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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

29º AULA- G.E.DE ESTUDOS E TRABALHOS MEDIÚNICOS

CAPÍTULO I - EVOLUÇÃO E NÃO SALVAÇÃO
1 – DOR E SALVAÇÃO

O problema da dor sempre se constituiu a principal preocupação dos homens, uma questão para a qual as Religiões sempre deram resposta, diferente em cada uma quanto à sua origem e a razão de ser, mas essencialmente idênticas quanto às causas e a solução todas indicando um único caminho: o da prática do bem e das virtudes.

Diferentes quanto às concepções humanas acerca da Divindade, da criação e do destino; idênticas quanto ao conteúdo das revelações emanadas do Plano Maior.
Fixando-nos apenas nas duas correntes principais temos que:

PARA OS PANTEÍSTAS
A dor é consequência dos desejos que a alma alimenta em relação com a matéria. Isto a separa da Divindade e a envolve no ciclo das reencarnações, submetendo-a a lei do Karma, no que está ínsito o processo da dor. O subtrair-se a ele consiste em anular os desejos relativos à matéria, na prática da renúncia, do bem, das virtudes, em consequência do que a alma voltará a reintegrar-se com Deus, assim como a gota d’água se integra na massa do oceano.

PARA OS TEÍSTAS
O homem, criado por Deus e destinado a viver no Éden uma vida beatífica e feliz, foi dali expulso e condenado a viver esta vida, com sua descendência, por castigo. Desta forma a dor é punição e castigo, resultado desse pecado original e de outros, que também constituem um desrespeito a autoridade divina.

PARA OS CRISTÃOS
Jesus é o salvador, no sentido de que ele veio ressarcir a dívida da humanidade para com o criador, restaurando a possibilidade dos homens poderem voltar a desfrutar do convívio com a divindade, na eternidade.
Jesus, para eles, é o próprio Deus encarnado: a segunda pessoa – o filho.
A ofensa dirigida a Deus que pesa sobre os homens é a do pecado original, proporcional a sua grandeza, infinita, portanto, não estando nas suas possibilidades ressarci-la.
Por isso o Altíssimo fez-se homem na pessoa do filho para, com o sacrifício na cruz, resgatar a dívida, liberando o homem desse ônus que ele não poderia eliminar.
Mas este, em vida, para poder beneficiar-se desta liberação, tem que filiar-se a Igreja, receber o batismo, submeter-se aos diferentes sacramentos, não cometer mais pecados e receber a absolvição final, através dos representantes da Igreja. Mas acima de tudo, praticar o bem, as virtudes cristãs: a caridade, a humildade, a brandura, a justiça a bondade...
Morto, sobrevive-lhe a alma que terá de aguardar a ressurreição no fim dos tempos, o juízo final, oportunidade em que a alma retomará o próprio corpo, reconstituindo a pessoa integral, após o que será reconduzido à convivência com Deus, ou condenado as penas eternas.
Isto porque a alma, segundo esta concepção, não constitui uma pessoa; a alma não pode exercer separada do corpo, todas as funções de um ser completo: não tem sensações vive apenas a vida racional. E que a ressurreição existe, provando-a pela ressurreição do Cristo, acontecida três dias após a sua morte, na qual, retomando o próprio corpo, subiu aos céus para sua gloria eterna.
Esta é a razão pela qual se designa Jesus de Salvador.

A Ciência e a Filosofia
Estas concepções correspondem ao estágio evolutivo de uma época em que o conhecimento do homem era ainda muito incipiente, fundamentado em parcos recursos, estruturado na simbologia mitológica.
Diz-se que a filosofia é a mãe de todas as ciências, porque o saber, de uma maneira geral, iniciou-se com ela.
As ciências se originaram dela sempre que se conseguiu isolar um aspecto da realidade e estudá-lo isoladamente, com método particularizado, mas compatível, concorde com o mais geral da construção do conhecimento estabelecido pela primeira.
Ciência e filosofia constituem hoje dois ramos do saber com finalidades próprias, mas compatíveis, coerentes, mutuamente apoiados, uma servindo-se da outra, para as edificações próprias. Mas, antes da filosofia, a Religião, filha da revelação, constituía o reduto do conhecimento em geral.
Dela que isolando um aspecto do conhecimento integral, formou-se a filosofia e destas as ciências, permanecendo, porém, entre elas, um liame comum que as compatibiliza, as conjuga num único fim, que é edificação do conhecimento integral.

Discordância entre Religião, Ciência e Filosofia
A discordância existente em nossos dias, entre religião, ciência e filosofia, é apenas aparente; é muito mais devido a posições irredutíveis dos dogmáticos que elegeram a metafísica como o único conhecimento desejável, e a crença como forma absoluta de fundamentar o saber, relegando a plano desprezível toda outra forma, incapacitando-se a avaliar as novas revelações que adentraram no conhecimento via ciência -  de acesso tão legítima para a revelação, quanto às outras.

Espiritismo: Restabelece a unidade
O que o Espiritismo realiza é a reconstituição da concordância. Redescobrindo os liames que unem ciência, filosofia e religião, restabelecendo a unidade, e o reconhecimento do que, para o desenvolvimento da verdade, hoje a base é o saber científico, cujas descobertas se compõem em inesgotáveis mananciais de informações; descortina um mundo ampliado em todos os seus aspectos, decomponível ao infinito no macro e no microcosmo, dando sentido as expressões infinitamente grande e infinitamente pequeno que, em seu significado, exprimem o profundo mistério com que se depara a inteligência humana em ambos os sentidos.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

PRECE: UMA LIGAÇÃO ESPIRITUAL

Observamos em todos os momentos da alma, seja no repouso ou na atividade, o reflexo condicionado (ou ação independente da vontade que se segue, imediatamente, a uma excitação externa) nas bases das operações da mente, objetivando esse ou aquele gênero de serviço.

Daí resulta o impositivo da vigilância sobre a nossa própria orientação, de vez que somente a conduta reta sustenta o reto pensamento e de posse do reto pensamento, a oração, qualquer que seja o nosso grau de cultura intelectual, é o mais elevado toque de indução para que nos coloquemos, para logo, em regime de comunhão com as Esferas Superiores.

De essência divina, a prece será sempre o reflexo positivamente sublime do Espírito, em qualquer posição, por obrigá-lo a despedir de si mesmo os elementos mais puros que possa dispor.

No reconhecimento ou não da petição, na diligência ou no êxtase, na alegria ou na dor, na tranquilidade ou na aflição, ei-la exteriorizando a consciência que a fórmula, em efusões indescritíveis, sobre as quais as ondulações do Céu corrigem o magnetismo torturado da criatura, insulada no sofrimento educativo da Terra, recompondo-lhe as faculdades profundas.

A mente centralizada na oração pode ser comparada a uma flor estelar, aberta ante o infinito, absorvendo-lhe o orvalho nutriente de vida e luz.

