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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

NO LIMIAR DA VIDA DE ALÉM TÚMULO

Para mim, meu caro filho, as últimas impressões da existência terrena e os primeiros dias transcorridos depois da morte foram muito amargos e dolorosos.
Quero crer que a angústia, que naquele momento avassalou a minh’alma, originou-se da profunda mágoa que me ocasionava a separação do lar e dos afetos familiares, pois, apesar de crer na imortalidade, sempre enchiam-me de pavor de crer na imortalidade, sempre enchiam-me de pavor os aparatos da morte; e dentro do catolicismo, que eu professava fervorosamente, atemorizava-me a perspectiva de uma eterna ausência.Lutei, enquanto me permitiram as forças físicas, contra a influência aniquiladora do meu corpo; mas foi uma luta singular a que sustentei, como sói acontecer aos corações maternos, quando periga a tranquilidade dos seus filhos. Unicamente esse amor obrigava-me ao apego à vida, porque os sofrimentos, que já havia experimentado, desprendiam-me de todo o prazer que ainda pudesse me advir das coisas terrestres.
Desejava orar... Todavia, os pensamentos não conseguiam obedecer-me, dispersos pela confusão estabelecida em meu mundo interior, em virtude dos padecimentos que me percorriam os centros da atividade orgânica; e a minha vontade era semelhante a uma voz de comando, totalmente desobedecida por elementos rebeldes e indisciplinados.
Hoje sei que naqueles angustiosos momentos muitos seres se conservavam, embora intangíveis, ao meu lado, amparando-me com os seus braços tutelares e compassivos, porém não os distinguia.
Sentia-me sucumbir lentamente... A princípio, gemidos de sofrimento escapavam-se do meu peito torturado, compreendendo a ineficácia dos esforços que fazia para não morrer; mas tão rude era aquela suprema tentativa de resistência, que me abandonei, finalmente, àquelas forças poderosas e invencíveis que me subjugavam..

Maria João de Deus
Livro Cartas de uma Morta - Psicografia Chico Xavier

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

CONTINUAMOS SENDO NÓS MESMOS!

Ora, eu estava morto e, no entanto, da vidraça em que observava o movimento lá fora, a paisagem humana, em quase tudo, me lembrava o mundo que eu havia deixado... Será que eu o havia deixado mesmo?
Era a pergunta que, por vezes, me visitava o pensamento. Eu não habitava nenhuma região etérea, feita, como imaginava, de matéria quintessenciada; aos meus sentidos, tudo era quase igual, inclusive eu, que pouco me modificara em minha intimidade.
Nos primeiros tempos de Vida Espiritual, sentira-me, sim, mais leve e mais bem disposto, mas agora, que me integrara de vez na nova realidade, não conseguia constatar em mim tantas diferenças: eu continuava sendo o mesmo Inácio, com o mesmo sangue a correr em minhas veias... Passada a euforia da desencarnação, a Lei da Relatividade se encarregava de fazer com que a vida voltasse ao normal; de onde passara observá-las, as estrelas — sem exagero algum de minha parte — me pareciam ainda mais distantes... A rigor, eu não saberia dizer se me havia aproximado ou distanciado da Luz!
De fato, para os que morrem, a morte não encerra mistério algum; a nossa única expectativa que não se frustra é a que se refere à sobrevivência. Quanto ao mais...
— e, na minha ingenuidade espírita, eu devaneava em que a desencarnação fosse uma espécie de pá de cal sobre as nossas provas... A cura do espírito, sem dúvida, era mais complexa do que supunha. Bendita a Reencarnação, bendito o Esquecimento!...
Não fosse, digamos assim, o choque psíquico que a reencarnação promove no espírito, o despertar da consciência não aconteceria e a cura definitiva dessa doença chamada imperfeição jamais se consumaria.
Existem espíritos que, insanos no Mundo Material, continuam insanos no Mundo Espiritual, os espíritas haverão de se decepcionar; eu não sei a causa de, ao nos tornarmos espíritas, passarmos a achar que somos privilegiados... A Doutrina nos torna conscientes de nossas enfermidades, porém a tarefa da cura nos pertence, pois a simples condição de adepto do Espiritismo não isenta ninguém de suas provas...
— É, principalmente, do esforço de renovação... O espírita sincero é aquele que não recua diante das lutas que trava para ser melhor.
Deus não cultiva preferencias... As orações dos fiéis de todas as crenças têm para Ele o mesmo valor; às vezes, quem ora aos pés de um santo de barro ora com maior fervor do que aquele que já libertou a fé de tantas formalidades...


