belíssimo tapete, que elas mesmas confeccionaram e disseram ao médium:
"- Olha Chico, nós lhe trouxemos este tapete; nós mesmos tecemos para você com muito carinho..."
"- Irmãs, nem sei como agradecer-lhes tamanha generosidade para com esse pequeno servidor. Mas é meu mesmo? Posso guardá-lo mesmo?..."
"- Claro. E, por favor, não dê para ninguém. Ele é seu..."
"- Obrigado, queridas irmãs. Agora eu gostaria que as senhoras nos fizessem um favor de imenso valor. É o seguinte: As senhoras fiquem com este tapete, guardando-o em sua casa, para mim..."

Dezenas de cidades dos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e outros, têm outorgado o título de Cidadão Honorário a Chico Xavier. A maioria destes títulos o médium não conseguiu recebê-los, motivado por problemas de saúde e por suas atividades. Até três capitais lhe concederam o honroso título - Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.
Importante que em todas as vezes que Chico recebeu o título, ali mesmo, de público, ele transfere para a Doutrina Espírita, de quem ele se considera um humilde tarefeiro. E diz que fica zelando pelo título, uma vez que pertence - afirma - a todos os cristãos - católicos, evangélicos e espíritas...
Digno de nota é a sincera e autêntica humildade de Chico Xavier, um dos motivos que o médium mineiro não tenha fracassado em sua luminosa missão, sem dúvida.
Nem seu gigantesco trabalho, nem a fama, nem os elogios conseguiram afastá-lo daquela humildade exemplar e rara.


DO LIVRO: Chico Xavier - O Homem, o Médium, o Missionário
AUTOR: Antônio Matte Noroefé
Grupo Espírita Renascer

quarta-feira, 2 de março de 2011

APRENDENDO COM CHICO

Na Prática da Solidariedade
Corria o ano de 1928, Francisco Cândido Xavier estava na reunião do Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, quando algumas pessoas chegaram pedindo socorro para um mendigo cego que, sendo guiado por um companheiro embriagado, caira de um viaduto, de uma altura de quatro metros.
O cego sem ninguém, pois o guia tinha sumido, vertia sangue pela boca.
Chico atendeu imediatamente e, mesmo sendo muito pobre, alugou pequeno pardieiro, a fim de abrigar o doente, que foi atendido, gratuitamente, por caridoso médico.
Trabalhando no comércio, o médium ficava junto ao mendigo à noite, porém o enferemo precisava ser assistido durante o dia. Chico Xavier providenciou a publicação de um apelo em pequeno jornal da cidade, de circulação semanal, rogando a presença de alguém que pudesse atender ao cego Cecílio, durante o dia. Poderioa ser espírita, católico, ateu, não importava.
Decorridos seis dias e nada. Nenhum voluntário se apresentou.
Entretanto, no final da semana, duas meretrizes, muito conhecidas na cidade, se apresentaram, dizendo àquele jovem espírita:
- Chico, lemos o pedido e aqui estamos. Se pudermos servir...
- Ah! Como não? Entrem, irmãs! Jesus há de abençoar-lhes a caridade.
Todas as noites, antes de sair, elas oravam com o Chico, perto do enfermo.
Um mês depois o velhinho estava restabelecido e feliz. Reuniram-se, pela última vez, em prece de agradecimento a Jesus. Quando Chico Xavier terminou a oração, os quatro choravam.
- Chico - disse uma das mulheres - a prece modificou a nossa vida. Estamos a despedir-nos. Mudamo-nos para Belo Horizonte, a fim de trabalhar.
Uma foi servir numa tinturaria; a outra conquistou o título de enfermeira.
(do livro "Lindos Casos de Chico Xavier", de Ramiro Gama).