Grupo Espírita de Estudos e Trabalhos Mediúnicos

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

MEDIUNIDADE: A TAREFA SOLICITADA.

No plano espiritual solicitamos a tarefa mediúnica para o melhor aproveitamento da existência terrena, com o propósito da evolução.
Utilizando-a  em nosso próprio benefício e aos outros companheiros; fazendo dela  um caminho de luz e de amor nas trevas desta jornada árdua.
Mas quando chegamos aqui, desistímos dessa missão; atarefados com peculariedades da manutenção da vida terrena, esquecemos da divina e nobre missão a que nos propomos, certos que de que saberíamos administrar nossa vida terrena com os projetos espirituais.
Mediunidade não é um lazer, não é acessório para ser usado quando se convem. Ser médium não é um título para se ostentar na vista dos outros. Mediunidade é tarefa assumida; relega-lá, é impedir a luz de brilhar na Terra que solicita o amparo e consolo da espiritualidade.
Por isso médiuns revejam seus objetivos, consultem sua consciência, e verá que ela te chama a assumir o posto que te espera. Mais do que comparecer a um trabalho mediúnico, é necessário se aprimorar nele, para que o cumpra com responsabilidade e consciência do que esta fazendo; e isso só é possível através de um estudo constante e aplicado.
Médiuns, a Terra os convoca!
Se faz necessário vossas presenças no trabalho laborioso de levar a luz e dissipar as trevas. Antes que sejam chamados de volta a pátria espiritual e verifiquem que desistiram da missão antes mesmo de começá-la, e que o trabalho foi adiado mais uma vez!
Angel

Diálogo dos companheiros na espiritualidade

E o seu trabalho com os médiuns junto à Crosta, como é que tem se desenrolado?
- Estamos indo, Inácio. Como você não desconhece, os progressos são lentos — tão lentos, que, por vezes, nos parecem inexistentes, mas vamos caminhando. A turma não quer estudar e assumir a tarefa com disciplina. Muitos começam e quase todos desistem...
- Querem colher antes de semear, não é?
- E semear antes de preparar o terreno...
- Não é mesmo fácil perseverar, ainda mais no mundo de hoje, que mete medo em qualquer candidato à reencarnação...
- Porém não existe alternativa; se você deseja escalar a montanha, não adianta ficar rodeando-a, concorda?...
E nem esperar, indefinidamente, melhor tempo para fazê-lo... Creio, Odilon, que talvez este tenha sido o nosso mérito, se é que algum mérito tivemos: embora conscientes de nossas imperfeições e mazelas, ousávamos fazer o que era preciso.
— Os médiuns, Inácio, acham que mediunidade corre por conta dos espíritos; quase nenhum quer ser parceiro ou sócio e entrar com a parte que lhe compete... Fazem uma série de alegações, quase todas sofismas, para justificar a sua falta de empenho e melhor adequação da instrumentalidade.
- O velho “fantasma” da dúvida...
- Dúvida que, conforme sabemos, persistirá em cada um, até que seja definitivamente afastada pela sua lucidez espiritual; é a dúvida que desafia o homem a caminhar... A certeza é o ponto final de jornada empreendida.
— Se o Espiritismo pudesse contar com médiuns mais conscientes... — lamentei.
— Seria uma maravilha, mas estamos confiantes para o futuro... Tudo está certo.
Será, por outro lado, que se tivéssemos sobre a Terra um número maior de medianeiros convictos e responsáveis, o excesso de luz, ao invés de lhes facilitar a visão da Verdade, não induziria os homens à cegueira? Sempre me intrigou o fato de Jesus ensinar por parábolas; por que o Mestre não falava claramente?...
Quero crer que não era por falta de capacidade pedagógica ou por pobreza de vocabulário... Ele tencionava nos induzir à procura, exercitando a nossa capacidade interpretativa.
A Humanidade não se redimirá coletivamente; a porta é estreita exatamente para conceder passagem a um de cada vez...

NA PRÓXIMA DIMENSÃO
CARLOS ALBERTO BACCELLI
DITADO PELO ESPÍRITO INÁCIO FERREIRA

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

26ª AULA- G.E.DE ESTUDOS E TRABALHOS MEDIÚNICOS

 LIVRO DOS MÉDIUNS
CAPÍTULO VIII

Do Laboratório do Mundo Invisível

Temos dito que os Espíritos se apresentam vestidos de túnicas, envoltos em largos panos, ou mesmo com os trajes que usavam em vida. Mas, aonde irá eles buscar vestuários semelhantes em tudo aos que traziam quando vivos, com todos os acessórios que os completavam?

Com o auxílio do princípio material que o perispírito toma a aparência de vestuários semelhantes aos que o Espírito usava quando vivo. É evidente que a palavra aparência deve ser aqui tomada no sentido de aspecto, imitação.
Sobre os elementos materiais disseminados por todos os pontos do espaço, na vossa atmosfera, tem os Espíritos um poder que estais longe de suspeitar. Podem, pois, eles concentrar à sua vontade esses elementos e dar-lhes a forma aparente que corresponda à dos objetos materiais.

10ª Pode então o Espírito dar a um objeto, não só a forma, mas também propriedades especiais?
"Se o quiser. Baseado neste princípio foi que respondi afirmativamente às perguntas anteriores. Tereis provas da poderosa ação que os Espíritos exercem sobre a matéria, ação que estais longe de suspeitar, como eu disse há pouco.

11ª Suponhamos, então, que quisesse fazer uma substância venenosa. Se uma pessoa a ingerisse, ficaria envenenada?
"Teria podido, mas não faria por não lhe ser isso permitido."

12ª Poderá fazer uma substância salutar e própria para curar uma enfermidade? E já se terá apresentado algum caso destes?
"Já, muitas vezes."

13ª Então, poderia também fazer uma substância alimentar? Suponhamos que tenha feito uma fruta, uma iguaria qualquer: se alguém pudesse comer a fruta ou a iguaria, ficaria saciado?
"Ficaria sim; mas, não procures tanto para achar o que é tão fácil de compreender. Um raio de sol basta para tornar perceptíveis aos vossos órgãos grosseiros essas partículas materiais que enchem o espaço onde viveis. Não sabes que o ar contém vapores d’água? Condensa-os e os farás voltar ao estado normal. Priva-as de calor e eis que essas moléculas impalpáveis e invisíveis se tornarão um corpo sólido e bem sólido, e assim, muito outras substâncias de que os químicos tirarão maravilhas ainda mais espantosas. Simplesmente, o Espírito dispõe de instrumentos mais perfeitos do que os vossos: à vontade e a permissão de Deus."

14ª Os objetos que, pela vontade do Espírito, se tornam tangíveis, poderiam permanecer com esse caráter e tornarem-se de uso?

"Isso poderia dar-se, mas não se faz. Está fora das leis."