NA PRÓXIMA DIMENSÃO
CARLOS ALBERTO BACCELLI
DITADO PELO ESPÍRITO INÁCIO FERREIRA

terça-feira, 5 de outubro de 2010

MORRI, E AGORA?

"Muitas vezes já desencarnei. E, em todas indagava-me, ao ter consciência de que mudara de plano: O que será de mim?
Tive medo, na maioria das minhas desencarnações, ao me defrontar com essa situação. E a resposta somente foi tranquila, quando tive boas ações me acompanhando.
Morri! Desencarnei! Como definir essa passagem? É uma viagem que fazemos? Para onde iremos? Como ficaremos? Como será nossa vida no Além? Quem irá conosco? Tantas perguntas! E como receamos as respostas... Viagem? Talvez seja melhor dizer "mudança". E são muitos os locais para onde poderemos ir.
A espiritualidade é enorme.
Há lugares lindos, e outros nem tanto. E somente nossas obras nos acompanham. Os prudentes levam consigo as boas ações que lhes dão, de imediato, agradáveis frutos, o merecimento de ser acolhido em planos elevados onde há amigos que os orientam e auxiliam. Infelizmente as más obras são pesadas e prendem quem as coleciona em lugares não tão agradáveis e seus frutos são amargos. Também fazer essa mudança sem obras é como estar oco, vazio e infeliz continuamos no Além como somos, com os mesmos conhecimentos, costumes, odiando ou amando aos outros.
E a maioria das pessoas ao ter o corpo físico morto, indaga:
E agora? E acontecimentos vêm à mente. A mudança está feita! Será uma passagem feliz para aqueles que viveram encarnados fazendo jus ao merecimento de ser socorrido e permanecer entre amigos bondosos. Terão surpresas desagradáveis os que agiram sem piedade e sem seguir os ensinamentos de Jesus, que recomendou que fizéssemos ao próximo o que gostaríamos que fosse feito a nós.
Convidamos alguns amigos para que narrassem como foi defrontar-se com a desencarnação.
Espero que nossos leitores acreditem nos casos aqui narrados, pois são verdadeiros. E que aproveitem a oportunidade da encarnação, vivendo no bem para o bem, a fim de merecer, ao desencarnar, serem socorridos".

Os casos estão contados no livro:
Morri e Agora?
Psicografado pela médium Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

com explicações do Espírito António Carlos

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O MUNDO SÓ É UMA DROGA, PARA QUEM SE DROGA NO MUNDO!