Dívida e Resgate
Uma das cunhadas do Chico teve um filho anormal. Braços e pernas atrofiadas. Os olhos, cobertos por uma espessa névoa, mantinham-no mergulhado na mais completa escuridão. Inspirava medo às pessoas que o viam. Era tão deformado que a mãe ao vê-lo teve um choque e foi internada num hospital de doentes mentais.
O Chico ficou com o sobrinho.
Cuidar dele não era fácil. Medicá-lo, banhá-lo e aplicar-lhe um clister diariamente. O menino não deglutia e para alimentá-lo, o Chico tinha que formar uma pequena bola com a comida, colocar em sua garganta e empurrar com o dedo.
Isto, durante doze anos aproximadamente.
Quando o sobrinho piorava, o Chico rezava muito para que ele não desencarnasse. Já o amava como um filho.
Um dia o Espírito Emmanuel lhe disse:
_ Ele só vai desencarnar quando o pulmão começar a desenvolver e não encontrar espaço. Aí, então, qualquer resfriado pode se transformar numa pneumonia e ele partirá.
Quando estava próximo dos doze anos, foi acometido de uma forte gripe e começou a definhar.
Na hora do desencarne, seus olhos voltaram a enxergar. Ele olhou para o Chico e procurou traduzir toda a sua gratidão naquele olhar.
Emmanuel, presente, explicou:
_ Graças a Deus. É a primeira vez, depois de cento e cinquenta anos, que seus olhos se voltam para a luz. As suas dívidas do passado foram liquidadas. Louvado seja Jesus.


(do livro "Chico, de Francisco, de Adelino da Silveira, Ceu, 1987).

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

COMO DUVIDAR DE CHICO XAVIER ?

"Querida tia Isabel, se puder, não deixe a vovó chorar tanto nem a minha Mãezinha Gilda continuar tão aflita por minha causa. Estou vivo, mas preciso desembaraçarme das prisões de casa para conseguir melhorar."

A carta é assinada por Antônio Carlos Escobar, jovem de 22 anos, morto dias antes.
Ao longo de todo o texto, o "espírito" cita nomes e sobrenomes de família de vivos e de mortos:


"Estou aqui com o meu avô Primitivo Aymoré e com minha avó Isabel Rôa Escobar...".


A mensagem saiu das mãos de Chico Xavier, em sessão pública em Uberaba, arrancou lágrimas da mãe de Antônio Carlos, Gilda, e provocou o mesmo efeito nas pessoas reunidas no Grupo Espírita da Prece:
*o de reforçar a fé num dos dogmas do espiritismo,
* o de que existe, sim, vida depois da morte.
Como duvidar da autenticidade de um texto pontuado por tantos nomes e sobrenomes só conhecidos pela família do morto?
Como duvidar de Chico Xavier?
Fenômenos como estes se repetiram milhares de vezes ao longo dos 74 anos de atividade mediúnica do líder espírita.
Quando Chico completou 70 anos - no dia 2 de abril de 1980 -já eram 10 mil as cartas de mortos a suas  famílias psicografadas por ele, segundo sua assessoria. E já eram também 2 mil as instituições de caridade fundadas, ajudadas ou mantidas graças aos direitos autorais dos livros vendidos ou das campanhas beneficentes promovidas por Chico Xavier.

Porta-voz de Deus?
"Uma besta encarregada de transportar documentos dos espíritos" Chico reagia.
Um iluminado? "Não. Uma tomada entre dois mundos" minimizava.
Chico Xavier, o apóstolo? "Nada disso. Cisco Xavier" - ele transformava o nome em trocadilho quando já era idolatrado por caravanas de fiéis e curiosos vindos de todo o Brasil e indicado ao Prêmio Nobel da Paz em campanha nacional embalada por mais de 2 milhões de assinaturas de adesão em 1981.
"Sou um nada. Menos do que um nada", repetia, para se defender de tanto assédio e evitar uma armadilha perigosa: a vaidade.