15ª Têm todos os Espíritos, no mesmo grau, o poder de produzir objetos tangíveis?
"É fora de dúvida que quanto mais elevado é o Espírito, tanto mais facilmente o consegue. Porém, ainda aqui, tudo depende das circunstâncias. Desse poder também podem dispor os Espíritos inferiores."

16ª O Espírito tem sempre o conhecimento exato do modo por que compõe suas vestes, ou os objetos cuja aparência ele faz visível?
"Não; muitas vezes concorre para a formação de todas essas coisas, praticando um ato instintivo, que ele próprio não compreende se já não estiver bastante esclarecido para isso."

Modificação das propriedades da matéria


129. A teoria acima se pode resumir desta maneira: o Espírito atua sobre a matéria; da matéria cósmica universal tira os elementos de que necessite para formar, a seu bel-prazer, objetos que tenham a aparência dos diversos corpos existentes na Terra. Pode igualmente, pela ação da sua vontade, operar na matéria elementar uma transformação íntima, que lhe confira determinadas propriedades.

130. A existência de uma matéria elementar única está hoje quase geralmente admitida pela Ciência, e os Espíritos, como se acaba de ver, a confirmam. Todos os corpos da Natureza nascem dessa matéria que, pelas transformações por que passa, também produz as diversas propriedades desses mesmos corpos. Daí vem que uma substância salutar pode, por efeito de simples modificação, tornar-se venenosa, fato de que a Química nos oferece numerosos exemplos.
Ação magnética curadora

Ora, desde que ele pode operar uma modificação nas propriedades da água, pode também produzir um fenômeno análogo com os fluidos do organismo, donde o efeito curativo da ação magnética, convenientemente dirigida.

131. Esta teoria nos fornece a solução de um fato bem conhecido em magnetismo, mas inexplicado até hoje: o da mudança das propriedades da água, por obra da vontade.

Sabe-se que papel capital desempenha a vontade em todos os fenômenos do magnetismo. Porém, como se há de explicar a ação material de tão sutil agente? A vontade não é um ser, uma substância qualquer; não é, sequer, uma propriedade da matéria mais etérea que exista. A vontade é atributo essencial do Espírito, isto é, do ser pensante. Com o auxílio dessa alavanca, ele atua sobre a matéria elementar e, por uma ação consecutiva, reage sobre seus compostos, cujas propriedades íntimas vêm assim a ficar transformadas.

Tanto quanto do Espírito errante, a vontade é igualmente atributo do Espírito encarnado; daí o poder do magnetizador, poder que se sabe estar na razão direta da força de vontade. Podendo o Espírito encarnado atuar sobre a matéria elementar, pode do mesmo modo mudar-lhe as propriedades, dentro de certos limites. Assim se explica a faculdade de cura pelo contacto e pela imposição das mãos, faculdade que algumas pessoas possuem em grau mais ou menos elevado.
(Veja-se, no capítulo dos Médiuns, o parágrafo referente aos Médiuns curadores).

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

25ª AULA-G.E.DE ESTUDOS E TRABALHOS MEDIÚNICOS

Capítulo 23
A Doutrinação

"Se me fosse pedido o segredo da doutrinação diria apenas uma palavra - amor."
Hermínio de Miranda
Selecionamos algumas questões que merecem análise:

a) É importante para o esclarecimento, o doutrinador saber o nome do Espírito comunicante?
- Se for um Espírito familiar sim, como identificação. Mas o nome pouco importa e pode acontecer o Espírito involuído usar um nome falso.

b) Como o doutrinador deve proceder quando manifestarem-se Espíritos que, procurando desarmonizar o ambiente, incitam o médium ao uso de palavras chulas, grosseiras, rudes?
- Cabe ao doutrinador cortar imediatamente tais vocabulários que não irão beneficiar ninguém; pedindo ao Espírito que se retire, volte quando se achar em condições de manter um diálogo menos grosseiro. Isso pode acontecer quando o Espírito encontra no cérebro do médium este tipo de arquivo. O relacionamento médium x doutrinador deve ser de estima e respeito; daí, o doutrinador conversar com o médium no sentido de um esforço maior na sua mudança íntima.

c) Pode o doutrinador usar de energia com o Espírito comunicante?
- Quando isso se faz necessário, sim. Muitas vezes a doutrinação exige atitude enérgica, firme - que não está no tom da voz mas naquilo que dizemos. A única autoridade legítima é a que se estrutura na moral. Os Espíritos sentem essa autoridade e se dobram a ela em virtude da força moral de que disponha o doutrinador, força moral que só é conseguida através de uma vivência evangélica.

d) A faculdade de ver Espíritos pode ajudar na doutrinação?
- Somos daqueles que pedem cautela na vidência, pois não podemos ter absoluta confiança no que eles apresentam. Espíritos maus e inteligentes facilmente podem simular aparências enganadoras manipulando os fluidos. A percepção apurada na prática desfará os enganos, e acresce que qualquer consideração, no decorrer da doutrinação, prejudica mais do que ajuda.
E mais: cada médium vê dependendo da faixa vibratória em que se encontra.

e) Precisa o doutrinador fazer com que o Espírito conheça sua condição de desencarnado ao iniciar o diálogo?
- Há de se perguntar: quem de nós está em condições de receber a notícia de que vai morrer amanhã, com a serenidade que seria de se esperar? Dizer ao Espírito que deixou a família, que foi colhido pelo fenômeno da morte física, necessita habilidade a fim de evitar-lhe "choques da alma".
É ato de invigilância e às vezes de leviandade dizer-lhe que já não tem o corpo físico sem o devido preparo para tanto.
A tarefa da doutrinação é consolar.

f) Para onde vão os Espíritos que são doutrinados? O que acontece a eles?
- São muitos os caminhos que se abrem diante deles. Geralmente, são levados a um local de repouso e tratamento.
Trabalhadores espirituais os conduzem à reeducação.
Quase todos precisam mergulhar numa nova reencarnação, quanto antes, e assim que estejam em condições, começa-se o preparo para o recomeço.
Muitas vezes ainda, o trabalho de doutrinar continua no plano espiritual. Espíritos amigos já disseram que verdadeiras sessões mediúnicas são realizadas com médiuns desdobrados pelo sono físico.
As doutrinações se projetam ao longo dos dias e seguem nas realizações da noite, quando, em desdobramento, acompanhamos os mentores nos contatos e nas tarefas que se desenrolam no mundo dos Espíritos.

Bibliografia
1) Diálogo com as sombras - Hermínio C. Miranda
2) Correnteza de Luz - Camilo / Raul Teixeira
3) Leis Morais da Vida - Joanna de Ângelis / Divaldo P. Franco
4) Diretrizes de Segurança - Divaldo P. Franco e Raul Teixeira
5) Vozes do Grande Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

24ª AULA- G.E.DE ESTUDO E TRABALHOS MEDIÚNICOS

Capítulo 23
A Doutrinação
Conceito
Doutrinar é argumentar com lógica e com base no Evangelho, demonstrar que as atitudes incorretas prejudicam principalmente quem as praticam, levando o necessitado a modificar sentimentos cristalizados, destorcidos, errôneos.