Na sepultura
A minha morte foi como um pesadelo; senti um profundo torpor e perdi os sentidos. Depois de algum tempo, recobrei a consciência; parecia estar bem, até que percebi que algumas pessoas estavam colocando-me dentro de um caixão. Tentei reagir mas não consegui mexer-me; gritei dizendo estar vivo, mas ninguém me ouviu. Quando fecharam o caixão, dei murros na tampa tentando abri-la, mas meu esforço era em vão; perdi os sentidos.
Não sei quanto tempo fiquei desacordado; quando dei por mim novamente, senti que me colocaram em um veiculo e viajamos por algum tempo. Os solavancos do carro enjoaram-me; comecei a passar mal; não tinha espaço para vomitar e nem para me mexer; sentia-me sufocado. Quando o carro parou escutei gritarem o meu nome seguido de muito pranto. Pelo movimento, percebi que ali deveria ser o local do velório. Tiraram o caixão do carro e, quando menos eu esperava, abriram a tampa. Senti um grande alívio! Tente levantar-me , mas não consegui. Muita gente debruçou sobre mim para chorar.
O que eu poderia fazer ?
Já havia tentado de tudo para sair dali. A única explicação que eu encontrava para aquele fato , é que eu estava realmente morto e o meu espírito preso a meu corpo e já começava a cheirar mal.
Diante da minha impotência, tive que aceitar aquela situação. Observei cada pessoa que passavam por mim. Olhavam-me piedosamente e lamentavam pela minha morte. Quase todos que passaram por aquele desfile de lágrimas e de hipocrisia diziam a mesma coisa:
- Que pena. Tão jovem!
Outros cochichavam:
- Foram as drogas que os destruíram.
-Depois de algum tempo, fecharam o caixão e puseram-me novamente em um carro; Fiquei tonto, comecei a passar mal; por alguns momentos, eu ia morrer de verdade. Mas acabei apenas desmaiando. Quando voltei a mim, não sei quanto tempo depois, escutei algumas pessoas conversando. Pelo que elas falavam, deduzi que estavam levando-me para o cemitério; quase me
desesperei. Senti um medo terrível, principalmente quando percebi que estavam SEPULTANDO-ME.
Não cheguei a entrar em pânico, mas rezei todas as orações que eu havia aprendido e isso, de certa forma, acalmou.
Lembrei-me da minha vida desde quando era criança. Revi todo meu passado, era como se eu estivesse assistindo à projeção. A partir dai, naquela solidão profunda, comecei a julgar minhas atitudes. Fui um combatente! Lutei contra um sistema que eu não aceitava e que me causava revolta. Entretanto, acabei vítima de mim mesmo e não do sistema que eu condenava.
Sem perceber, havia optado pela fuga, a mesma fuga que me havia fascinado em outros momentos da minha vida. O sofrimento por que eu estava passando era característico dos suicidas. Era assim
mesmo que eu me sentia, um suicida. Levado pela revolta, percorri o caminho das drogas até encontrar a morte. Embora o mundo me aborrecesse, eu deveria ter continuado no bom combate.
Na verdade, fui um equivocado, apontei tudo que eu achava que estava errado, mas não soube indicar o certo. Minhas intenções eram boas, mas minhas atitudes eram contraditórias. Em vez de
atacar e ferir o sistema, eu deveria ter contribuído para transformá-lo.

Nelson Moraes Zílio
Um Roqueiro no Além

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A AVAREZA

Tu que possuis, escuta-me. Um dia, dois filhos de um mesmo pai receberam, cada um, um alqueire de trigo. O primogênito encerrou o seu num lugar oculto; o outro encontra, em seu caminho, um pobre que pede esmola; corre a ele, e vira, no pano do seu casaco, a metade do trigo que lhe foi dado, depois continuou sua rota, e foi semear o resto no campo paterno.
Ora, por esse tempo, veio uma grande fome, os pássaros do céu morriam ao lado do caminho. O irmão primogênito correu ao seu esconderijo, mas aí não encontra senão pó; o caçula, tristemente, ia contemplar o seu trigo, desanimado, quando encontra o pobre ao qual havia assistido. Irmão, disse-lhe o mendigo, ia morrer, tu me socorreste; agora, que a esperança secou em teu coração, segue-me. Teu meio alqueire quintuplicou em minhas mãos; apaziguarei a tua fome e viverás na abundância.
2.
Escuta-me, avaro! Conheces a felicidade? Sim, não é? Teu olhar brilha com um sombrio esplendor em tua órbita que a avareza cavou mais profundamente; os lábios se fecham; teu nariz treme e prestas atenção. Sim, ouço, é o ruído do ouro que a tua mão acaricia jogando-o em teu esconderijo. Tu dizes:
É a volúpia suprema. Silêncio! Vem alguém. Fecha depressa.
Bem! estás pálido! teu corpo estremece. Tranquiliza-te; os passos se distanciam. Abre; olha, ainda, o teu ouro. Abre! não temas mais; estás bem sozinho. Ouves! não, nada; é o vento que geme passando sobre a soleira da porta.
Olha; quanto ouro! mergulha plenamente as mãos: faze soar o metal; tu és feliz.
Feliz, tu! mas a noite é sem repouso e o teu sono é atormentado por fantasmas.
Tens frio! Aproxima-te da chaminé; aquece-te nesse fogo que crepita tão alegremente. A neve cai; o viajor se envolve, friorento, em seu casaco, e o pobre tirita sob os seus andrajos.
A chama do fogo se abranda; atire madeira. Mas não; pare! é o teu ouro que consomes com essa madeira; é o teu ouro que queima.
Tens fome! Tens, toma; sacia-te; tudo isso é teu, pagaste com o teu ouro. De teu ouro! Essa abundância te deixa indignado, esse supérfluo é necessário para sustentar a vida? Não, esse pequeno pedaço de pão basta; ainda é muito. Tuas vestes caem em farrapos; a casa fendese e ameaça ruir; tu sofres de frio e de fome; mas que importa! tens o ouro.