Solidariedade
Com a bênção de Chico, os centros espíritas kardecistas se multiplicaram (hoje já são mais de 5 mil) e formaram uma rede de solidariedade ativa no Brasil. Por estatuto, cada centro deve divulgar o Evangelho, promover sessões públicas (sempre gratuitas) e, o mais importante, prestar serviços à comunidade.
"Ajudai-vos uns aos outros" era o remédio receitado por Chico para todos os males. "Ajude e será ajudado", ele aconselhava aos desesperados e seguia à risca a própria receita.

Suas obras em conjunto aos Espíritos
Ao longo dos 92 anos de vida - 74 deles dedicados a servir de ponte entre vivos e mortos , Chico escreveu 412 livros, vendeu quase 25 milhões de exemplares e doou toda a renda, em cartório, a instituições de caridade: Os livros não me pertencem. Eu não escrevi livro nenhum. "Eles" escreveram.

Homenagem
Em fevereiro do ano 2000, Chico foi eleito o Mineiro do Século em votação que mobilizou a população de todo o estado de Minas Gerais e o consagrou, mais uma vez, como fenômeno popular. Couberam a ele exatos 704.030 votos o suficiente para derrotar concorrentes poderosos como Santos Dumont (segundo colocado), Pelé, Betinho, Carlos Drummond de Andrade e Juscelino Kubitschek (o sexto colocado).
Recluso, doente, afastado dos holofotes, Chico continuava vivo, firme e forte, na lembrança do público.

Sua saúde abalada e os polêmicos acontecimentos
No ano seguinte, ele foi internado com pneumonia dupla, em estado grave, num hospital de Uberaba. Ao gravar imagens da fachada do prédio, um cinegrafista registrou uma aparição inusitada: um ponto luminoso vindo do céu se deslocou em alta velocidade na direção da janela do quarto onde Chico estava.
O médico Eurípedes Tahan Filho acompanhava o paciente e diagnosticou: logo depois desta aparição, o quadro clínico de Chico mudou. "A febre desapareceu, a respiração melhorou e ele ficou mais alerta." Dois dias depois, Chico teve alta.
As imagens foram exibidas no programa Fantástico, da Rede Globo, logo após a morte do médium. Reflexo na lente da câmera? Fraude? Ajuda espiritual? Milagre? Engenheiros entrevistados descartaram a hipótese de fraude e não conseguiram explicar a origem da luz. Mais um mistério em torno de Chico.

Sucessão de Chico
Numa das poucas conversas que tive com ele, depois de vencer as resistências iniciais, toquei num tema delicado: sua sucessão. Haveria um novo Chico Xavier?
Chico encerrou o assunto:
- "Morre um capim, nasce outro".
Ele falava sério.


As Vidas de Chico Xavier
MARCEL SOUTO MAIOR

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

LINDOS CASOS DE CHICO

A HORTA EDUCATIVA
Quando Dona Cidália reuniu os filhos menores de Dona Maria João de Deus, observou que eles precisavam do grupo escolar.
O Sr. Cândido Xavier, pai da numerosa família, foi consultado.
Entretanto, a situação era difícil.
Em 1918, a época a que nos referimos, marcara a passagem da gripe espanhola.
Tudo era crise, embaraço. E o salário, no fim-de-mês, dava escassamente para o necessário.
Não havia dinheiro para cadernos, lápis e livros.
A madrasta, alma generosa e amiga, chamou o enteado e lembrou:
— Chico, vocês precisam ir à escola. E como não há recurso para isso, vamos plantar uma horta. Adubaremos a terra, plantarei os legumes e você fará a venda na rua... Com o resultado, espero que tudo se arranje.
— A senhora pode contar comigo, — prometeu o menino.
A horta foi plantada.
Em algumas semanas, Chico já podia sair à rua com o cesto de verduras.
— Olhem a couve, a alface! Almeirão e repolho!...
E o povo comprava.
Cada molho de couve ou cada repolho valia um tostão.
Dona Cidália guardava o produto financeiro num cofre.
Quando abriram o cofre, Dona Cidália, feliz falou para o enteado:
— Você está vendo o valor do serviço? Agora vocês já podem frequentar as aulas do grupo.
E foi assim que, em janeiro de 1919, Chico Xavier começou o A-B-C.