O que faz a Doutrinação?
  • Minorar sofrimentos;
  • Confortar;
  • Infundir esperanças
  • Despertar a fé
Quem vamos Doutrinar?
A técnica de esclarecer Espíritos foi criada por Allan Kardec, em substituição às práticas bárbaras de exorcismo, muito usadas na Antiguidade. O mestre de Lion utilizou a doutrinação como forma de esclarecimento através de reunião mediúnica.
Para nosso conhecimento, colocou no Livro dos Espíritos [LE - qst 100 a 127], uma classificação se baseando no grau de imperfeições dos Espíritos ainda não vencidas e qualidades adquiridas; esclarecendo, contudo, que a classificação nada tem de absoluta, pois, de um grau a outro, a transição é insensível, que nos limites, as diferenças se apagam como nos reinos da natureza, nas cores do arco-íris.

Admite Kardec 3 grandes divisões:
1ª Ordem – Espíritos Puros
2ª Ordem – Espíritos Bons
3ª Ordem – Espíritos Imperfeitos

3ª Ordem - Espíritos Imperfeitos
No momento interessa-nos a 3ª ordem, pois na arte de doutrinar estaremos lidando com uma gama de Espíritos de hierarquias infelizes e diversas, sendo importante que tenhamos em mente que a doutrinação é um convite à transformação interior, um apelo à reflexão sobre os problemas de que o Espírito é portador.

Vejamos as características desses Espíritos:
  • Espíritos Imperfeitos
  • Propensão ao mal
  • Predominância da matéria
  • Conhecimento limitado sobre a vida espiritual
Subdivisões:
a) Espíritos impuros: passam conceitos maldosos, insuflam a discórdia, usam de disfarces para melhor enganar. Suas comunicações revelam a baixeza de suas inclinações.
Fazem do mal o objeto de suas preocupações;
b) Espíritos pseudo-sábios: seus conceitos são uma mistura de verdades com erros absurdos. Neles prevalecem a inveja e a presunção;
c) Espíritos neutros: nem bons, nem maus, apegados às coisas do mundo (família, haveres, posses);
d) Espíritos levianos: metem-se em tudo e a tudo respondem. São mentirosos, inconsequentes, zombeteiros, fazem intrigas usando uma linguagem por vezes engraçada.

Esta escala nos oferece um quadro psicológico da pouca evolução espiritual dos homens.
Os Espíritos inferiores usam de artimanhas que nos iludem e se vangloriam quando o conseguem.
Os Espíritos levianos, irônicos, são talvez os mais difíceis para o diálogo. Vêm para provocar o doutrinador.
Necessárias a humildade e a paciência no trato com esses irmãos. Somente uma atitude muito serena pode desarmá-los.
Dialogar com os Espíritos que pedem espaço através da mediunidade com propostas iluminativas é, então, a arte de compreender os que ignoram o desequilíbrio em que de debatem.
Cabe ao doutrinador apontar-lhes o rumo, despertando-os para as verdades eternas, numa visão ampla da vida.
Cada doutrinação, face aos fatores que a motivam, tem características especiais, embora, genericamente sejam semelhantes.
Há que se levar em conta as resistências morais do comunicante, já que vem de desajustes vários.
O fundamental é despertá-lo para uma visão real da própria situação.

Ao considerarmos os casos mais comuns de manifestações, verificamos que os Espíritos comunicantes são de 2 categorias principais:
a) Os que comparecem espontaneamente obedecendo à própria vontade, atraídos por determinadas condições;
b) Os que são trazidos pelos mentores; são Espíritos perturbados, vingativos, habitantes de zonas purgatoriais.

A Necessidade da Doutrinação
Por que os Espíritos não são atendidos no plano espiritual?
Por que precisam receber esclarecimento em sessão mediúnica?

Precisamos ressaltar que:
a) Os Espíritos são atendidos também no plano espiritual;
b) Nem todos estão em condições de serem socorridos ali, em virtude da grosseira materialidade que lhes flagela o campo mental tornando-os insensíveis à cooperação de entidades superiores.
Contato com o médium
O contato com a organização física do médium fa-los-á sentir mais intensamente a ajuda doutrinária e vibracional destinada ao reajuste. O fluido humano emanado do organismo do médium é-lhes e necessário ao equilíbrio.
Léon Denis esclarece:

"Esses Espíritos perturbados pela morte, acreditam ainda muito tempo depois, pertencerem à vida terrestre. Não lhes permitindo seus fluidos grosseiros o entrarem em relação com Espíritos mais adiantados, são levados aos grupos de estudo para serem instruídos acerca de sua nova condição."

André Luiz adverte:

"São companheiros que trazem ainda a mente em teor vibratório idêntico ao da existência na carne. Na fase em que estagiam, mais depressa se ajustam com o auxílio dos encarnados, em cuja faixa de impressões ainda respiram."

Daí, desaparecerem as possíveis dúvidas quanto ao nosso dever de auxiliar o necessitado através do diálogo em um grupo mediúnico.

Continua na próxima aula.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

24ªAULA- G.E.DE ESTUDOS E TRABALHOS MEDIÚNICOS

Fraudes, Mistificações, Contradições
Fraudes
A significação do termo é burla, logro, engano.
Pressupõe uma atitude pensada previamente com a finalidade de fazer parecer verdadeira uma coisa que é falsa.

Nas fraudes, podemos considerar que elas podem ser produzidas por:
• Falsos médiuns: espertalhões e pessoas pouco escrupulosas que usam a falsa mediunidade para explorarem as pessoas que os procuram. Utilizam a prestidigitação, o ilusionismo, auferindo lucros materiais e vantagens pessoais.
• Verdadeiros médiuns: indivíduos que apesar de realmente possuírem a faculdade mediúnica, sem qualidades morais que enobrecem este dom, não medem esforços em "ajudar" a realização dos fenômenos quando os Espíritos não os provocam, ou, ainda, quando demoram a agir ou se ausentam.

As fraudes acontecem mais freqüentemente na realização dos fenômenos objetivos ou efeitos físicos, tais como: materialização, transporte, transfiguração, operações espirituais, etc.

Pelo fato de pessoas inescrupulosas utilizarem o dom mediúnico para fraudarem, ou falsos médiuns falsearem manifestações dos Espíritos, não é argumento suficiente para dizer que a mediunidade não existe.

Outro fator importante é analisarmos se existe o interesse pessoal ou vantagens financeiras.

Fiquemos a tento quanto as fraudes, analise sempre:
a) Desinteresse material e pessoal na realização dos fenômenos ou prática mediúnica;
b) Conhecimento do Espiritismo que explica o mecanismo das comunicações e o intercâmbio entre os dois planos material e espiritual;
c) Moralidade notória dos médiuns;
d) Estudo prévio da Doutrina Espírita para todos os que vão participar de atividades mediúnicas;
e) Ausência de todas as causas de interesse material ou de amor próprio estimulando a provocação dos fenômenos.