DISSERTAÇÃO MORAL DITADA POR SÃO LUIS À SENHORITA HERMANCE DUFAUX
Revista Espírita, fevereiro de 1858

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

ORAR PELOS MORTOS

A filosofia religiosa que prega a não obrigação de orar pelos mortos,alegando que a prece por eles nada acrescentará para a sua salvação e sua melhora, porque eles se encontram ligados aos corpos na sepultura, esperando o dia do juízo,  pois o que fizeram na Terra está feito, se esqueceu de aceitar Jesus.
Do modo que eles pregam, uns irão para a direita, outros diretamente para a esquerda, ou seja, para o inferno eterno.
Inferno Eterno!?
Como poderia Deus, que é amor, que fez seus filhos todos iguais, e sendo onisciente, não saber que eles, ou alguns deles, iriam para o sofrimento eterno?
A resposta à pergunta em estudo foi dada por um pastor protestante em "O Livro dos Espíritos", que foi oportuna, mas se esqueceu de dizer que Jesus orava, sim, pelos mortos.
Quantas vezes o Senhor subiu ao monte, para orar!
Isso acontecia sempre e Ele chamava à Sua companhia alguns dos Seus discípulos. Ele, o Mestre dos mestres que conhecia tudo, toda a ciência e filosofia espiritual, não iria se esquecer dos mais necessitados, daqueles que vivem fora do corpo, em desespero.


Quem poderia dizer que o Cristo quando orava não incluía os mortos? Os vivos, principalmente os judeus, tinham muitos profetas e inúmeros sacerdotes que lhes ensinavam a orar e lhes ditavam as regras estabelecidas por Moisés, enquanto os mortos sofredores em regiões umbralinas precisavam disso tanto quanto os chamados vivos. Quem pensa que no Evangelho não aparece Jesus orando pelos mortos, está completamente enganado, porque Jesus orou, e muito, pelos desencarnados, e falanges desses Espíritos despertaram e acompanharam Jesus até o último momento da Sua gloriosa despedida da Terra, regressando para as regiões resplandecentes de onde veio.

A prece é tão divina que é usada em todos os planos da vida maior, como força de Deus em favor da harmonia. A oração é o canal através do qual poderemos nos comunicar com Deus, e d'Ele receber a vida e doar amor.

Religião alguma pode negar a existência dos Espíritos, nem a certeza de que quando o corpo perece e vai para a sepultura, a alma continua a viver.

Jesus subiu ao monte Tabor para orar, e nesse exercício divino aparecem para ele Moisés e Elias, com os quais confabulou demoradamente, chegando a ponto de os discípulos os perceberem de tal forma visíveis, que queriam fazer tendas para eles.

Os livros sagrados se encontram repletos de relatos de intervenções dos Espíritos na Terra, conversando com os homens. Se não fora essas intervenções, como surgiriam as religiões?

São valiosas as preces dos encarnados em favor dos desencarnados. Os "anjos de guarda" oram sempre para o melhor entendimento dos seus tutelados.

Disse Jesus, anotado por Marcos, no capítulo doze, versículo dezessete:
Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E muitos se admiraram dele.

Com o dai a César, poderemos interpretar os cuidados que devemos ter na separação dos valores ante a sociedade, a família e Deus; são as obrigações morais. A oração é uma delas; orar pelos que sofrem e nos caluniam. Orar pelos mortos é nosso dever, porque a oração bem sentida e com amor alivia e dá esperança aos sofredores.