Ramiro Gama

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

REFLETIR

AS APARÊNCIAS ENGANAM
Alguns companheiros conversavam furiosamente, em Pedro Leopoldo, sobre certo político.
A coisa devia ser assim.
Devia ser de certo modo.
O homem era a perversidade em pessoa.
Prometera isso e fizera aquilo.
Um dos irmãos dirigiu-se ao Médium e perguntou:
— Que diz você, Chico? Temos alguma referência dos Amigos Espirituais sobre o caso?
O interpelado pretendia responder, mas no justo momento, em que ia emitir a sua opinião, ouviu a voz de Emmanuel sussurrar-lhe, segura, aos ouvidos:
— Cale a sua boca. Você nada tem a ver com isso.
O Médium ruborizou-se e o grupo, em torno, verificou que o Chico não conseguia responder, apesar do desejo de externar-se.
Alguém ponderou que ele deveria estar mal e rodearam-no, em oração, dando-lhe passes.
A reunião dispersou-se.
Não foram poucos os que, estranhando o caso, afirmaram em surdina que o Chico parecia francamente um pobre obsidiado.
Mas o fato é que a sombra da maledicência não lhe penetrou o espírito e nem lhe prejudicou, por isto, o clima de elevação, fruto de jejum e oração, em que deve viver, em que vive.
Caso digno de ser seguido por todos que zelam pela vitória de seu dia, policiando o que lhes sai dos lábios...

SÁBIA RESPOSTA
Há tempos, Chico passou a frequentar certa casa de pessoas amigas, mais que de costume.
E essa casa, que se rodeava de muitos observadores, não era vista com bons olhos.
— Chico não devia entrar ali — diziam uns.
— Aquela gente é perigosa — clamavam outros.
A coisa ia nesse ponto, quando um irmão lembrou ao Chico a inconveniência a que se expunha.
O Médium, muito preocupado, em prece, expôs a Emmanuel o que se passava e perguntou-lhe:
— O senhor acha então que não devo entrar lá?
E o protetor, sorrindo, deu-lhe esta sábia resposta:
— Você pode entrar lá quando quiser. Somente desejo saber se você pode sair.

Lindos casos de Chico Xavier
Ramiro Gama

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

LINDOS CASOS DE CHICO XAVIER

UMA LIÇÃO SOBRE A FÉ
Um simpatizante do Espiritismo, residente em Santos, Estado de São
Paulo, veio a Pedro Leopoldo, asseverando desejar conhecer o Chico para melhor acertar os seus problemas de fé.
O Médium, no entanto, empregado de uma repartição, não dispõe do
tempo como deseja e, por determinação de sua Chefia, estava ausente de casa.
O visitante insistiu, insistiu.
E como não podia deter-se por muitos dias, regressou a penates, dizendo a vários amigos:
— Duvido muito da mediunidade. Imaginem meu caso com o Chico Xavier.
Viajo para Pedro Leopoldo com sacrifício de tempo e dinheiro. Chego à cidade e informam-me, sem mais aquela, que o Médium estava ausente. Perdi minha fé, pois tenho a idéia de que tudo seja simples fraude e estou convencido de que o Chico se esconde para melhor sustentar a mistificação.
Um dos companheiros de ideal escreve, aflito, ao Chico, relatando-lhe a ocorrência.
Não seria aconselhável procurar o queixoso e atendê-lo?
O pobre homem parecia haver perdido a confiança no Espiritismo.
O Médium, muito preocupado pede o parecer de Emmanuel e o devotado orientador responde-lhe, com serena precisão:
— Deixe este caso para traz. Se a fé nesse homem for erguida sobre você é melhor que ele a perca desde já, porque nós todos somos criaturas falíveis. A fé para ele e para nós deve ser construída em Jesus, porque, somente confiando em Jesus e imitando-lhe os exemplos, é que poderemos seguir para Deus.