Mistificações
Mistificar significa enganar, burlar, ludibriar, abusar da credulidade dos outros.

Embora todos os cuidados que o exercício da mediunidade exigem, nenhum médium está isento de ser mistificado.
Nas mistificações, o medianeiro é colocado em situações ridículas, apresentando comunicações absurdas, mentirosas, vazias em seu conteúdo. Os Espíritos agem e o médium não participa da farsa.

Ele poderá, algumas vezes, deixar passar informações de seu próprio inconsciente, sem a presença de entidades espirituais, mas, neste caso, é um fenômeno anímico e não se trata de mistificação.

Geralmente, as mistificações ocorrem com maior frequência nos fenômenos subjetivos, de natureza inteligente, como a psicofonia e a psicografia. Allan Kardec nos aconselha:

"Como garantia contra a mistificações, não devemos exigir do Espiritismo, senão o que ele pode e deve nos oferecer; seu fim é a melhoria moral da humanidade; se nós não nos afastarmos deste ponto, jamais seremos enganados, porque não há duas maneiras de compreender a verdadeira moral, aquela que pode ser admitida por todo homem de bom senso."
"O papel dos Espíritos não é de ensiná-los as coisas deste mundo, mas de guiá-los de modo seguro naquilo que lhes pode ser útil no outro."
Em [LM - it 303] Kardec indaga:

"Por que Deus permite que pessoas sinceras e que aceitam o Espiritismo de boa fé, sejam mistificadas, isto não lhes acarretaria o inconveniente de abalar a crença?"
R - "Se isto lhes abalar a crença, é porque sua fé não é muito sólida, quem renuncia ao Espiritismo por um simples desapontamento prova que não o compreende e não o toma em sua parte séria. Deus permite as mistificações para provar a perseverança dos verdadeiros adeptos e punir os que fazem do Espiritismo um objeto de divertimento."

As mistificações mais comuns são:
• Revelação de tesouros ocultos;
• Anúncios de herança ou outras fontes de riqueza;
• Predição com épocas determinadas;
• Indicações relativas a interesses materiais;
• Teorias ou sistemas científicos ousados; Enfim, tudo o que se afasta do objetivo moral das comunicações.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

23ªAULA- G.E DE ESTUDOS E TRABALHOS MEDIÚNICOS

Perguntas aos Espíritos
A comunicação entre o Espírito encarnado e o Espírito desencarnado vem ocorrendo desde as mais remotas épocas. Na história de todos os povos encontramos provas irrefutáveis deste fato.
Estando o Ser Humano, encarnado na Terra, na faixa evolutiva própria de nosso planeta, não é de se estranhar que logo visse na possibilidade de comunicação com os "mortos" uma maneira de tirar algum proveito. A evocação era praticada por alguns povos da Antiguidade, sem o verdadeiro respeito, afeição ou piedade; era, antes, um recurso para brincadeiras e adivinhações, exploradas pelo charlatanismo e pela superstição. Por este motivo, o legislador hebreu, Moisés, 1500 a.C., para educar o seu povo, utilizou-se de uma Lei Disciplinar e proibiu a comunicação com os mortos.
Muitas religiões do passado, tinham no culto e comunicação com os mortos, a base de sua Doutrina. Entretanto, somente os ditos iniciados poderiam praticar o intercâmbio com os mortos, o povo em geral era proibido de conhecer ou exercitar esta prática. Na Idade Média, como em outras épocas, os feiticeiros e bruxos eram queimados em praça pública, como um exemplo para amedrontar o povo.

Allan Kardec [LM - cap XXVI] estuda detalhadamente a comunicação entre os "vivos e os mortos", e esta análise recebeu o nome de: "Perguntas que se podem fazer aos Espíritos". É importante, para todos nós, analisarmos alguns aspectos:
A natureza da pergunta pode provocar uma resposta exata ou falsa. Devemos nos lembrar que existem perguntas que os Espíritos não podem responder, por três motivos principais:
1) não sabem a resposta;
2) não querem responder;
3) não têm permissão para responder.
Quando insistimos nestas perguntas, os Espíritos sérios se afastam e os Espíritos inferiores podem, às vezes, responder.

Vamos analisar alguns pontos importantes, colocados por Allan Kardec

a) Os Espíritos sérios respondem de bom grado às perguntas que têm por objetivo o nosso progresso e o bem da Humanidade, os Espíritos infelizes respondem a tudo.
b) Uma pergunta séria não nos dará a certeza de uma resposta também séria.
c) Não é a pergunta que afasta o Espírito leviano, mas o caráter moral daquele que pergunta.

Vejamos agora alguns tipos de perguntas

Perguntas Sobre o Futuro
Grande é a curiosidade do Homem em saber o seu futuro. Mesmo não vivendo de maneira adequada o seu presente e tendo motivos para arrepender-se muito de seu passado, o Homem quer conhecer o seu futuro. Este tipo de comportamento tem facilitado, desde as épocas mais remotas e até os dias atuais, o charlatanismo. Muitas pessoas aceitam de bom grado a "adivinhação do futuro", com o uso de artifícios variados, como jogo de cartas, de conchas, bolas de cristal, etc.

O Codificador do Espiritismo deixa claro vários aspectos relacionados à previsão do futuro
a) em princípio, o futuro é sempre oculto ao Homem; excepcionalmente permite Deus
seja ele revelado;
b) o conhecimento do futuro pode ser extremamente prejudicial ao Homem;
c) o futuro depende forçosamente de nosso presente, e nosso presente não é fruto do acaso, mas sim da utilização de nosso livre arbítrio.

São características das predições falsas: feitas a toda hora e em qualquer local, feitas sempre que solicitadas, marcam o momento exato dos acontecimentos previstos, respondem a solicitações pueris.

Perguntas sobre Existências Passadas:
A curiosidade do Espírito encarnado em saber o que foi em existências anteriores, não é menor. Espera que tenha sido um sábio, um grande cientista, um rei. A lógica nos mostra que a natureza não dá saltos e, sendo assim, estudando o nosso comportamento atual, nossas tendências e sentimentos, com certa facilidade poderemos imaginar o que fomos no passado.
As perguntas sobre nossas vidas passadas dificilmente serão respondidas pela Espiritualidade Maior; quando isso ocorre, quase sempre se faz de modo espontâneo e com finalidade superior.