A oração é força de Deus que nasce no coração do Espírito, em todos os planos da vida.

Espírito Miramez

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O DESENCARNE DE UM ESPÍRITA

Selecionamos entre as muitas missivas, e com a autorização do missivista, um drama comum a boa parte das desencarnações de espíritas. Objetivamos assim que a vivência desse coração querido, nos lances da vida afetiva, seja útil às reflexões de vós outros que se encontram na carne investidos das responsabilidades com o Consolador. Segue, resumidamente, a missiva.
Meu drama não escapa dos resultados infelizes que nós, os espíritas, na maioria dos casos, colhemos além-túmulo quando empanturramos o cérebro com informações doutrinárias, sem digerí-las saudavelmente na vivência diuturna.
Acumular conhecimento sem renovar o coração é o mesmo que nos mantermos desavisadamente à beira de enorme precipício que, ao menor descuido, arremessamos aos despenhadeiros da “morte física e espiritual.”
“Somente aqui percebi com clareza que o pensamento iluminado é roteiro de paz, mas o sentimento, em verdade, é o “espelho” da consciência na busca dessa mesma paz que, no meu caso, ficou soterrada sob o monturo da distração e do interesse pessoal.”
“A razão esclarecida, quando se dissocia do afeto elevado, é parceira da ilusão, adquirindo séculos de dor e enganos que, depois de muito sofrimento, servirão como buril do coração na conquista dos sentimentos nobres. Contudo,Deus não nos criou esse doloroso caminho. Nós o escolhemos...
“Minha primeira grande decepção no além foi o encontro que tive com algumas companhias, que cumprimentaram-me com leviana intimidade e termos chulos. Ao esboçar mentalmente a indagação sobre quem seriam, não careci da resposta, porque ressumava na minha mente lembranças estranhas de lugares e ações entre nós... Percebi então que eram velhas companhias de minhas antigas condutas, com as quais seria deseducação e desentendimento querer me livrar.”
“A Misericórdia Divina, porém, é generosa sem ser conivente, e graças a alguns benefícios que espalhei abnegadamente, tive um estágio curto em tais companhias e ambientes repugnantes nos círculos próximos à Terra “Minha falência tem sido a de inúmeros companheiros de ideal.”
“Como disse, cérebro iluminado não garante nobreza de afeto, e foi em razão de descuidos do sentimento que lavrei minha desdita.”
“Os primeiros cinco anos de vida espírita, iniciada em plena juventude aos vinte anos, foram estacas balizadoras. Trabalho, estudo e melhora moral. Chegou, no entanto, a hora do testemunho. Depois da faculdade, surgiu incomparável chance profissional. Não a perderia jamais. Dediquei-me de tal forma ao mister que abandonei a escola do centro espírita. Cada dia mais tornava-se imperativo desdobrar-me aos negócios.” “Justificava com a necessidade de descanso, e ademais pensava: isso passa rápido e logo terei vida farta, podendo dedicar-me ao Espiritismo.”
“Aos trinta e cinco anos já era um homem cansado, sem ideal, nem mesmo os materiais, já que comprovei na afanosa carreira que a justiça social é inimiga do sucesso dos honestos. Cedi então aos alvitres da falcatrua elegante e “justificável”.
Afinal, “não haveria outro jeito.” Comecei a ter lucros. Às vezes tinha sentimentos de desconforto, mas aprendi a “enganar” a consciência.”
“Aos quarenta a idéia de formar família atordoou-me; nunca fui dado a aventuras afetivas, pensava em filhos. Minha cabeça não permitia o tempo para os anelos do amor. O sexo não me atormentava.”
“Aos quarenta e sete anos, com uma vida estressada, fumando e ingerindo alcoólicos, regularmente, adquiri uma úlcera duodenal que consumia minhas forças essenciais. Numa das internações hospitalares, meditava sobre minha juventude e tive a impressão nítida da presença espiritual de minha mãezinha querida; adormeci
e tive sonhos inesquecíveis, nos quais ela chamava-me para a lucidez. Tudo em vão; saindo do hospital, deliberei por um negócio engenhoso. Foi meu último passo na vida física, porque os resultados foram desastrosos, levando-me a incontida frustração e cruel desânimo. Peregrinei nos centros espíritas novamente, entretanto, a despeito de saber de tudo aquilo que ouvia, nada sentia no coração sofrido e
enregelado que me motivasse a alguma mudança.”
“Descuidado e imprevidente, desencarnei em lamentável acidente automobilístico.”
“Somente depois de muitas etapas superadas na auto-recuperação é que posso concluir com acerto sobre o drama que me abateu: priorizar e comprometer-se com as questões espirituais é assunto do coração, é questão do sentimento. E se o sentimento é o “espelho” da consciência, devemos refletir a “Imagem Divina”, a bem de nós mesmos.”
“Distraído que fui, pago o preço do descompromisso..“Hoje tenho para mim uma outra escala de aferïção sobre quem são os verdadeiros espíritas. Eu, que entusiasmei-me em excesso com escritores renomados, médiuns ilustres e “bibliotecas ambulantes de Espiritismo” em que muitos se tornavam, acredito agora que espírita com Jesus, no rumo da sua paz, é aquele que em qualquer tempo, nos reveses ou na calmaria, mantém o ideal de melhoria acima de quaisquer circunstâncias, jamais abandonando ou protelando as tarefas, renunciando sempre que possível a gostos e projetos pessoais, deixando-se levar com muito equilíbrio pelos ditames do coração, que são direções seguras da consciência, encaminhando-nos para a lídima felicidade.”