Ramiro Gama

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

LINDOS CASOS DE CHICO

OURO E EXPERIÊNCIA
O Chico, em excursão com seu chefe de serviço, expondo aqui e ali
apuradas amostras de gado, passou por Sabará e, dali, pelas Minas de Morro Velho.
Visitou-as por horas.
E deslumbrou-se com o que viu.
O trabalho afanoso e sacrificial da extração do ouro, sua busca, em cascalhos, no seio da terra, numa profundidade e distância incomensuráveis, causou-lhe assombro inopinado.
Observou um irmão idoso, calejado naquele serviço, a que dera toda sua existência, e perguntou-lhe:
— Amigo, o ouro é extraído com facilidade?
— Nada disso, moço. Em 40 toneladas de pedra, encontramos, às vezes, tão somente 100 a 200 gramas de ouro.
E Emmanuel, que tudo ouvia, comentou:
— Assim, Chico, sucede na vida. Precisamos, quase sempre, de 40 toneladas de aborrecimentos bem suportados para obtermos 100 a 200 gramas de conhecimentos e experiência..

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

RECEITA PARA MELHORAR

Em julho de 1948, o nosso confrade Jacques Aboad, de passagem por Pedro Leopoldo, conversava, ao lado de outros confrades, em companhia do Chico, sobre os trabalhos de aperfeiçoamento da alma.
A conversação deu lugar à prece em conjunto.
E, manifestando-se, pelo Médium, José Grosso, dedicado e alegre companheiro desencarnado, dedicou aos presentes os seguintes apontamentos:

RECEITA PARA MELHORAR
Dez gramas de juízo na cabeça.
Serenidade na mente.
Equilíbrio nos raciocínios
Elevação nos sentimentos.
Pureza nos olhos.
Vigilância nos ouvidos.
Lubrificante na cerviz.
Interruptor na língua.
Amor no coração.
Serviço útil e incessante nos braços,
Simplicidade no estômago.
Boa direção nos pés.
Uso diário em temperatura de boa-vontade.

Supomos descobrir, neste curioso receituário, excelentes motivos para sorriso e meditação.

Lindos Casos de Chico Xavier

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O BOM HUMOR DO CHICO

Chico Xavier é um homem alegre, feliz, ao ponto de já ter afirmado que "minha vida é uma festa".
Nas reuniões a que participa, sempre se ouve algo de Chico que, além de alegrar o ambiente, instrui e ilumina.


Conta ele que, um certo dia, uma confreira lhe diz que através da regressão de memória - um modismo na atualidade, havia descoberto que nos primórdios do Cristianismo, ela fora uma mártir, morrendo no Coliseu Romano, sob as garras de um leão.
Ante o silêncio atencioso do querido medianeiro, aquela irmã pergunta:
- E você, Chico, sabe quem você foi em existências passadas?
- Eu? Olha irmã, eu acho que fui a pulga daquele leão.
Aí está uma resposta bem humorada de Chico e uma lição àqueles que têm ouvidos de ouvir, como disse o sublime Mestre Jesus.

Conta também o médium que um dia um companheiro chegou em certa reunião espírita muito eufórico, pois havia caído um raio em sua casa e, embora ele estivesse imensamente próximo à faísca, quem morreu foi um gato caseiro.
Iniciado os trabalhos - conta o Chico, o Evangelho Segundo o Espiritismo foi aberto ao acaso, e a lição para estudo foi o Capítulo V, item 22 - SE FOSSE UM HOMEM DE BEM, TERIA MORRIDO...