Perguntas sobre a Sorte dos Espíritos:
Todo aquele que se distancia, momentaneamente de um ente querido que desencarnou, fica ansioso para receber deste um conselho, um consolo, uma notícia. É comum pessoas procurarem os Centros Espíritas em busca de informações (o nosso Chico Xavier, se defronta com milhares de pessoas a procurá-lo em busca de boas notícias). Sobre isso, vejamos alguns aspectos importantes: muitas vezes o Espírito que desencarnou necessita de algum tempo para reequilibrar-se antes de comunicar; às vezes, a separação temporária é necessária e importante para ambos. A insistência em conseguir notícias poderá gerar sofrimento para o Espírito desencarnado, como também gerar a oportunidade de falsas notícias, trazidas por Espíritos levianos. A orientação é ter paciência, orar muito, pois, se for possível e útil, a notícia virá
espontaneamente e em ocasião oportuna. O tempo e o espaço são grandezas insignificantes quando comparadas ao poder do amor.

Perguntas Sobre a Saúde:
Qual o remédio a tomar? Qual exame a fazer? Operar ou não operar? São perguntas frequentes à espiritualidade. Algumas pessoas se esquecem que a doença do corpo é, muitas vezes, o remédio para a cura do Espírito e querem, de qualquer forma, a cura do corpo sem saber que podem estar desprezando a cura do Espírito. Devemos lembrar sempre que a medicina da Terra não compete e não é inimiga da medicina espiritual, elas se somam e se completam.
Se a medicina da Terra cresceu em conhecimento e recursos, é porque isso é necessário a todos nós. Da mesma forma, como aqui na Terra, algumas pessoas têm a capacidade de prescrever, orientar e esclarecer sobre este aspecto, também no Mundo Espiritual existem Espíritos capazes de desenvolverem tal tarefa. No entanto, se interrogarmos sem critério, seremos vítimas de Espíritos levianos.

Bibliografia

1) Livro dos Médiuns - Allan Kardec
2) Médiuns e Mediunidades - Vianna de Carvalho / Chico Xavier
3) O Céu e o Inferno - Allan Kardec
4) Estudando a Mediunidade - Martins Peralva
5) Diálogo com as Sombras - Hermínio C. Miranda
6) O Consolador - Emmanuel / Chico Xavier

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

22ªaula- G.E.DE ESTUDOS E TRABALHOS MEDIÚNICOS

Capítulo 21
As Doenças Mentais
Introdução
Dados estatísticos recentes informam que cerca de 25% da população mundial sofre de algum problema relacionado ao sistema nervoso.
Nos Estados Unidos da América, 25% da verbas liberadas pelo Congresso Americano destinam-se às Neurociências (ramo da medicina que engloba a Psiquiatria, a Neurologia e a Psicologia). De cada dois leitos hospitalares, um é ocupado pela Psiquiatria.Essas informações dão-nos uma pálida idéia da importância das enfermidades mentais na sociedade contemporânea: milhares e milhares de pessoas têm vivenciado problemas diversos vinculados à função psíquica.
No entanto, apesar de todo o interesse que estas enfermidades têm despertado, não se vislumbra ainda o instante em que as ciências oficiais deverão estudá-las com a sonda reencarnatória.
Somente o conhecimento de que já vivemos, a idéia precisa das vidas sucessivas, levará o homem às causas fundamentais das doenças mentais.
Somente a Psicologia integral (expressão de Gabriel Delanne), aquela que vê no homem os seus três elementos (corpo, Espírito e perispírito) poderá, definitivamente, equacionar o problema sério das perturbações psíquicas.

Sob uma visão espírita podemos sistematizar as doenças mentais em três grupos:

*Doenças Mentais
*Doenças orgânicas
*Auto-obsessão
*Obsessões

a) Doenças Orgânicas:
São as doenças mentais onde se observa um fundamento orgânico. São as enfermidades em que há uma evidente lesão física que justifica as alterações do psiquismo. Muitas condições patológicas podem acompanhar-se de alterações psíquicas, como aneurismas cerebrais, tumores, arteriosclerose dos vasos cerebrais, sífilis cerebral, oligofrenias, etc.
Nesse grupo de enfermidades psíquicas o Espírito poderá encontrar-se lúcido, ciente do problema que o acomete, já que a lesão é eminentemente física.
As faculdades intelectuais do Espírito estão perfeitas. O que ocorre é um bloqueio à manifestação destas faculdades em decorrência de um cérebro doente.
Allan Kardec estuda este grupo de doenças no Livro dos Espíritos (2ª parte - Idiotia e Loucura).

b) Auto-Obsessões:
Em Obras Póstumas, há uma passagem em que Allan Kardec afirma que muitas vezes "o Espírito pode ser o obsessor de si próprio'. E esta condição, bastante freqüente, estará respondendo por parcela significativa dos casos de enfermidades mentais.
Podemos entender as auto-obsessões como sendo a "liberação de um inconsciente culpado", pois na base deste grupo de doenças estará quase sempre o "complexo de culpa".Feridas morais sérias insculpidas no inconsciente que passam a emitir vibrações deterioradas, que ao se chocarem com a consciência atual vão se manifestar sobre a forma de angústia, de depressão, de fobias, de delírios, etc.
Devemos nos lembrar, no entanto, que muitas vezes algumas distonias emocionais (ansiedade e depressão, principalmente) estarão surgindo sem grandes vínculos com existências pretéritas, mas como resultado de conflitos íntimos atuais.

c) Obsessões:
Segundo o psiquiatra espírita Dr. Inácio Ferreira cerca de 30% dos casos de loucura surgem em decorrência de uma atuação espiritual obsessiva. Espíritos perversos ou inconseqüentes que dirigem suas vibrações de teor enfermiço em direção de mentes culpadas, desencadeando reações emocionais e psíquicas doentias.

Diagnóstico Diferencial
A grande questão que se coloca na prática espírita está relacionada aos critérios que vamos utilizar para distinguirmos os diferentes doentes, enquadrando-os em um dos três grupos citados.
As enfermidades do primeiro grupo (orgânicas) são diagnosticadas facilmente através de exames complementares e não configuram problemas para a prática espírita.
No entanto, o mesmo não acontece nos grupos de auto-obsessão e de obsessão.
Na realidade, não existem sinais infalíveis que poderão auxiliar-nos nesta diferenciação, pois os doentes portadores de auto-obsessão e obsessão, propriamente dita, apresentam-se com as mesmas manifestações.
O importante então, não é uma distinção adequada, mas sim um tratamento efetivo.
E a terapia espírita será a mesma para os dois grupos de enfermos.

Tratamento
Torna-se desnecessário reafirmarmos a importância do acompanhamento médico e psicológico para os doentes do psiquismo. A Psiquiatria e a Psicologia possuem recursos diversos que deverão ser empregados nos portadores de perturbações psíquicas. As drogas, a psicoterapia e, algumas vezes, a internação tornam-se necessárias em muitos doentes.

A contribuição espírita na recuperação destes enfermos consiste nas seguintes medidas:
a) Fluidoterapia através do passe e da água magnetizada;
b) Instituição do culto do evangelho no lar, com o exercício constante da prece e da leitura edificante;
c) Frequência ao Centro Espírita em reuniões de estudo evangélico-doutrinário (jamais em reuniões de intercâmbio mediúnico);
d) Ocupação constante do tempo com atividades gratificantes, principalmente aquelas com objetivos altruístas;
e) Exercício constante de pensamentos elevados, buscando nortear a sua vida de acordo com os princípios filosóficos apresentados no Evangelho de Jesus.