Amigo de jornada, Eis a nossa grande empreitada nos estágios espirituais em que nos encontramos: alfabetizar o coração nas trilhas do bem definitivo, efetivar a aprendizagem da religião cósmica do Amor, plenificar a existência renovando o modo de sentir. Indagamos oportunamente o sábio Bezerra de Menezes sobre qual seria o maior drama vivido pelos espíritas ao deixar a vida corporal, e dele recebemos a seguinte gema de sabedoria:

“Filha, os dramas espirituais são resultados da semeadura terrena, obrigando o lavrador da vida a colher os frutos do que plantou, conforme a lei dos méritos.
Assim sendo, o maior drama daqueles que se internam na “Enfermaria do Espiritismo” não está na infeliz colheita de sofrimento aqui na vida extrafísica, mas sim no dia a dia da experiência terrena quando recusam-se, na condição de doentes, a ingerir o remédio da renovação interior. Conscientes do que existe para além da morte, deveriam submeter-se a urgente metamorfose afetiva, acionando os recursos da educação com vontade firme e muita oração. O esclarecimento, mesmo constituindo luz e lenitivo, por si só, não basta ao sublime tentame.”
“Os dramas do além são conseqüências. O verdadeiro drama está em conhecer e nada fazer para melhorar-se.

- E arrematou o venerável apóstolo do bem: “Parece um contra-senso! Enquanto o homem comum colhe amargos frutos na vida espiritual pelo desconhecimento, os espíritas, quase sem exceções, experimentam sofrida amargura por muito conhecer!...”

Perante a missiva exposta e as palavras do “médico dos pobres”, erguemos em alta voz a campanha pela humanização nos centros espíritas, convocando os co-idealistas, como lema de suas ações, a inspirada proposta do Espírito Verdade:
“Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo".  
(O Espírito de Verdade. (Paris, 1860.O Evangelho Segundo o Espiritismo — capítulo 6.)”

Certamente não será sem razões que nesse apelo o amor é o primeiro ensinamento...

LAÇOS DE AFETO
WANDERLEY S. DE OLIVEIRA

DITADO PELO ESPÍRITO ERMANCE DUFAUX

quinta-feira, 17 de junho de 2010

UM APELO DOS DESENCARNADO AOS QUE FICAM

Muitos encarnados clamam desesperadamente pelos que partiram, vertendo lágrima amargas, quando não acalentando idéias de suicidio na enganosa ilusão de reencontrá-los.
Há muito desassossego na vida psíquica dos desencarnados, toda vez que os familiares não aceitam a separação ou procuram vingança, nos casos de desencarnação por assassinato, alimentando os sentimentos inferiores muitas envolvidos nesse processo.
Inúmeros outros comunicantes falam da dificuldade de adaptação ao mundo espiritual por causa da perturbação dos familiares. Esse desequilibrio, muitas vezes intenso, não lhes permite a própria renovação no plano em que se encontram.
Vamos destacar alguns trechos das cartas dos desencarnados nos quais solicitam a compreensão dos familiares diante da separação. São pontos muito úteis para o nosso próprio preparo diante da morte:

“Vejo seu rosto sem parar, todo banhado em lágrimas sobre o meu e sua voz me alcança de maneira tão clara que pareço carregar ouvidos no coração.
Ah, Mamãe! Eu não tenho o direito de pedir ao seu carinho mais que sempre recebi, mas se seu filho pode pedir mais alguma coisa à sua dedicação, não chore mais.”
(Alberto Teixeira através de Chico Xavier – “Presença de Chico Xavier”)

 “As lágrimas com que me recordam, caem no meu coração por chuva de fogo, (...), o pensamento é uma ligação, que ainda não sabemos compreender.
Quando estiverem com as nossas lembranças mais vivas, comemorando acontecimentos, não se prendam à tristeza. (...) Posso, porém, dizer-lhes que estou com vocês dois, assim como alguém que carregasse no ouvido um telefone obrigatório. Não estou em casa, mas ouço e vejo quanto se passa. Nosso amigos daqui me esclaressem que isso passará quando a saudade for mais limpa entre nós. Saudade limpa!. Nunca pensei nisso! Mas dizem que a saudade que se faz esperança no coração, é assim como um céu claro, mas a saudade sem paciência e sem fé no futuro é semelhante a uma nuvem que se prende com a sombra e tristeza aqueles que dão alimento na própria alma.”
(Marilda Menezes através de Chico Xavier – “Novamente em Casa”)

 “Estou presente, rogando à senhora que me ajude com a sua paciência. Tenho sofrido mais com as suas lágrimas do que mesmo com a libertação do corpo. Isso porque a sua dor me prende à recordação de tudo o que sucedeu. E quando a senhora começa a perguntar como teria sido o desastre, no silêncio do seu desespero, sinto-me de novo na asfixia”.
(William José Guagliardi através de Chico Xavier – “Vida no Além)

“Evidentemente que não vamos cultivar falsa tranquilidade, considerando natural que alguém muito amado parta para o plano espiritual. Por maior que seja a nossa compreensão, com certeza sofreremos muito. No entanto, devemos manter a serenidade, a confiança em Deus, não por nós mesmos, mas sobretudo em benefício daquele que partiu. Mais do que nunca ele precisa de nossa ajuda, e principalmente de nossas orações.”

Texto extraído de “Nossa Vida no Além”
Marelene Nobre – Ed FE

domingo, 7 de março de 2010

DEPOIMENTO DE UM ESPÍRITO

O VICIADO EM

DEPOIS DA MORTE


Não pude me furtar ao depoimento, solicitado com tanto amor por quem tanto fez por mim. No entanto, preferia não falar. Sinto-me desanimado ao pensar que outros que hoje são o que fui, sem dúvida, não acreditarão, como eu também não teria acreditado. Também me pediram para não carregar nas cores do meu relato. Mas como isto é possível? Pois vou falar de dor, de muita dor!
Deixei um corpo exausto, cujos rins se renderam ao assalto de tanto veneno. Minha vida de 45 anos me parecia longuíssima. Um cansaço enorme e um incômodo enorme. Queria poder despir-me do próprio eu, queria morrer, mas morrer de verdade! Queria não existir, não pensar, não sentir.
Arrastei-me para fora do corpo e vi num ambiente escuro e viscoso. Ainda me sentia ligado à máquina orgânica e assim fiquei um longo tempo. Até que um bando de entidades me libertaram do corpo, levando-me com elas. Pensei que ainda estava na Terra, e que era vítima de sequestro. Cocainômano e alcoólatra, já estava atormentado pela sede (não sei definir melhor) devoradora da droga. Tinha alucinações, nesses momentos piores rolava no chão e rasgava-me todo. Meus companheiros me levavam com eles por uma estrada longa e sombria. Fomos, caindo e levantando. Um se apoiava no outro e gritávamos dementados.
Vi-me chegar em um apartamento onde, na sala, se reunia um pequeno grupo de viciados da Terra. Corri para eles e a palavra era "esfomeado". Queria aspirar, o pó branco, tentava tirar das mãos do sujeito diante de mim o papelzinho em que ele, cuidadosamente, sustentava o valioso pozinho. Meus companheiros me ensinaram, então como sorvê-lo através do centros de força do rapaz. Ficamos lado a lado no barato da droga.