Um dia alguém perguntou ao Chico se ele faria uma plástica facial, no que ele respondeu:
- Claro, se isso me fosse possível, pois assim não assustaria tanto meus semelhantes...

DO LIVRO: Chico Xavier - O Homem, o Médium, o Missionário
AUTOR: Antônio Matte Noroefé

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A FAZENDA DO PAI.

Chico Xavier, pelos médicos locais é considerado tuberculoso, tão fraco está e febril. E, em certa manhã ensolarada, vendo-o tão triste, sentado à entrada da porta, “Emmanuel”, seu dedicado Guia, põe-lhe a mão no ombro e diz:
- Chico, procure reagir, senão você falirá, e se chegar agora aqui, desencarnado, chegará inegavelmente como um homem de bem, porque já realizou algo, mas deixará por fazer muita coisa prometida e nos colocará em situação sobremodo delicada, pois que levamos anos a organizar os planos de sua reencarnação. Procure, pois, reagir.
 “A TRISTEZA”, meu filho, é “CUPIM DO CORAÇÃO”, traz moléstia grave. Muitas doenças têm como causa um movimento explosivo de cólera, um aborrecimento, um atrito, um ato de revolta, um desejo insatisfeito.
São os rins que se tocam; é o coração que recebe, em cheio, a punhalada de um ódio; é o fígado que todo se ingurgita com a angústia de um orgulho ofendido; são os pulmões que se mostram enfraquecidos, por falta do oxigênio de nosso otimismo, da nossa confiança em nós mesmos e em Deus.
Amanhã irei mostrar-lhe a “FAZENDA DO PAI”, a “NATUREZA”, para que você a sinta, compreenda e possa dela traduzir a Mensagem amorosa e retirar os remédios mais santos e eficientes para curar-se, ser mais útil e feliz. E se você como penso, assimilar o que lhe vou mostrar, para certificar-se de que o bem que fazemos é o nosso bem, que quem dá recebe mais, ficará curado, porque vai mudar de vida, agir de outra forma.
E na manhã seguinte, de fato, “Emmanuel” ensinou ao Chico, primeiramente, a orar, mesmo com o rádio trabalhando alto, rádio com que o presenteara o saudoso irmão Figner. Ensinou-lhe, depois, a tomar vagarosamente o café da manhã, a fim de “SENTI-LO” e analisar seu plantio, a sua colheita, a sua história, tocante; e assim fez com o pão, traduzindo-lhe a lição magistral.
Depois partiu para o trabalho, ainda acompanhado do bondoso Conselheiro e Amigo, atendendo e correspondendo,
atenciosa e alegremente, como era aconselhado, a todos os cumprimentos, principalmente quando de um “VÁ COM DEUS”, “DEUS LHE PAGUE”, “DEUS LHE AJUDE”, saídos dos corações que beneficiamos e que são luzes que entram pela nossa alma, sentimentos de Paz que chegam ao nosso coração como remédios curadores.
E caminho afora, nessa manhã clara de sol, o abnegado “Emmanuel” foi mostrando-lhe todos os valores da “FAZENDA DO PAI”.
Cada pormenor do valioso patrimônio apresentava, com a explicação dada, uma significação particular.
A árvore, o caminho, a nuvem, a poeira, que é o “MATA BORRÃO” dos charcos, simbolizando uns o desvelo do homem e, outros, a misericórdia de Deus; o frio, a ponte, que serve a pobres e ricos, a maus e bons, que tem uma serventia.
— Chico, você já foi ponte para alguém? pergunta-lhe o caro “Emmanuel”.
E ele, sem saber como responder ao iluminado Guia, cala-se e vai guardando os ensinos recebidos, com amor, atenção e respeito.
Em sonho, recebe a graça final. E dias depois, como previra “Emmanuel”, o querido irmão está curado, forte, alegre e feliz.

lINDOS CASOS DE CHICO XAVIER
DIVERSOS AUTORES.