Bibliografia
1) Loucura e Obsessão - Manoel Philomeno de Miranda / Divaldo P. Franco
2) Nas Fronteiras da Loucura - Manoel Philomeno de Miranda / Divaldo P. Franco
3) Grilhões Partidos - Manoel Philomeno de Miranda / Divaldo P. Franco
4) No Mundo Maior - André Luiz / Chico Xavier
5) Visão Espírita das Distonias Mentais - Jorge Andréa

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

21ªAULA - G.E DE ESTUDOS E TRABALHOS MEDIÚNICOS

Capítulo 20
Obsessão: Tratamento, Prognóstico e Profilaxia

Antes de Jesus, os obsediados eram marginalizados; objetos de curiosidade e de terror.
Isolados pelos próprios familiares, padeciam sob a ação ainda maior dos "inimigos" espirituais.
Com a vinda do Mestre, chegou a lição do amor. Como remédio e como alimento para ambos os doentes: obsessor e obsediado.
O verdadeiro trabalho de desobsessão se iniciou com Jesus ensinando aos homens que o amor deve ser o alicerce de toda terapêutica.

Com o passar dos tempos, os homens se esqueceram, deturparam também estes ensinamentos e foi necessária a vinda da terceira revelação, o Consolador Prometido, para que a luz novamente se fizesse. Foi a Doutrina Espírita que realmente traçou diretrizes lógicas, seguras e eficazes para o tratamento da obsessão.

O processo obsessivo, para realmente ser resolvido, necessita a atuação terapêutica no obsessor e no obsediado.
Poderíamos dividir o estudo do tratamento da obsessão, analisando a terapêutica espírita e a terapêutica médica, que devem ser avaliadas adequadamente.
Tratamentos

a) Reforma Moral (Auto-desobsessão):
A auto-desobsessão tem um item óbvio que é a reforma moral do obsediado. É um trabalho consciente e necessário, de mudanças de hábitos e pensamentos. Substituindo os hábitos por pensamentos e sentimentos de elevado conteúdo moral.
Como sabemos, a conduta e os hábitos do obsediado atuam como causa secundária, facilitando a instalação do processo obsessivo, em conjunto com a causa primária (débito do passado).
Reforma moral é esta auto-educação de valores e sentimentos.
O meio mais fácil de atingir este objetivo é pela prática da caridade com Jesus. A caridade é terapia. Conseguirá o obsediado, aos poucos, convencer o seu obsessor de sua renovação moral e também desfrutará de elevadas companhias espirituais.

b) Fluidoterapia:
"O obsediado fica envolto e impregnado de seu fluido pernicioso... é deste fluido que importa desembaraçá-lo." (A Gênese, Cap. XIV, item 46)
O obsessor envolve fluidicamente o obsediado, absorvendo-lhe os fluidos benéficos, substituindo-os por fluidos deletérios.
Só existe um meio de retirarmos estes maus fluidos, é substituindo-os por bons fluidos, como afirmava o sábio mestre lionês. Para isso, é fundamental a fluidoterapia, feita pelo passe e pela água fluidificada.

c) Frequência ao Centro Espírita:
A frequência do obsediado ao Centro Espírita é muito importante no tratamento: permite a instrução espírita, facilita o hábito de bons pensamentos, permite a prática da caridade com Jesus, permite o acesso mais fácil à fluidoterapia, etc.
Um fato importante, é que em grande número de casos, quando o obsediado penetra no Centro Espírita, leva consigo o seu obsessor(es), fato permitido pela espiritualidade maior, para propiciar o auxílio renovador também para o "irmãozinho perseguidor".
A frequência ao Centro Espírita deverá ser cobrada ao obsediado e também à sua família.

d) Culto no Lar:
o papel importante do equilíbrio no lar, como base para o equilibro de todos nós. O obsediado, mais do que ninguém, precisa de um porto seguro e bem aparelhado. Como sabemos, é muito comum o envolvimento dos familiares do obsediado no quadro obsessivo, pois, muitas vezes, são grupos de Espíritos devedores que se reúnem para enfrentarem o mesmo problema expiatório.
O culto do evangelho no lar facilita a frequência de bons Espíritos no lar do obsediado, permite a penetração do Evangelho de Jesus na vida de todos.

e) Laborterapia:
Quando trabalhamos, seja qual for o tipo de trabalho, ocupamos nossa mente, e os maus pensamentos, a influência dos Espíritos menos felizes, são repelidas. Mãos ocupadas, eis um bom antídoto contra a obsessão.

f) Participação da Família:
Não somente o obsediado deve ser conscientizado da importância de sua participação na terapêutica desobsessiva, mas também os seus familiares. Muitas vezes, o desequilíbrio do obsediado chega a tal ponto que a participação da família assume ainda maior importância.

g) Apoio de Um Grupo Mediúnico:
A ação da equipe espiritual de ajuda, se tornará mais evidente, quando houver a participação de um grupo mediúnico sério. Ambos Espíritos envolvidos serão beneficiados. O envolvimento carinhoso, o esclarecimento evangélico e doutrinário, realizado por um grupo mediúnico, serão extremamente benéficos ao obsessor e ao obsediado.
Importante enfatizar, que a presença do obsediado à reunião mediúnica é dispensável e até mesmo prejudicial.
A frequência de uma pessoa desequilibrada na reunião mediúnica é muito danosa, entre outros inúmeros fatores, quebra a harmonia do grupo, fator fundamental para um trabalho eficiente de desobsessão.

h) A Terapêutica Médica:
A terapêutica desobsessiva deve sempre ser orientada tendo como base estes dois aspectos: a terapêutica espiritual e a terapêutica médica, pois a não utilização de uma delas pode levar a um tratamento ineficiente e incompleto.
Como Espírito encarnado, possuindo Espírito, perispírito e corpo físico, o obsediado terá alterações psíquicas e orgânicas variadas e importantes, desde o início do quadro e no decorrer do mesmo. Para o equilíbrio, o êxito, a terapêutica desobsessiva deve estar alicerçada sobre esses dois suportes:A Terapêutica Médica e a Espiritual

O medicamento é extremamente importante para muitos obsediados pois permite sua socialização, a sua reintegração familiar, o retorno ao trabalho, sua melhor íntima, dispensando alguns internamentos, etc.
A psicoterapia e o internamento em alguns quadros de obsessão assumem papel muito importante. Sempre que indicados pelo médico assistente devem ser incentivados e respeitados por nós.