Foram anos assim e depois que minha mãe me encontrou, fui hospitalizado num quarto que era uma cela gradeada. Amarraram-me, pés e mãos, e eu gritava dia e noite. Via o rosto de mamãe encostado às grades, suas grandes lágrimas correndo e xingava, odiava sua intervenção. Não sei quanto tempo passei assim. Depois fui desamarrado e levado às sessões longas e dolorosas de desintoxicação.
Espanto-me ao saber que são quase 20 anos que estou aqui. Não estou curado ainda. Tenho alucinações ocasionais e recaídas de desespero. Eles dizem que precisarei reencarnar para que o corpo de carne, atue como mata-borrão, filtrando todo veneno que, voluntariamente destrambelhei o meu corpo espiritual. Dizem que talvez uma vida não seja suficiente. Tenho grandes crises de depressão, mas aqui o tratamento é intensivo e todos me apóiam. Pergunto-me todo dia como pude fazer isso comigo mesmo. Não tenho controle sobre meu corpo perispiritual. Caio muito e tenho crises epileptóides.

Que posso dizer a vocês? Previnam-se, amem-se e a seus filhos. Façamos uma família forte e amorosa, na qual cada membro encontre apoio no afeto e não na química. Engajem-se em campanhas de esclarecimento nas escolas, em toda a parte. Mostrem o lado preto do pó branco! Não posso mais...orem por mim!

Paulo Edu

Sentimentos e Conflitos
Grace khawali

sábado, 6 de março de 2010

DEPOIMENTO DE UM ESPÍRITO


Uma realeza terrestre

Quem melhor do que eu pode compreender a verdade destas palavras de Nosso Senhor: "O meu reino não é deste mundo"? O orgulho me perdeu na Terra. Quem, pois, compreenderia o nenhum valor dos reinos da Terra, se eu o não compreendia? Que trouxe eu comigo da minha realeza terrena? Nada, absolutamente nada. E, como que para tornar mais terrível a lição, ela nem sequer me acompanhou até o túmulo! Rainha entre os homens, como rainha julguei que penetrasse no reino dos céus! Que desilusão! Que humilhação, quando, em vez de ser recebida aqui qual soberana, vi acima de mim, mas muito acima, homens que eu julgava insignificantes e aos quais desprezava, por não terem sangue nobre! Oh! como então compreendi a esterilidade das honras e grandezas que com tanta avidez se requestam na Terra!

Para se granjear um lugar neste reino, são necessárias a abnegação, a humildade, a caridade em toda a sua celeste prática, a benevolência para com todos. Não se vos pergunta o que fostes, nem que posição ocupastes, mas que bem fizestes, quantas lágrimas enxugastes.

Oh! Jesus, tu o disseste, teu reino não é deste mundo, porque é preciso sofrer para chegar ao céu, de onde os degraus de um trono a ninguém aproximam. A ele só conduzem as veredas mais penosas da vida. Procurai-lhe, pois, o caminho, através das urzes e dos espinhos, não por entre as flores.

Correm os homens por alcançar os bens terrestres, como se os houvessem de guardar para sempre. Aqui, porém, todas as ilusões se somem. Cedo se apercebem eles de que apenas apanharam uma sombra e desprezaram os únicos bens reais e duradouros, os únicos que lhes aproveitam na morada celeste, os únicos que lhes podem facultar acesso a esta.

Compadecei-vos dos que não ganharam o reino dos céus; ajudai-os com as vossas preces, porquanto a prece aproxima do Altíssimo o homem; é o traço de união entre o céu e a Terra: não o esqueçais.

Uma Rainha de França. (Havre, 1863.).

Evangelho Segundo Espiritismo
capítulo II