Bibliografia
1) O Livro dos Médiuns - Allan Kardec
2) Grilhões Partidos - Manoel Philomeno de Miranda / Divaldo P. Franco
3) Obsessão e Desobsessão - Suely Caldas Schubert
4) Diálogo com as Sombras - Hermínio C. Miranda

quinta-feira, 29 de julho de 2010

20ªAULA- G.E.DE ESTUDOS E TRABALHOS MEDIÚNICOS

Capítulo 19
Obsessão: Classificação

Afirmava Kardec que a obsessão apresenta caracteres diversos, que é preciso distinguir, e que resultam do grau de constrangimento e da natureza dos efeitos que produz. A palavra obsessão é um termo genérico, pelo qual se designa esta espécie de fenômeno, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.

Obsessão Simples
Na obsessão simples o Espírito inferior procura, através de sua tenacidade e persistência, intrometer-se na vida do obsediado, dando-lhe sugestões que, na grande maioria das vezes, são contrárias a sua forma habitual de pensar. Quando se trata, por exemplo, de um médium acometido por obsessão simples, o Espírito inferior se intromete nas suas comunicações e o impede de se comunicar com outros Espíritos, ou se apresenta substituindo e se fazendo passar por outros. Entretanto, esclarece Kardec, ninguém está obsediado pelo fato de ser enganado por um Espírito mentiroso. A obsessão consiste na ação persistente de um Espírito, e do qual não se consegue desembaraçar, à pessoa sobre quem ele atua. O melhor médium pode ser enganado, sobretudo no começo, que lhe falta a experiência necessária, pode-se pois, ser enganado sem ser obsediado.
O Espírito Manoel Philomeno de Miranda afirma-nos:
"A obsessão simples, é uma parasitose comum em quase todas as criaturas, considerando o natural intercâmbio psíquico existente em todos os setores do Universo."
Entretanto, o problema reside na fixação, pois o próprio significado da palavra obsessão, como vimos, revela idéia fixa, o que caracteriza o instalação do processo obsessivo. Surgem, assim, como sinais e sintomas da obsessão simples, as desconfianças excessivas, os estados de insegurança pessoal, as enfermidades sem causas definidas, etc. Observamos também, mudanças algo súbitas no temperamento habitual do obsediado, em razão das mensagens telepáticas emitidas pelo obsessor e reforçadas nos clichês mentais que ressurgem dos arquivos do inconsciente. Podemos incluir nessa categoria os casos de obsessão de efeitos físicos, isto é, a que consiste nas manifestações ruidosas e obstinadas de alguns Espíritos, que fazem se ouçam, espontaneamente pancadas, ruídos.
Pelo que chamamos manifestações físicas espontâneas ou obsessão de efeitos físicos.

Fascinação
Na fascinação, as conseqüências são mais sérias. É uma ilusão, produzida pela ação direta do Espírito obsessor sobre o pensamento do médium, e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio e o seu julgamento relativamente às comunicações. O fascinado não acredita que o estejam enganando e o Espírito fascinador tem a capacidade de lhe inspirar confiança cega, que o impede de compreender o absurdo do que escreve ou fala, ainda que este absurdo esteja claro a todos os que os cercam. A ilusão pode mesmo ir ao ponto de fazê-lo ver o sublime na linguagem mais ridícula.
O fascinado não se sente incomodado com a presença e a influência do obsessor, muitas vezes até gosta, e forma-se então o verdadeiro processo de simbiose psíquica.
O médium fascinado se acredita guiado por uma entidade espiritual de alto gabarito, pois que usa nome de personagens famosos ou de Espírito de valor. O Espírito obsessor nesses casos é hábil, astuto e profundamente hipócrita, pois usa uma imagem que esconde suas verdadeiras intenções. Usa com freqüência as palavras caridade, humildade e amor a Deus como credenciais, mas, através de tudo, deixa transparecer sinais de inferioridade.
A fascinação é difícil de ser tratada porque o obsediado recusa orientação e tratamento, pois não acredita estar sob influência obsessiva, e até, às vezes, acredita que todos os demais é que se encontram obsediados, magoa-se e afasta-se das pessoas que o podem esclarecer.
Geralmente, os médiuns fascinados vagueiam de um centro ao outro e, muitas vezes, terminam por criarem seus próprios centros espíritas onde serão onipotentes.

Subjugação
A subjugação é o tipo de obsessão em que existe a paralisia da vontade do obsediado e o obsessor assume o domínio completo de sua vítima, que é escravizada, perdendo a vontade própria. A subjugação pode ser moral ou corporal (física).
Na subjugação física, o Espírito obsessor atua sobre os órgãos materiais e provoca atos motores involuntários, variando, desde situações, como por exemplo, necessidade de escrever nas horas mais inoportunas até situações ridículas como gestos involuntários, etc. Na subjugação física, o indivíduo age contra a sua vontade e tem consciência do ridículo a que se expõe e que não consegue evitar, sofrendo muito com isso. Pode, algumas vezes, praticar atos violentos.
Na subjugação moral ou psíquica, o subjugado é levado a tomar resoluções freqüentemente absurdas e comprometedoras, muito diversas da sua vontade, que, por uma espécie de ilusão, ele crê sensatas.
O paciente subjugado vai sendo dominado mentalmente, tombando em estado de passividade, geralmente sob tortura emocional, chegando a perder por completo a lucidez (consciência).
O subjugado perde temporária ou definitivamente, durante a sua atual reencarnação, o controle sobre a área da consciência, não podendo se expressar livremente.
A visão, a audição e os demais sentidos confundem a realidade objetiva. Por fim, o obsessor toma conta dos centros de comando motor e domina fisicamente a vítima que lhe fica inerte, subjugada moral e fisicamente, agindo como um louco vulgar.
A subjugação é de mais fácil reconhecimento, mas de difícil tratamento, e é raro haver cura sem deixar seqüelas. Não devemos supor na subjugação, o Espírito obsessor tome lugar no corpo do obsediado, há, sim, uma supremacia da sua vontade dominando completamente a do médium.
Lembramos ainda que a obsessão é o peso que tomba sempre sobre os ombros das consciências comprometidas.
A Doutrina Espírita veio desvendar o processo de nossa libertação, revelando que a cura só ocorrerá se os envolvidos no processo, reconhecendo seus débitos, procurarem a melhora.
Vem demonstrar que a nossa libertação deve ser conquistada a cada dia com o empenho de todas as nossas energias e o selo de nossa responsabilidade. Dos tormentosos processos obsessivos o homem só se libertará quando compreender o quanto é responsável pelo próprio tormento, e pelos que causa, aos que hoje lhe batem às portas do coração, roubando a paz que julgava merecer. Liberdade e responsabilidade. Para merecermos a primeira temos que assumir a segunda!
Bibliografia
1) Livro dos Médiuns - Allan Kardec
2) A Gênese - Allan Kardec
3) Nas Fronteiras da Loucura - Manoel Philomeno de Miranda / Divaldo P. Franco
4) Grilhões Partidos - Manoel Philomeno de Miranda / Divaldo P. Franco
5) Nos Domínios da Mediunidade - André Luiz / Chico Xavier
6) Ação e Reação - André Luiz / Chico Xavier